- Publicidade -

Recuperação judicial da Rio Alto alerta sobre futuro da energia limpa no NE

Menos de um ano depois de seu complexo de energia na Paraíba entrar em operação, a empresa tem sérias dificuldades atribuídas a limitações impostas pela ONS
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
- Publicidade -
Complexo solar Santa Luzia foto divulgação Rio Alto
Complexo Solar Santa Luzia, na Paraíba: 3,5 milhões de placas solares para geração de energia/Foto: divulgação Rio Alto

A Rio Alto Energia Renováveis, uma das principais empresas do setor de geração solar no Brasil, entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda-feira (15), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão, que visa reestruturar dívidas com credores quirografários, coloca em xeque o otimismo em torno da transição energética no Nordeste brasileiro.

O grupo é responsável pelo Complexo Solar Santa Luzia, localizado na Paraíba, com capacidade instalada de 2,4 gigawatts. O empreendimento, considerado o quinto maior parque solar do país, abastece cerca de 95% do estado e foi inaugurado com grande expectativa em 2024. O parque possui 3,5 milhões de placas solares instaladas em um espaço que corresponde a quase 4 mil campos de futebol.

No entanto, menos de um ano depois, a empresa enfrenta sérias dificuldades financeiras, atribuídas principalmente a limitações operacionais impostas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), conhecidas como curtailment, que restringem a entrega da energia gerada.

O pedido de recuperação extrajudicial ocorre em meio a negociações com fundos de investimento, como o IG4 Capital, que avalia um aporte de até R$ 300 milhões para socorrer a empresa e ajudar na reestruturação de uma dívida estimada em R$ 1,5 bilhão. Apesar disso, os investidores adotam postura cautelosa diante do cenário de instabilidade regulatória e alta complexidade financeira.

Em abril, a agência Fitch já havia rebaixado a nota de crédito da Rio Alto, apontando inadimplência no pagamento de juros e bloqueio de garantias bancárias. A situação expõe fragilidades estruturais do setor de energia renovável no país, especialmente em regiões como o Nordeste, que concentram grande parte do potencial solar brasileiro, mas enfrentam gargalos na transmissão, financiamento e apoio estatal.

Caso não é o único no setor de energia

Especialistas alertam que a crise da Rio Alto não é um caso isolado, mas sim um reflexo de um modelo de expansão acelerada, pouco amparado por políticas públicas robustas. O episódio acende o sinal amarelo para investidores e levanta dúvidas sobre a viabilidade de projetos de larga escala em energia limpa sem uma revisão nas regras do setor elétrico.

Apesar das dificuldades, o setor solar segue resiliente. O Brasil ultrapassou recentemente a marca de 40 GW de capacidade instalada em geração solar, com destaque para a crescente adesão da geração distribuída. No entanto, casos como o da Rio Alto evidenciam que o futuro da energia limpa dependerá cada vez mais de um ambiente regulatório estável, financiamentos sustentáveis e mecanismos de proteção para investidores e operadores.

A recuperação da empresa será acompanhada de perto por analistas, órgãos reguladores e pelo próprio mercado, que veem no sucesso — ou fracasso — da Rio Alto um indicativo do rumo que a transição energética pode tomar no Brasil.

Leia também:

“ANP enfrentará 3 desafios no mercado de gás em 2025”, diz diretora

Déficit de potência leva ONS a acionar térmicas, com impacto na conta de luz

Investimento bilionário posicionará AL como hub de estocagem de gás natural

NE pode ter novo ciclo industrial com gás e renováveis, diz Joaquim Levy

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -