
Apesar de o Nordeste ter perdido 12 cervejarias ao longo de 2025, a região se consolidou como um dos principais polos de produção nacional. Dados do Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que a região tinha 130 cervejarias registradas no ano passado, queda de 8,5% em relação a 2024. Mesmo assim, respondeu por 3.802.222.465,12 litros de cerveja, o equivalente a 24,2% da produção declarada no país.
A combinação revela um mercado regional mais concentrado e com forte presença industrial. Embora reúna apenas 6,7% das cervejarias brasileiras, o Nordeste registrou a maior produção média por estabelecimento do país, com 29.247.865,12 litros por cervejaria. A região ficou atrás apenas do Sudeste em volume produzido.
No país, o anuário aponta que o Brasil chegou a 1.954 cervejarias registradas em 2025, o maior número da série histórica. O crescimento, no entanto, foi de apenas 0,3% em relação ao ano anterior, o menor avanço de todo o período analisado pelo levantamento.
Para o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, os números reforçam a capacidade de adaptação da indústria cervejeira, mesmo em um cenário desafiador.
“Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão. E isso faz com que ela seja incomparável”, afirmou.
Produção de cerveja ganha escala em todo o país
A redução no número de cervejarias foi observada em quase todas as regiões do país. Segundo o anuário, o Sudeste foi a única região com variação positiva, ao passar para 923 estabelecimentos, crescimento de 3,8%. Já o Nordeste teve a maior queda relativa, com diminuição de 8,5%, o que representa 12 estabelecimentos a menos em comparação com o ano anterior.
Apesar disso, o desempenho da produção mostra uma dinâmica diferente. O Nordeste ocupou a terceira posição em número de cervejarias registradas, mas ficou em segundo lugar no volume produzido. A região superou o Sul, que tinha 759 cervejarias e declarou produção de 2.447.510.384,25 litros, ou 15,6% do volume nacional.
O próprio anuário atribui essa diferença à produção média verificada em cada região. Enquanto o Nordeste teve a maior média do país, com 29.247.865,12 litros por cervejaria, o Sul registrou a menor, com 3.224.651,36 litros por estabelecimento.

Em 2025, o volume de produção declarado no Brasil foi de 15.688.083.191,69 litros, o maior da série histórica. Mesmo assim, o número representa uma redução de 8,85% em relação ao ano anterior, quando foram declarados 17.210.754.610,75 litros.
Todas as regiões apresentaram queda no volume produzido. No Nordeste, a retração foi de 8,07%. O recuo foi menor que o registrado no Sudeste, que teve queda de 9,36%, e no Sul, com redução de 8,90%. A maior retração relativa ocorreu no Norte, com baixa de 16,92%.
Bahia e Ceará lideram registros no Nordeste
Entre os estados nordestinos, Bahia e Ceará concentram o maior número de cervejarias registradas. A Bahia aparece com 29 estabelecimentos, seguida pelo Ceará, com 25. Na sequência estão Pernambuco, com 17, Rio Grande do Norte, com 16, Maranhão, com 15, Paraíba, com 11, Alagoas, com 7, Sergipe, com 5, e Piauí, também com 5.
Em produtos registrados, o anuário mostra que o Brasil chegou a 44.212 cervejas registradas em 2025, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior. No Nordeste, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte aparecem entre os principais mercados regionais em quantidade de registros.
Alagoas aparece no anuário com 7 cervejarias registradas em 2025. O estado também teve redução no número de produtos registrados, com 161 cervejas e queda de 25 registros em comparação com o ano anterior.
No emprego formal, porém, o movimento foi positivo. O estado registrou 40 postos formais no setor cervejeiro e crescimento de 8,11%, uma das maiores altas relativas do país. No Nordeste, o setor somava 6.873 empregos formais, o equivalente a 16,61% do estoque nacional, apesar da retração regional de 3,67%.
Pernambuco e Bahia concentram os maiores estoques de emprego do setor na região. Pernambuco aparece com 2.288 postos formais, enquanto a Bahia tinha 2.234. Os dados reforçam o peso do Nordeste não apenas como mercado consumidor, mas também como polo de produção e geração de empregos na cadeia cervejeira.
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