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Leilão inédito coloca à venda ativos minerais do Grupo João Santos em PE

Dez lotes com 169,6 milhões de toneladas em gipsita, calcário, traquito e granito são ofertados em Pernambuco no âmbito da recuperação judicial do Grupo João Santos
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  1. Leilão inclui 169,6 milhões de toneladas de gipsita, calcário, traquito e granito em seis municípios pernambucanos.
  2. Lance mínimo para arrematação integral dos ativos é R$ 69.789.479,02, com possibilidade de compra individual dos lotes.
  3. Maiores reservas são granito com 110 milhões de toneladas e calcário com 29,3 milhões de toneladas medidas.
  4. Oitenta por cento da arrecadação destinam-se à recuperação judicial do Grupo João Santos, iniciada em dezembro de 2022.
  5. Ativos estratégicos situam-se próximos à Ferrovia Transnordestina e Porto de Suape, facilitando escoamento de produção mineral.
Extração de gipsita polo do Araripe venda ativos João Santos
Extração de gipsita no sertão do Araripe, em Pernambuco. Grupo João Santos possui reservas deste mineral nas cidades de Ipubi e Ouricuri que estarão disponíveis em leilão. Foto: Reprodução

Cerca de 169,6 milhões de toneladas em dez reservas lavráveis de gipsita, calcário, traquito e granito distribuídas nos municípios pernambucanos de Ouricuri, Ipubi, Goiana, Itaquitinga, Ipojuca e Jaboatão dos Guararapes estão disponíveis para arrematação em leilão previsto para o dia 18 de junho, às 15h. O lance mínimo para aquisição integral é de R$ 69.789.479,02, com possibilidade de compra individual. A área total soma 1.168 hectares, equivalente a cerca de 16.380 campos de futebol oficiais, e está titulada pela CBE, empresa do Grupo João Santos. O maior lote é de granito, situado no Engenho Comportas de Cima, em Jaboatão dos Guararapes, com 48,79 hectares e 44,6 milhões de toneladas em reservas medidas.

Os dois lotes de gipsita (Ipubi e Ouricuri) somam 7,2 milhões de toneladas em reservas medidas, com pureza entre 88% e 98%, em município que integra o Polo do Araripe, responsável por 97% da produção nacional do mineral e 4º maior polo produtor mundial. Os dois lotes de calcário (Goiana) totalizam 29,3 milhões de toneladas em reservas medidas, com acesso ao Porto de Suape, em região onde o setor cimenteiro cresceu 7,2% no Nordeste em 2025.

O lote de traquito (Ipojuca) contam com 23 milhões de toneladas de rocha vulcânica de alta resistência. Os cinco lotes de granito (Jaboatão dos Guararapes e Itaquitinga), com cerca de 110 milhões de toneladas em reservas medidas, incluem variedades ornamentais para exportação, segmento que cresceu 15,8% em 2025. Boa parte dos ativos minerais está na área de influência da Ferrovia Transnordestina, cujas obras somam R$ 13,2 bilhões em investimentos.

Recursos para pagamento de dívidas

Em 2026, uma jazida de calcário do Grupo João Santos em Ribeirão Grande (SP) foi vendida à Votorantim Cimentos por R$ 250 milhões. O leilão dos ativos minerários pernambucanos segue a mesma estratégia. Do produto arrecadado, 80% serão destinados à recuperação judicial e 20% à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), no âmbito da transação tributária.

Os ativos pernambucanos integram o processo de alienação patrimonial da recuperação judicial do Grupo João Santos, fundado por João Pereira dos Santos, nascido em Serra Talhada, que em 1951 criou a Fábrica de Cimento Nassau, na época a maior unidade do ramo instalada no Nordeste.

Com a morte do fundador, em 2009, aos 101 anos, disputas entre herdeiros e uma dívida que chegou a R$ 13 bilhões levaram o conglomerado à recuperação judicial, deferida em dezembro de 2022. O plano de reestruturação foi homologado pela Justiça e validado pelo STJ em junho de 2025.

O processo é conduzido pelo leiloeiro oficial Renato Gracie, da Gracie Leilões, com supervisão técnica da administradora judicial Natália Pimentel Lopes, da LRF Líderes em Recuperação Judicial e Falência, escritório especializado em reestruturação empresarial com sede no Recife, responsável pela administração judicial do processo do Grupo João Santos junto à 15ª Vara Cível da Capital. Os lances serão realizados exclusivamente pela internet, no site www.gracieleiloes.com.br.

Concessões já aprovadas reduzem risco do investidor

Um diferencial dos 10 lotes em Pernambuco é o estágio avançado das autorizações junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). Quatro chegam ao mercado com Portaria de Lavra ativa — os dois lotes de calcário em Goiana e o lote de traquito em Ipojuca — e seis com Relatório Final de Pesquisa aprovado. O processo regular para obter essas concessões leva de cinco a dez anos. Todos os lotes acompanham laudos técnicos e plano de negócios com projeções de retorno e custos operacionais.

“São ativos que raramente chegam ao público, as grandes mineradoras costumam absorvê-los antes. Desta vez, qualquer cidadão ou empresa pode disputar. O comprador entra com anos de burocracia já vencidos, em um mercado bilionário que raramente se abre”, afirmou o leiloeiro Renato Gracie.

O pagamento poderá ser feito à vista ou com sinal de 25% e saldo parcelado em até 12 vezes, corrigido pela Tabela ENCOGE (IPCA-E), que acumulou cerca de 4% ao ano em 2025. Incide comissão de 5% sobre o valor da arrematação, paga diretamente ao leiloeiro. A 1ª praça encerra em 18 de junho de 2026, às 15h. A 2ª praça abre na mesma data e encerra em 25 de junho de 2026, às 15h.

Recuperação judicial e acordo bilionário com a União

A recuperação judicial do Grupo João Santos foi deferida em dezembro de 2022, após mudança na gestão do grupo em agosto daquele ano. Em agosto de 2023, o grupo firmou com a PGFN o maior acordo de transação tributária da história do Brasil: uma dívida original de cerca de R$ 11 bilhões foi reduzida para aproximadamente R$ 4 bilhões, após descontos sobre juros, multas e encargos. A PGFN informou que as parcelas do acordo estão pagas até dezembro de 2026.

Em junho de 2025, o STJ decidiu, por maioria, pela continuidade do processo e pela manutenção da gestão atual, rejeitando o pedido de retorno do empresário Fernando Santos ao comando do grupo. O grupo chegou a ser o segundo maior grupo cimenteiro do Brasil, com faturamento de cerca de R$ 3 bilhões ao ano e produção de 6,4 milhões de toneladas de cimento, operando 11 fábricas em todo o país e atuando também nos setores sucroalcooleiro, de comunicação, celulose e mineração.

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