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Lula defende soberania após decisão dos EUA sobre facções: “Não somos moleques”

Em Sergipe, Lula reagiu à designação norte-americana do PCC e CV como terroristas e cobrou extradição de foragidos brasileiros que vivem nos Estados Unidos
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~3:28
  1. Lula rejeita classificação americana de PCC e CV como organizações terroristas, defendendo soberania nacional brasileira.
  2. Presidente afirma que Brasil combaterá crime organizado internamente, conforme legislação própria, sem interferência externa.
  3. Governo cobra extradição de foragidos brasileiros nos EUA, citando Alexandre Ramagem e Ricardo Magro como exemplos.
  4. Lula critica senador Flávio Bolsonaro por reuniões em Washington solicitando intervenção norte-americana nos assuntos domésticos brasileiros.
  5. Planalto alerta que decisões unilaterais podem prejudicar cooperação policial e afetar sistema financeiro como o PIX.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras - SE
Segundo Lula, são os brasileiros que definem como o crime é classificado e combatido dentro do território do país, com suas instituições, leis e forças de segurança. Foto: Ricardo Stuckert/PR

“Não aceitamos ser tratados como moleques”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (29), em evento em Sergipe, ao rejeitar a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Foi a primeira reação pública de Lula ao anúncio feito na quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio.

O presidente defendeu a soberania nacional e afirmou que o Brasil não é “uma republiqueta”. Em evento de anúncios de investimentos da Petrobras em Sergipe, disse estar “muito decepcionado” com a decisão norte-americana e garantiu que o combate às facções será conduzido internamente, com base na legislação brasileira.

Em resposta direta, Lula cobrou dos EUA a extradição de foragidos brasileiros residentes em território norte-americano. Citou nominalmente o ex-deputado Alexandre Ramagem — condenado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado e residente nos EUA enquanto aguarda processo de asilo — e o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, apontado pela Polícia Federal como um dos maiores devedores tributários do país e foragido em Miami. “Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele”, disse o presidente.

Lula também apontou o estado norte-americano de Delaware como paraíso fiscal utilizado por criminosos brasileiros para lavar recursos e reintroduzi-los no país, com base em monitoramento da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério da Fazenda. “Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos“, afirmou.

O presidente criticou ainda a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se reuniu com Trump na terça-feira (26) e com Rubio na quarta-feira (27). “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção norte-americana no Brasil“, disse Lula.

Nota do Planalto

O Palácio do Planalto divulgou nota antes do discurso presidencial, na qual afirma que medidas unilaterais não negociadas “podem enfraquecer o combate aos criminosos”, “reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias” e “afetar o sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX“.

Íntegra da nota oficial:

“O governo brasileiro reforça as ações que vem tomando no combate ao crime organizado. É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram com o tarifaço.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

Leia mais: EUA isolam Brasil e dão selo de terroristas às facções PCC e CV

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