
A avicultura nordestina atravessa um processo de transformação estrutural impulsionado pelo acesso a linhas de crédito voltadas à sustentabilidade. O setor, que exige atualização constante para manter a competitividade, encontra no Banco do Nordeste (BNB) o suporte financeiro para converter granjas tradicionais em unidades de alta tecnologia. O foco não é apenas o aumento da produção, mas a eficiência no uso de recursos naturais e a redução do impacto ambiental.
Por meio do FNE Inovação, linha de crédito que apoia projetos de modernização, automação e desenvolvimento de novos produtos, o banco tem promovido o que especialistas chamam de revolução no campo. A linha incentiva a incorporação de tecnologias que visam ganhos de produtividade e eficiência de custos.
Segundo Neydson Moura, gerente executivo estadual do BNB em Pernambuco, a mudança é prática. “Os clientes que exploram a atividade na forma tradicional, podem transformar os seus galpões, adquirindo um conjunto de equipamentos que vão gerar mais eficiência e reduzir os impactos ambientais”, afirma o gerente.
Tecnologia a serviço do bem-estar animal
A automação de processos como alimentação, climatização e controle de ambiência é um dos pilares desse novo modelo. Sistemas de pressão negativa, exaustores e painéis de controle garantem que as aves vivam em condições ideais de temperatura e umidade.
Esse conforto térmico é decisivo para a saúde do plantel e para a qualidade final da carne que chega à mesa do consumidor. Neydson Moura explica que o financiamento desses equipamentos contribui diretamente para a redução da mortalidade das aves.
“A instalação desses tipos de equipamentos proporcionam melhor eficiência no controle da ambiência interna do aviário, proporcionando melhor conforto térmico, fator importante para a redução da mortalidade das aves e aumento da qualidade dos produtos”, destaca o executivo do BNB.
Eficiência hídrica e gestão de resíduos
A sustentabilidade na avicultura moderna também passa pela gestão rigorosa da água. Os novos projetos financiados pelo BNB já preveem a captação de água da chuva de forma estruturada.
“Os aviários atualmente têm sido construídos com o objetivo de captação da água da chuva, onde a calçada é construída com uma inclinação suficiente para a água que cai do telhado ser enviada para uma cisterna”, detalha Neydson Moura.
Nos projetos, o banco também inclui o financiamento para a construção de composteiras. A modernização permitiu um controle rigoroso da chamada “cama de frango”. Com a umidade controlada, o subproduto se torna um fertilizante orgânico de alto valor.
O avicultor Hélio Calado, que atua na cidade de Jupi, no Agreste pernambucano, já colhe os frutos dessa prática. “A modernização do aviário melhorou a qualidade da cama do frango, já que se tem um controle da temperatura e umidade, e é feito a compostagem da cama do frango após a retirada das aves”, relata o produtor.
Transição energética e autossuficiência
Um dos maiores gargalos financeiros da atividade é o custo da eletricidade. Na avicultura de corte, a energia pode representar 20% dos custos totais de produção. Para enfrentar esse desafio, o Banco do Nordeste oferece o FNE Sol.
“É uma linha de crédito para produtores rurais produzirem sua própria energia a partir de fontes renováveis, unindo sustentabilidade ambiental com redução de custos”, explica Neydson Moura.

O impacto no caixa é imediato e viabiliza a operação, especialmente em sistemas que exigem ventilação constante. Segundo o avicultor Hélio Calado, “a instalação de sistema fotovoltaico foi feito devido o alto consumo de energia na atividade de avicultura, já que a cada dia com a evolução da genética e nutrição as aves precisam de uma melhor ambiência”.
Ele ressalta ainda que o uso dessa tecnologia “torna a atividade inviável” caso o produtor não possua geração própria atualmente.
Resultados práticos no aumento da produtividade
O acesso ao crédito permitiu que Helio Calado saltasse de um plantel de 70 mil para 80 mil aves em sua propriedade de 12 hectares. A adequação tecnológica transformou a rentabilidade do negócio de forma direta.
“Com o financiamento do BNB para adequação dos aviários pressão positiva para pressão negativa, eu tornei os aviários muito mais rentáveis, já que ao invés de alojar 11 aves por m² passei a alojar 14 aves por m²”, comemora o avicultor.
Essa verticalização da produção é acompanhada pela queda no desperdício de insumos. Calado observa que “houve uma redução de recursos críticos, já que com esse tipo de aviário pressão negativa tende a ter uma melhor conversão alimentar, tendo assim um menor consumo de água e ração por kg de carne”. É a prova de que a sustentabilidade ambiental caminha de mãos dadas com a margem de lucro.
Prazos e carências para o investimento
Para evitar que o avicultor tema o endividamento, o BNB estruturou prazos que respeitam o tempo de retorno da tecnologia. No FNE Inovação, o produtor “pode ter até 15 anos com até 5 anos de carência, para Investimentos Fixos e misto”, informa Neydson Moura. Já para projetos de energia solar, o prazo é ainda mais elástico, chegando a “até 24 anos com 12 meses de carência”.
O acesso ao crédito exige que o produtor esteja em dia com as normas socioambientais. O gerente Neydson Moura esclarece que o banco atua também na regularização.
“Se o cliente apresentar algum alerta, como desmatamento de reserva florestal, o cliente pode acessar crédito em um programa específico para recuperar a área desmatada”, acrescenta. Para iniciar, o produtor precisa de cadastro no banco e assessoria de um projetista para apresentar o plano de receitas.
Conquista de novos mercados e exportação
A conformidade com exigências socioambientais coloca a avicultura do Nordeste em um novo patamar de mercado. A modernização dos galpões minimiza impactos de vizinhança e abre portas para o comércio exterior.
“Acredito que tem que ser cumprida todas as exigências socioambientais no exercício da atividade de avicultura de corte, para que a mesma tenha destaque internacional, abrindo cada dia mais barreiras das exportações”, defende o avicultor Hélio Calado.
O ciclo de sustentabilidade, aponta o produtor, se fecha quando a tecnologia garante o bem-estar do animal desde o nascimento. Calado conclui reforçando que, na avicultura moderna, o cuidado ambiental é indissociável do manejo.
“As aves são criadas desde o primeiro dia de vida com a temperatura e umidade ideal para o bom desenvolvimento dela”, finaliza.
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