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Avicultura sustentável: crédito do BNB impulsiona tecnologia e lucro no campo

​Linhas de financiamento focadas em inovação e energia solar permitem que produtores modernizem galpões, reduzam desperdícios e aumentem a produtividade
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  1. Setor avícola do Nordeste moderniza com crédito do BNB para sustentabilidade e eficiência produtiva
  2. Tecnologia de automação em aviários reduz mortalidade de aves e melhora qualidade da carne produzida
  3. FNE Inovação financia equipamentos de climatização, alimentação automatizada e controle de ambiência nos galpões
  4. Sistema de captação de chuva e composteiras integram projetos financiados para gestão hídrica sustentável
  5. Avicultor em Pernambuco aumenta produção e qualidade da cama de frango com modernização tecnológica
Aviário em Jupi-PE
Em Jupi, no Agreste de Pernambuco, o acesso ao crédito permitiu que o avicultor Helio Calado saltasse de um plantel de 70 mil para 80 mil aves em sua propriedade de 12 hectares. Foto: arquivo pessoal

​A avicultura nordestina atravessa um processo de transformação estrutural impulsionado pelo acesso a linhas de crédito voltadas à sustentabilidade. O setor, que exige atualização constante para manter a competitividade, encontra no Banco do Nordeste (BNB) o suporte financeiro para converter granjas tradicionais em unidades de alta tecnologia. O foco não é apenas o aumento da produção, mas a eficiência no uso de recursos naturais e a redução do impacto ambiental.

​Por meio do FNE Inovação, linha de crédito que apoia projetos de modernização, automação e desenvolvimento de novos produtos, o banco tem promovido o que especialistas chamam de revolução no campo. A linha incentiva a incorporação de tecnologias que visam ganhos de produtividade e eficiência de custos.

Segundo Neydson Moura, gerente executivo estadual do BNB em Pernambuco, a mudança é prática. “Os clientes que exploram a atividade na forma tradicional, podem transformar os seus galpões, adquirindo um conjunto de equipamentos que vão gerar mais eficiência e reduzir os impactos ambientais”, afirma o gerente.

Tecnologia a serviço do bem-estar animal

A automação de processos como alimentação, climatização e controle de ambiência é um dos pilares desse novo modelo. Sistemas de pressão negativa, exaustores e painéis de controle garantem que as aves vivam em condições ideais de temperatura e umidade.

Esse conforto térmico é decisivo para a saúde do plantel e para a qualidade final da carne que chega à mesa do consumidor. ​Neydson Moura explica que o financiamento desses equipamentos contribui diretamente para a redução da mortalidade das aves.

“A instalação desses tipos de equipamentos proporcionam melhor eficiência no controle da ambiência interna do aviário, proporcionando melhor conforto térmico, fator importante para a redução da mortalidade das aves e aumento da qualidade dos produtos”, destaca o executivo do BNB.

​Eficiência hídrica e gestão de resíduos

A sustentabilidade na avicultura moderna também passa pela gestão rigorosa da água. Os novos projetos financiados pelo BNB já preveem a captação de água da chuva de forma estruturada.

“Os aviários atualmente têm sido construídos com o objetivo de captação da água da chuva, onde a calçada é construída com uma inclinação suficiente para a água que cai do telhado ser enviada para uma cisterna”, detalha Neydson Moura.

Nos projetos, o banco também inclui o financiamento para a construção de composteiras. ​A modernização permitiu um controle rigoroso da chamada “cama de frango”. Com a umidade controlada, o subproduto se torna um fertilizante orgânico de alto valor.

O avicultor Hélio Calado, que atua na cidade de Jupi, no Agreste pernambucano, já colhe os frutos dessa prática. “A modernização do aviário melhorou a qualidade da cama do frango, já que se tem um controle da temperatura e umidade, e é feito a compostagem da cama do frango após a retirada das aves”, relata o produtor.

Transição energética e autossuficiência

Um dos maiores gargalos financeiros da atividade é o custo da eletricidade. Na avicultura de corte, a energia pode representar 20% dos custos totais de produção. Para enfrentar esse desafio, o Banco do Nordeste oferece o FNE Sol.

“É uma linha de crédito para produtores rurais produzirem sua própria energia a partir de fontes renováveis, unindo sustentabilidade ambiental com redução de custos”, explica Neydson Moura.

Aviário em Jupi-PE
De acordo com o produtor, o crédito do BNB foi determinante para que as aves sejam criadas desde o primeiro dia de vida com a temperatura e umidade ideal para o bom desenvolvimento. Foto: arquivo pessoal

​O impacto no caixa é imediato e viabiliza a operação, especialmente em sistemas que exigem ventilação constante. Segundo o avicultor Hélio Calado, “a instalação de sistema fotovoltaico foi feito devido o alto consumo de energia na atividade de avicultura, já que a cada dia com a evolução da genética e nutrição as aves precisam de uma melhor ambiência”.

Ele ressalta ainda que o uso dessa tecnologia “torna a atividade inviável” caso o produtor não possua geração própria atualmente.

Resultados práticos no aumento da produtividade

O acesso ao crédito permitiu que Helio Calado saltasse de um plantel de 70 mil para 80 mil aves em sua propriedade de 12 hectares. A adequação tecnológica transformou a rentabilidade do negócio de forma direta.

“Com o financiamento do BNB para adequação dos aviários pressão positiva para pressão negativa, eu tornei os aviários muito mais rentáveis, já que ao invés de alojar 11 aves por m² passei a alojar 14 aves por m²”, comemora o avicultor.

​Essa verticalização da produção é acompanhada pela queda no desperdício de insumos. Calado observa que “houve uma redução de recursos críticos, já que com esse tipo de aviário pressão negativa tende a ter uma melhor conversão alimentar, tendo assim um menor consumo de água e ração por kg de carne”. É a prova de que a sustentabilidade ambiental caminha de mãos dadas com a margem de lucro.

Prazos e carências para o investimento

Para evitar que o avicultor tema o endividamento, o BNB estruturou prazos que respeitam o tempo de retorno da tecnologia. No FNE Inovação, o produtor “pode ter até 15 anos com até 5 anos de carência, para Investimentos Fixos e misto”, informa Neydson Moura. Já para projetos de energia solar, o prazo é ainda mais elástico, chegando a “até 24 anos com 12 meses de carência”.

​O acesso ao crédito exige que o produtor esteja em dia com as normas socioambientais. O gerente Neydson Moura esclarece que o banco atua também na regularização.

“Se o cliente apresentar algum alerta, como desmatamento de reserva florestal, o cliente pode acessar crédito em um programa específico para recuperar a área desmatada”, acrescenta. Para iniciar, o produtor precisa de cadastro no banco e assessoria de um projetista para apresentar o plano de receitas.

Conquista de novos mercados e exportação

A conformidade com exigências socioambientais coloca a avicultura do Nordeste em um novo patamar de mercado. A modernização dos galpões minimiza impactos de vizinhança e abre portas para o comércio exterior.

“Acredito que tem que ser cumprida todas as exigências socioambientais no exercício da atividade de avicultura de corte, para que a mesma tenha destaque internacional, abrindo cada dia mais barreiras das exportações”, defende o avicultor Hélio Calado.

​O ciclo de sustentabilidade, aponta o produtor, se fecha quando a tecnologia garante o bem-estar do animal desde o nascimento. Calado conclui reforçando que, na avicultura moderna, o cuidado ambiental é indissociável do manejo.

“As aves são criadas desde o primeiro dia de vida com a temperatura e umidade ideal para o bom desenvolvimento dela”, finaliza.

Leia também: União e GDF fecham acordo para viabilizar empréstimo ao BRB

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