
Resíduos de pescado como cabeça, pele, ossos, escamas e bexiga natatória passarão a ser transformados em colágeno, hidroxiapatita e óleos de alto valor agregado no Maranhão. A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) inaugurou na quinta-feira (28) a Unidade de Manufatura Contratada de Pescado e Bioinsumos, instalada na Cidade Universitária Dom Delgado, em São Luís, com investimento de R$ 4 milhões do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), sendo R$ 1 milhão repassado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) via Termo de Execução Descentralizada.
A unidade integra o projeto “Desenvolvimento de Unidade Piloto de Produção e Certificação de Bioativos da Amazônia Maranhense” e tem como foco o aproveitamento integral dos subprodutos da cadeia pesqueira. Segundo a UFMA, até 70% do pescado processado transforma-se em resíduos com potencial de reaproveitamento industrial, com aplicações nas indústrias farmacêutica, cosmética, biomédica e alimentícia. Os bioativos extraídos — colágeno, ácido hialurônico, hidroxiapatita e óleos ricos em ácidos graxos essenciais — têm aplicações nas indústrias farmacêutica, cosmética, biomédica e alimentícia.
No mesmo evento, a universidade inaugurou o Open Lab de Biotecnologia, laboratório aberto para pesquisadores, estudantes, empresas e instituições parceiras, com acesso a equipamentos modernos e suporte técnico especializado em bioativos, bioprocessos e bioeconomia.
Projeto Caranguejo de Araioses da UFMA
Durante a visita ministerial, foi apresentado o Projeto Caranguejo de Araioses, coordenado pela pesquisadora Priscila Bernardes. A iniciativa é desenvolvida pela UFMA em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (Sedes) e busca fortalecer a cadeia produtiva do caranguejo no município de Araioses.
“O Ministério da Pesca, com o investimento, permitiu que nós levássemos os pesquisadores para trabalhar junto com a cooperativa. Então, foi feito primeiro esse reconhecimento, esse diagnóstico”, explicou a coordenadora.
Equipes multidisciplinares compostas por economistas, nutricionistas, contadores e advogados atuaram junto à cooperativa local para promover capacitação, organização da cadeia produtiva e autonomia na gestão. “Então nós desenvolvemos sites, uma cartilha, material de Procedimento Operacional Padrão (POPs) e manual de boas práticas, além do software que vai dar essa autonomia pra eles, de forma intuitiva conseguir gerir a cooperativa”, destacou Priscila Bernardes.

Setor pesqueiro no Maranhão
A cerimônia contou com a presença do ministro Edipo Araújo. Segundo o ministro, desde a recriação do Ministério da Pesca e Aquicultura, em 2023, mais de R$ 243 milhões foram destinados à ciência e pesquisa no país. Somente no Maranhão, mais de R$ 20 milhões foram direcionados a instituições de ensino superior. O estado reúne cerca de 340 mil pescadores e pescadoras — 58% mulheres — e produz aproximadamente 50 mil toneladas de pescado por ano, ocupando a sexta posição nacional em produção aquícola.
O aproveitamento da bexiga natatória — subproduto popularmente conhecido como “grude” — é um dos focos da unidade. Dados do ComexStat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro, indicam que, em 2020, o Brasil exportou cerca de 637 toneladas do produto, com receita estimada em R$ 2,13 bilhões. A demanda se concentra no mercado asiático, especialmente China e Hong Kong, para aplicações gastronômicas e na medicina tradicional.
*Com informações da UFMA e da Codevasf
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