
O governo do Irã oficializou, nesta segunda-feira (18), a criação de um organismo específico para administrar o Estreito de Ormuz. A Autoridade dos Estreitos do Golfo Pérsico (PGSA) passa a ser o braço oficial do país na gestão da via navegável mais estratégica para o mercado global de combustíveis, consolidando um controle que Teerã exerce desde o início das hostilidades no Oriente Médio.
O anúncio foi confirmado por meio de canais oficiais do Conselho Supremo de Segurança Nacional e pela Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica. A partir de agora, a agência utilizará plataformas digitais para fornecer atualizações em tempo real sobre as operações no estreito, funcionando como um centro de inteligência e controle portuário em mar aberto.
A nova agência nasce com poderes amplos sobre a navegação internacional. De acordo com informações da publicação especializada Lloyd’s List, a PGSA será o órgão responsável por aprovar a passagem de embarcações e, de forma inédita, realizar a cobrança de taxas de trânsito. A medida altera drasticamente o custo logístico da região.
Novas regras para a navegação global
Para transitar pela região, os navios agora são obrigados a submeter relatórios detalhados às autoridades iranianas. O protocolo exige informações minuciosas sobre os proprietários das embarcações, as apólices de seguro vigentes, a lista completa de tripulantes e a descrição exata da rota de trânsito pretendida.
Na visão de veículos de comunicação estatais do Irã, como a Press TV, o sistema foi projetado para exercer a soberania plena do país sobre as suas águas. O mecanismo é descrito por lideranças locais como um avanço profissional na gestão de tráfego, visando modernizar a fiscalização em um ponto de estrangulamento geográfico vital.
O chefe da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional, Ebrahim Azizi, já havia sinalizado no último domingo (17) que o mecanismo estava pronto para entrar em operação imediata. Segundo o parlamentar, o país estabeleceu um fluxo de trabalho técnico que não deve ser revertido, mesmo com o fim das tensões militares.
O fim do fluxo livre de pré-guerra
Desde o final de fevereiro, quando se iniciou a ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, Teerã tem repetido que o tráfego comercial no Estreito de Ormuz não retornará ao modelo anterior. O governo iraniano afirma que a segurança da região agora depende de um reconhecimento formal de sua autoridade sobre as águas.
No mês passado, o país já havia registrado a entrada das primeiras receitas vindas das taxas cobradas de petroleiros e navios de carga. Como quase 20% da produção mundial de petróleo circula por aquele ponto, a vantagem estratégica de Teerã se tornou um dos principais trunfos econômicos e políticos na mesa de negociações.
Entenda o histórico do conflito entre EUA e Irã
A tensão entre Washington e Teerã possui raízes profundas, mas a fase atual de conflito direto foi deflagrada em 28 de fevereiro de 2026. Naquela data, uma ofensiva aérea coordenada por forças americanas e israelenses atingiu alvos estratégicos em solo iraniano, marcando o fim de anos de uma “guerra fria” regional de baixa intensidade.
Historicamente, os dois países vivem em rota de colisão desde a Revolução Islâmica de 1979, alternando períodos de tentativas diplomáticas com sanções econômicas severas.
O uso do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão sempre foi a principal ameaça iraniana contra o que o país chama de imperialismo ocidental no Golfo Pérsico.
O impasse econômico e o cessar-fogo
A criação da PGSA ocorre em um momento de equilíbrio delicado. Um frágil cessar-fogo entrou em vigor no dia 8 de abril, mas a trégua militar não significou um alívio econômico. Enquanto o Irã taxa os navios no estreito, os Estados Unidos mantêm um bloqueio rigoroso aos portos iranianos, impedindo a exportação normal de produtos do país.
Esse cenário de bloqueios mútuos tem mantido os preços internacionais do petróleo em patamares elevados. Analistas do setor indicam que a formalização da agência de gestão é uma tentativa do Irã de transformar uma medida de guerra em uma política de Estado permanente, forçando o mundo a aceitar o novo “pedágio” do Golfo.
A comunidade internacional observa com preocupação a possibilidade de que as exigências de informações sobre seguros e tripulantes sejam usadas para filtrar e barrar navios de nações aliadas aos EUA.
Por enquanto, o funcionamento da PGSA representa um desafio direto à liberdade de navegação em águas internacionais, conforme defendido pelas potências ocidentais.
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