
O cenário eleitoral para a sucessão presidencial de 2026 ganhou um novo componente de peso. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, oficializou sua filiação ao partido Democracia Cristã (DC). A movimentação coloca o magistrado aposentado como o principal nome da legenda para a disputa pelo Palácio do Planalto, alterando as estratégias traçadas pela sigla até o momento.
A decisão do partido de apostar em Barbosa ocorre após a pré-candidatura anterior, liderada pelo ex-ministro Aldo Rebelo, não apresentar o crescimento esperado nas pesquisas de intenção de voto.
Diante desse quadro, a cúpula do DC, sob o comando do ex-deputado federal João Caldas, identificou a necessidade de uma mudança de rumo para aumentar a competitividade do grupo no pleito nacional.
Joaquim Barbosa é uma figura conhecida do eleitorado brasileiro por sua atuação no STF entre os anos de 2003 e 2014. Ele optou por uma aposentadoria antecipada em julho de 2014, deixando o tribunal dez anos e dois meses antes do limite permitido por lei. Caso tivesse permanecido na ativa, o ministro poderia exercer suas funções até 2029, quando completaria 75 anos.
O retorno de um nome cotado em 2018
Esta não é a primeira vez que o nome de Barbosa surge no tabuleiro presidencial. Em 2018, o ex-ministro chegou a ser fortemente cotado para a disputa pelo PSB, mas desistiu de concorrer antes da formalização do pleito.
Agora, a articulação política indica um desejo mais sólido de participação direta na política partidária, motivado por um grupo de amigos que procurou o DC em abril.
O presidente da legenda, João Caldas, defende que a filiação de Barbosa tem o objetivo claro de viabilizar sua candidatura. Segundo o dirigente, o Brasil enfrenta uma crise institucional entre os poderes e o ex-ministro seria a figura mais qualificada para atuar como um mediador capaz de resgatar o país desse cenário conflituoso.
Para embasar a troca de nomes, Caldas encomendou uma pesquisa interna que avaliou o potencial eleitoral do ex-presidente da Suprema Corte. Os dados coletados mostraram que Barbosa possui um teto de votos superior ao de Aldo Rebelo, além de atrair o interesse de outras siglas de menor porte que estariam dispostas a negociar alianças.
Crise interna e o impasse com Aldo Rebelo
A substituição, no entanto, gerou ruídos dentro do Democracia Cristã. O partido ofereceu a Aldo Rebelo a possibilidade de concorrer ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados, mas o ex-ministro da Defesa manifestou o desejo de manter sua candidatura à Presidência. A resistência de Rebelo causou irritação na executiva nacional da sigla.
Uma das alternativas analisadas para pacificar a legenda seria a formação de uma chapa “puro-sangue”, unindo Joaquim Barbosa e Aldo Rebelo. Essa configuração ganharia força caso o DC não consiga atrair outros partidos para uma coligação maior, mantendo os dois nomes de destaque na mesma estrutura de campanha.
O tabuleiro de 2026 e os adversários
A entrada de Joaquim Barbosa ocorre em um momento de consolidação de outras pré-candidaturas. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, buscará a reeleição focando na economia e em programas sociais. No campo da direita, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, aparece como o principal herdeiro do capital político bolsonarista.
Além desses nomes, outros políticos buscam viabilizar suas chapas no centro e na direita, como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A estratégia do DC com Barbosa é ocupar um espaço de alternativa técnica e de defesa do rigor institucional para atrair o eleitor indeciso.
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