
O Piauí produz em média 200 mil litros de leite por dia e consome cerca de 1,3 milhão de litros no mesmo período — déficit de 1,1 milhão de litros diários, segundo estimativa da Cooperativa de Produtores de Leite do Piauí (Coopileite). Para ampliar a produção local, o governo do estado vai expandir o Programa de Aquisição de Alimentos Leite (PAA Leite) de 49 para 75 municípios beneficiados com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). O investimento previsto para 2026 é de R$ 6,7 milhões, 139% acima dos R$ 2,8 milhões liberados em 2025. O programa é executado pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) do estado.
A expansão incorpora 26 novas cidades, concentradas nos territórios dos Vales do Guaribas e Itaim, no sul do estado — área que o governo piauiense projeta consolidar como nova bacia leiteira. O lançamento ocorreu na sexta-feira (17) em Paulistana, com a assinatura de convênio entre a SAF e a Coopileite para pasteurização, beneficiamento e distribuição do leite.
Pelo acordo, a cooperativa recolhe o produto junto aos produtores e repassa aos laticínios para processamento. O leite processado é encaminhado aos municípios, que distribuem às famílias atendidas pelos Centros de Referência em Assistência Social (Cras), com prioridade para gestantes, crianças de até cinco anos e idosos em municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Para viabilizar a logística da nova rota, o governo entregou à Coopileite dois veículos: um caminhão com baú refrigerado e outro com tanque isotérmico, destinados ao transporte entre produtores e laticínios parceiros. O preço de aquisição pelo PAA é de R$ 2,91 por litro, acima do valor praticado pelo mercado local.

Nova bacia leiteira no sul concentra aposta do governo estadual
A secretária da SAF, Rejane Tavares, afirmou que o programa até 2025 estava concentrado na região Norte do estado e que a expansão para o sul representa uma reorientação estrutural da política leiteira piauiense. “Antes, o PAA Leite era concentrado na região Norte, e, para ampliar o programa, investimos nessa nova rota. Temos potencial para consolidar uma das maiores bacias do estado e essa parceria, junto com os investimentos e os veículos, é fundamental”, disse a secretária.
O modelo prevê que a garantia de compra a preço fixo estimule investimentos dos produtores na ampliação do rebanho e na adoção de equipamentos como ordenha mecânica e tanques de resfriamento. Em Paulistana, a instalação de um tanque comunitário pela prefeitura, em parceria com o laticínio Vale do Leite, já integrou parte dos produtores locais à cadeia antes mesmo da chegada do PAA.
A agricultora Francimar Sousa, de Paulistana, tinha quatro vacas e vendia a produção de porta em porta, sem acesso a canais formais de comercialização. Com o tanque comunitário, passou a integrar a cadeia produtiva. “Estamos na expectativa do PAA Leite para melhorar nossa renda. Seguimos trabalhando para alcançar uma boa média de produção. Espero poder comprar mais vacas e investir em uma ordenha mecânica, porque, às vezes, o trabalho manual é difícil”, relatou.
*Com informações do Governo do Piauí
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