
A transição para os veículos elétricos já modifica o cenário para fornecedores e distribuidores no Brasil. E o segmento de manutenção não fica para trás, com potencial de movimentar R$ 5 bilhões no Brasil até 2030. Neste cenário, Pernambuco ficará com uma fatia de R$ 30 milhões anuais, segundo estudo do Porto Digital.
Esse mercado será impulsionado pela demanda por reparos especializados, peças eletrônicas e atualizações de sistemas embarcados após o prazo de garantia de fábrica — entre 3 e 5 anos – o que levará a maior parte da frota de veículos elétricos a buscar serviços fora da rede autorizada. O desafio será a oferta de mão de obra especializada.
Aumento da frota de veiculos no NE
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Nordeste respondeu por 14,2% dos emplacamentos nacionais em julho de 2025, consolidando uma trajetória de crescimento iniciada em 2024, quando registrou aumentos expressivos: Maceió (+192%), Fortaleza (+173%) e Recife (+134%).
Só o estado de Pernambuco somou 2.117 emplacamentos no primeiro semestre de 2025, consolidando-se como importante mercado regional. Entre as capitais do Nordeste, Salvador se destacou em agosto de 2025 com 1,2 mil unidades emplacadas, ocupando a quinta posição no ranking nacional, à frente de Recife e Fortaleza.
Da oficina mecânica à era digital
Enquanto os veículos a combustão exigem domínio da mecânica tradicional, os elétricos transformam o técnico em especialista digital. Em vez de pistões e virabrequins, surgem sistemas de gerenciamento de baterias (BMS), centrais eletrônicas (ECUs) e sensores inteligentes que requerem diagnósticos computadorizados, atualizações de software e manuseio seguro de alta voltagem.
“A transição energética da mobilidade é um caminho sem volta. Mas sem capital humano qualificado, o Brasil corre o risco de assistir à revolução elétrica de fora. Precisamos agir agora, com políticas de requalificação, fomento à formação técnica e apoio à inovação”, alerta Luiz Maia, professor de Economia e Finanças na UFRPE e pesquisador do Porto Digital, responsável pelo estudo.

Atentas à essa transformação, instituições como IFPE, SENAI e a Escola de Eletricistas da Neoenergia já oferecem cursos em eletroeletrônica automotiva, com cargas de até 1.500 horas e iniciativas de inclusão social. O problema está na efetividade: apenas um em cada cinco formandos sai plenamente capacitado para atender veículos elétricos sem complementação.
O estudo aponta caminhos para superar o gargalo: acelerar programas de requalificação interna, estreitar parcerias com escolas técnicas e investir em equipamentos de diagnóstico de ponta. O poder público deve financiar laboratórios modernos, regulamentar normas de segurança em alta tensão e estimular empregos verdes. Para os consumidores, o desafio é evitar improvisos e reparos inseguros que podem ser fatais em sistemas de alta voltagem.
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