
A produção brasileira de grãos na safra 2024/25 deve alcançar 345,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico. Os dados constam no 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (14/8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa um crescimento de 16% em relação ao ciclo 2023/24, o que equivale a um acréscimo de 47,7 milhões de toneladas.
No Nordeste, a produção estimada é de 30,9 milhões de toneladas, avanço de 10,9% sobre o ciclo 2023/24. A área cultivada cresceu 3,4%, alcançando 9,97 milhões de hectares. A produtividade média da região é de 3.106 kg/ha, superior à registrada na safra passada (2.895 kg/ha), ainda que abaixo da média nacional.
Três estados concentram 91% da produção nordestina: Maranhão, com 8,8 milhões de toneladas (+17,8%); Piauí, com 6,2 milhões (+7,5%); e Bahia, com 13,5 milhões de toneladas (+9,1%). Sergipe também apresentou crescimento relevante, com produção estimada em 1,14 milhão de toneladas, alta de 17,2%. Em Alagoas, o ganho de produtividade foi de 11,3%, apesar da redução de 9,6% na área cultivada.
Produção nacional é impulsionada por milho e soja
A produção total de milho, somadas as três safras, está estimada em 137 milhões de toneladas, um avanço de 18,6% em relação ao ciclo anterior. A segunda safra responde por 109,6 milhões de toneladas, com colheita já realizada em mais de 83% da área.
A soja também segue em trajetória de crescimento, com estimativa de 169,7 milhões de toneladas, alta de 14,8%. Esse desempenho decorre da ampliação da área cultivada — que subiu 3,2% e atingiu 47,6 milhões de hectares — e do uso ampliado de tecnologias no campo.
A área total plantada no país chegou a 81,9 milhões de hectares, aumento de 2,5% em relação à safra anterior. A produtividade média nacional saltou de 3.722 para 4.214 kg por hectare, impulsionando a estimativa recorde de produção.
Região semiárida enfrenta perdas com veranico, mas mantém estabilidade
Nos estados do semiárido — Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte —, a irregularidade das chuvas no início do ciclo afetou os rendimentos. Ainda assim, a produção permaneceu estável na Paraíba e no RN. No Ceará, a retração foi de 5,2%.
A cultura do feijão-caupi (macaçar), tradicional nas regiões semiáridas, permanece relevante, especialmente nos territórios com menor infraestrutura de irrigação. A expansão da área irrigada no sul do Piauí também sustentou produtividades elevadas na atual temporada. No Maranhão, produtores relataram desempenho técnico favorável nas lavouras de algodão, com melhorias na qualidade da fibra atribuídas ao uso de material genético mais avançado.
Algodão, arroz e trigo apresentam comportamento técnico distinto
Entre outras culturas acompanhadas, o arroz está estimado em 12,3 milhões de toneladas, crescimento de 16,5% em relação ao ciclo anterior, com destaque para a expansão da área no Rio Grande do Sul. A produção de algodão em pluma deve atingir 3,9 milhões de toneladas, incremento de 6,3% motivado principalmente pela ampliação da área semeada. O feijão apresentou retração de 3,5%, com produção total prevista em 3,1 milhões de toneladas. Já o trigo, mesmo com queda de 16,7% na área plantada, deve alcançar 7,8 milhões de toneladas, volume semelhante ao do ciclo anterior.
Matopiba segue como fronteira agrícola em consolidação
A tendência para os próximos ciclos é de continuidade na expansão da produção no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), com ganho de escala associado à adoção crescente de tecnologias agrícolas e investimentos em infraestrutura produtiva.
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