
O Nordeste registrou, em 2024, o maior crescimento proporcional no número de cervejarias do país, com alta de 16,4% em relação ao ano anterior. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a região também passou a ocupar a segunda colocação nacional em volume de produção, com mais de 3,29 bilhões de litros fabricados, ultrapassando o Sul. A produtividade média por cervejaria nordestina é a mais alta do Brasil
Apesar de contar com menos estabelecimentos que outras regiões, o Nordeste alcançou 142 cervejarias registradas em 2024, ante 122 no ano anterior. Com isso, passou a representar 7,3% do total nacional, superando o Norte (2,3%) e o Centro-Oeste (5,1%).
A alta na produção foi acompanhada por um ganho em eficiência. Cada cervejaria nordestina produziu, em média, 23,17 milhões de litros, desempenho superior à média do Sul, que possui 774 cervejarias com produtividade média de 3,03 milhões de litros por unidade.
Em 2023, o Nordeste detinha apenas 15,5% da produção nacional. Com os dados de 2024, houve um avanço de quase seis pontos percentuais, consolidando a trajetória de crescimento da região. A presença do Nordeste na indústria cervejeira brasileira cresceu em todas as frentes: número de cervejarias, produção total e produtividade média.
Bahia lidera o setor cervejeiro no Nordeste
A Bahia concentra o maior número de cervejarias e empregos diretos na região. O destaque baiano é impulsionado por Alagoinhas, cidade reconhecida pela excelente qualidade da água subterrânea, fator que atrai grandes fábricas e consolidou o município como um polo industrial cervejeiro.
Pernambuco aparece em segundo lugar, com forte presença na produção e participação de 5,60% no total de empregos do setor no país. Rio Grande do Norte, embora tenha registrado queda de 8,20% no número de trabalhadores, teve sua capital, Natal, incluída pela primeira vez na lista dos municípios com 10 ou mais cervejarias registradas, sendo o único novo representante do Nordeste nesse grupo.
Ceará e Maranhão mantiveram estabilidade no número de cervejarias registradas. O Ceará, no entanto, perdeu dois municípios com presença de estabelecimentos. Alagoas também apresentou leve crescimento, enquanto Piauí e Sergipe mantiveram os mesmos números de 2023, com duas e três cervejarias registradas, respectivamente. A Paraíba foi o único estado da região a apresentar redução no número de cervejarias, passando de oito para sete.
Salvador, mesmo sendo a capital mais populosa do Nordeste, continua tendo a menor densidade cervejeira do país: há uma única cervejaria registrada para mais de 2,5 milhões de habitantes.
Cerveja sem álcool ganha espaço no mercado nacional
As cervejas sem álcool ou desalcoolizadas — aquelas com teor alcoólico igual ou inferior a 0,5% — vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro. Em 2024, a produção desse tipo de bebida cresceu 536,9%, passando a representar 4,9% da produção nacional de cerveja. O avanço acompanha uma tendência de consumo mais equilibrado e consciente.
Além das versões sem álcool, o segmento inclui também as cervejas de baixo teor alcoólico (até 2%) e as convencionais, que podem chegar a 54% de graduação alcoólica, conforme a classificação técnica adotada pelo Mapa.
Sudeste concentra maior número de registros de produtos
São Paulo lidera em registros de cervejas, com 12.803 produtos cadastrados, além de manter a maior média por cervejaria: 30 registros por estabelecimento. A média brasileira é de 22,2. O Espírito Santo apresentou o maior crescimento absoluto no ano, com 213 novos registros, totalizando 1.434.
O Nordeste, apesar de sua relevância produtiva, ainda possui baixa participação na diversidade de rótulos registrados. Segundo o anuário, 92,4% dos registros de produtos estão nas regiões Sul e Sudeste, o que reforça a concentração das cervejas artesanais e industriais nos polos tradicionais do país.
O Anuário da Cerveja 2025 não detalha quais marcas estão por trás dos registros por estado. O levantamento contabiliza o número de marcas e produtos cadastrados, mas não apresenta lista com nomes comerciais ou foco em marcas regionais, o que impede uma análise mais específica sobre o desempenho de rótulos locais no Nordeste.
Potiguar entra no mapa e mercado segue concentrado
Natal (RN) foi a única nova entrada no grupo de cidades com 10 ou mais cervejarias registradas, reforçando a interiorização da atividade na região. A dispersão de cervejarias cresceu nacionalmente, com 790 municípios brasileiros possuindo ao menos um estabelecimento, mas o Nordeste ainda apresenta concentração em capitais e polos industriais.
Apesar do avanço no número de estabelecimentos, o setor cervejeiro nacional segue altamente concentrado. Apenas 1% das cervejarias são responsáveis por quase 50% de todo o volume produzido. Já 5% das unidades respondem por quase 99% da produção nacional, de acordo com a declaração anual obrigatória de estoques e produção ao Mapa.
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