
O Porto Digital vai iniciar mais um processo de expansão, desta vez com o plano de abrir um novo hub no município de Petrolina, no Sertão Pernambucano. Assim como em Caruaru, no Agreste, o espaço funcionará como incubadora para startups locais voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para o agronegócio do Vale do Rio São Francisco.
O local escolhido para abrigar o futuro hub será o antigo prédio do Museu Espaço Arte, Ciência e Cultura da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), situado às margens do Rio São Francisco, em um terreno de aproximadamente 2.500 metros quadrados.
De acordo com informações apuradas com exclusividade pelo Movimento Econômico, a contratação para o início dos projetos da edificação está prevista para este ano, seguida pelo início das obras, cuja conclusão é esperada para o começo do próximo ano.
As movimentações para o início dos trabalhos, inclusive, foram trazidas pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, durante evento de assinatura para o início das obras do Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital (NERD).
“Já temos um plano operacional em curso para garantir o Porto Digital em Petrolina. Vamos aditivar o contrato do Porto Digital e fizemos uma aliança com a Univasf”, disse durante discurso.
Pernambuco impulsiona inovação agrotech no Nordeste
Pernambuco se destaca no cenário de inovação agropecuária do Nordeste, com 23 startups agtechs em operação, segundo o Radar Agtech Brasil 2024, elaborado pela Embrapa em parceria com a SP Ventures e a Homo Ludens. O estado integra uma região que concentra 17,5% dos 451 ambientes de inovação dedicados ao agronegócio no país, entre hubs, aceleradoras, incubadoras e parques tecnológicos.
Esses ambientes têm papel estratégico para o setor, ao oferecer infraestrutura, apoio técnico e conexões que aceleram o desenvolvimento e a consolidação das soluções criadas pelas agtechs. Entre 2019 e 2024, o número de startups desse segmento no Nordeste cresceu de 39 para 116 — alta de 197% — elevando a participação regional de 3,5% para 5,9% do total nacional.
O relatório aponta que há espaço para ampliar estruturas de apoio, especialmente em áreas com baixa presença institucional. A criação de novos hubs e a integração com universidades e centros de pesquisa são citadas como estratégias promissoras para fortalecer o ecossistema.
O Radar também reforça a importância de políticas públicas voltadas à inovação no Nordeste, com foco em infraestrutura digital, qualificação de mão de obra e atração de investimentos, a fim de ampliar o número de startups e consolidar a região como um polo em ascensão na inovação agropecuária.
Porto Digital e Vale do São Francisco
O Vale do São Francisco é um dos principais polos do agronegócio brasileiro, especialmente na fruticultura irrigada, com destaque para a produção de uvas e mangas. Ele responde por 62% da produção nacional de uva de mesa (cerca de 207,7 mil toneladas) e 61% da produção nacional de manga (aproximadamente 963 mil toneladas).
Em 2024, os projetos de irrigação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) cultivaram cerca de 125 mil hectares, gerando uma produção de 4,42 milhões de toneladas de itens agrícolas e mais de R$ 8 bilhões em valor bruto de produção.
A tecnologia tem papel fundamental nessa atividade. São usadas técnicas avançadas de cultivo, melhoramento genético, controle fitossanitário, pulverização aérea com drones e alta precisão para controle de pragas e melhor manejo das culturas.
Dentro deste cenário, hubs de tecnologia como o Porto Digital podem fazer uma diferença significativa na região do Vale do São Francisco ao fortalecer o ecossistema de inovação local, incentivar o empreendedorismo e a capacitação tecnológica, e integrar tecnologias avançadas ao agronegócio predominante na região.
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