
Com mais de 320 mil unidades consumidoras de energia solar remota atendidas entre janeiro de 2024 e agosto de 2025 e uma potência instalada que já supera 1,2 gigawatt, os estados do Nordeste despontam como protagonistas nesta modalidade. Pernambuco e Bahia lideram esse movimento, respondendo juntos por mais de 60% de toda a potência instalada na região. Em meio a esse avanço, o modelo de energia solar por assinatura tem ganhado destaque como uma alternativa viável para popularizar o acesso à energia limpa, sem necessidade de obras ou instalações nos imóveis.
Conhecido comercialmente como energia solar por assinatura, o modelo permite que consumidores residenciais e comerciais utilizem energia gerada em usinas solares remotas. Em vez de instalar placas em seus imóveis, os clientes recebem créditos diretamente na conta de luz, proporcionais à energia gerada pela usina contratada. A adesão costuma ser digital e o consumidor não arca com investimentos iniciais nem com custos de manutenção.
Na prática, o modelo se baseia em modalidades já previstas na legislação, como a geração compartilhada ou o autoconsumo remoto, conforme estabelecido pela Lei 14.300/2022, que criou o marco legal da micro e minigeração distribuída.
Segundo explicou a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ao Movimento Econômico, essas modalidades permitem que a energia seja gerada em local diferente do consumo, com compensação em créditos na fatura do cliente, desde que usina e unidade consumidora estejam sob a mesma concessionária.
Empresas expandem negócios com alta de energia solar por assinatura
No Nordeste, a modalidade de autoconsumo remoto é a mais consolidada. Segundo dados da ANEEL, entre janeiro de 2024 e agosto de 2025, foram mais de 321 mil unidades consumidoras beneficiadas, com 1.263 megawatts de potência instalada. A Bahia lidera com 138 mil consumidores atendidos e mais de 467 MW em operação, seguida por Pernambuco, com 76 mil consumidores e 329 MW.
O Ceará e o Piauí aparecem na sequência, com 26,9 mil e 20,4 mil unidades consumidoras atendidas, respectivamente. Já Alagoas contabiliza 14.747 consumidores atendidos por autoconsumo remoto, com cerca de 64 MW em potência instalada.
Nesse modelo, a ampla maioria das unidades consumidoras atendidas pertence à classe residencial, que representa mais de 80% do total no Nordeste.
Já a geração compartilhada, principal base legal para o modelo por assinatura, ainda apresenta números mais modestos, com pouco mais de 3,2 mil unidades atendidas em toda a região, com 84 usinas ativas e potência instalada total de 21,6 MW.

A Bahia também lidera nessa modalidade, com 68 usinas em operação e 3.082 unidades consumidoras atendidas, seguida pelo Piauí, que possui 150 unidades consumidoras atendidas e 3,5 MW em potência. O Maranhão vem em seguida, com 13 unidades e aproximadamente 598 kW. Alagoas tem atualmente 4 unidades consumidoras com geração compartilhada ativa, totalizando 13 kW de potência instalada.
As principais classes de consumo atendidas são a comercial e a industrial, que concentram praticamente a totalidade das unidades beneficiadas.
Neste cenário em expansão, empresas como a Echoenergia, do Grupo Equatorial, têm apostado em expandir a energia solar por assinatura. Com cerca de 900 unidades consumidoras atendidas em Alagoas e mais de 5 mil no Nordeste, a empresa oferece planos que garantem economia imediata, sem instalação ou manutenção, para consumidores com gasto a partir de 300 kWh/mês.-+
“Nossa assinatura de energia solar está disponível tanto para empresas quanto residências. Essa é uma chance única para os consumidores acessarem energia renovável com economia e praticidade”, afirma João Caracas, gerente de Soluções Energéticas da Echoenergia.
Democratização do acesso e impacto regional
Para especialistas do setor, o modelo por assinatura representa um importante passo na democratização da energia solar. “Não há dúvida que a energia solar por assinatura, nome comercial da modalidade chamada geração compartilhada, é um excelente caminho para a democratização do acesso à energia renovável”, afirma Guilherme Susteras, coordenador da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).
Ele destaca que o modelo elimina barreiras comuns, como necessidade de obras ou de titularidade do imóvel, permitindo a adesão de inquilinos, moradores de apartamentos ou pequenos comércios.
Além disso, o modelo também gera impacto direto na economia local. “Como a energia gerada circula dentro do mesmo estado e sob a mesma concessionária, isso gera emprego e renda nas regiões onde as usinas estão instaladas”, completa Susteras.
Segundo dados da ABSOLAR, a geração distribuída como um todo no Brasil já movimentou mais de R$ 8,7 bilhões em investimentos, gerou cerca de 61,9 mil empregos e evitou a emissão de 2,7 bilhões de toneladas de CO₂.
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