
O processo de venda da Braskem segue indefinido, mesmo com a proposta apresentada pelo empresário Nelson Tanure à Novonor (antiga Odebrecht) para aquisição do controle da petroquímica por meio de um fundo de investimentos. A Braskem afirmou ao Movimento Econômico que desconhece negociações para a venda da planta instalada em Maceió. O fato chegou a ganhar destaque nacional e análises sobre possíveis impactos nos acordos firmados entre a empresa e o estado por conta dos danos causados pela atividade de extração de sal-gema.
A proposta de Tanure reacendeu as expectativas sobre a possível reestruturação acionária da Braskem, que enfrenta dificuldades financeiras e negociações travadas há sete anos. O empresário sugeriu que a Novonor permaneça como sócia minoritária, com até 5% das ações, e se comprometeu a manter o atual acordo de acionistas com a Petrobras, que detém 36,1% do capital total da empresa.
A movimentação, no entanto, depende do aval dos bancos credores da Novonor, como Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Santander e BNDES, que detêm ações dadas como garantia de dívidas, além da anuência da própria Petrobras.
Apesar das especulações, a Braskem negou qualquer negociação relacionada à venda da planta localizada na capital alagoana. Em nota, a empresa afirmou que “desconhece qualquer negociação referente à venda de sua unidade em Maceió” e reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento socioeconômico de Alagoas, mesmo diante de um cenário global de baixa competitividade para a indústria petroquímica.
Situada no bairro do Pontal da Barra, a planta da Braskem em Maceió produz resinas termoplásticas e produtos químicos para diversos segmentos, incluindo embalagens alimentícias, construção civil, industrial, automotivo, agronegócio, saúde e higiene. A produção é focada em resinas polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC), além de insumos químicos básicos como eteno, propeno, butadieno, benzeno, tolueno, cloro, soda e solventes.
Braskem estuda medidas de tamponamento das minas
Desde o encerramento da extração de sal-gema em Maceió, em maio de 2019, a Braskem afirma que vem cumprindo um plano de fechamento das cavidades, aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), com foco na estabilização do solo e na segurança da região afetada.
A companhia revelou que recebeu recentemente uma recomendação do instituto alemão Institut für Gebirgsmechanik (IfG), indicando que, a longo prazo, de anos a décadas, as cavidades atualmente pressurizadas devem ser preenchidas com material sólido. A medida, segundo o IfG, é preventiva e considerada necessária para permitir o encerramento definitivo da área no futuro.
A Braskem informou que ainda avalia a recomendação e que vem aprofundando os estudos técnicos para viabilizar o cronograma e as condições operacionais do possível tamponamento com material sólido.
Paralelamente, a empresa reforça que mantém uma das redes de monitoramento geotécnico mais modernas do país, com sensores que transmitem dados em tempo real sobre todas as 35 cavidades. As informações são compartilhadas com os órgãos competentes.

A Braskem informou que do total de cavidades, 12 já foram preenchidas, sendo seis por enchimento natural e seis com areia. Outras duas atingiram o limite técnico para recebimento de areia. Segundo o balanço mais recente da Braskem, cinco cavidades estão em fase de preenchimento, cinco em planejamento e outras 11 permanecem pressurizadas, sendo monitoradas por equipamentos de alta precisão.
A empresa destacou ainda que toda a areia usada no preenchimento é adquirida de fornecedores licenciados, e que os trabalhos seguem o cronograma estabelecido pelo plano de fechamento, documento público que é reavaliado periodicamente pela ANM.
Maceió sofre efeitos da extração de sal-gema
Maceió vem sofrendo os efeitos da extração de sal-gema, iniciada na década de 1970, e que ocasionou a desocupação de cinco bairros da cidade em virtude do afundamento do solo onde estão localizadas as minas de extração.
Em fevereiro de 2018, a capital alagoana sofreu com fortes chuvas e semanas depois um tremor de terra de 2.5 na escala Richter deu início às ocorrências de rachaduras em imóveis, afundamento de solo e diversos outros problemas.
A Estimativa do Serviço Geológico do Brasil é que o afundamento do solo em decorrência das atividades de extração de sal-gema realizados pela Braskem atingiu uma área correspondente a 5,5% de Maceió e ocorreu em regiões onde havia falhas geológicas, o que causou a instabilidade no solo e desencadeou tremores de terra, rachaduras em imóveis e surgimento de crateras nas ruas e residências.
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