
A decisão do governo dos Estados Unidos de publicar uma lista com 694 produtos brasileiros isentos da tarifa de 50% prevista em ordem executiva anunciada nesta terça-feira (30) trouxe um alívio pontual para parte do setor exportador. A análise da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), com base em dados oficiais da United States International Trade Commission (USITC) – agência federal independente que investiga questões relacionadas ao comércio internacional -, mostra que os produtos incluídos na exceção somaram US$ 18,4 bilhões em exportações em 2024 – o equivalente a 43,4% do total exportado pelo Brasil aos EUA naquele ano.
Apesar do impacto positivo para itens como petróleo bruto, celulose, ferro-gusa e aeronaves, que lideram a lista de exceções, setores estratégicos continuam sob pressão. Ou seja, mais da metade das exportações brasileiras ainda poderá ser impactada diretamente pelas novas tarifas, o que compromete a competitividade de diversos segmentos da indústria nacional.

A Amcham alertou que as restrições tarifárias, mesmo atenuadas, colocam em xeque cadeias globais de valor em que o Brasil tem participação relevante. A lista de produtos excluídos da cobrança abrange setores como combustíveis, aeronáutico, químico, mecânico e agrícola. No entanto, outras cadeias que não foram contempladas pela exceção continuarão expostas ao aumento dos custos.
Amcham defende diplomacia
A escalada tarifária ocorre em um momento de desaceleração global e de incertezas no comércio internacional. A decisão unilateral do governo norte-americano tem forte impacto sobre países emergentes. A medida reacende o debate sobre a necessidade de fortalecimento da diplomacia econômica brasileira e a ampliação de acordos comerciais com outros blocos.
Em sua nota oficial, a Amcham reiterou que divergências dessa natureza devem ser resolvidas por meio de canais diplomáticos, destacando a importância de preservar a relação histórica de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos. A entidade defende um diálogo construtivo em alto nível para mitigar os efeitos da ordem executiva e proteger os interesses brasileiros nas exportações de alto valor agregado.
O Brasil, que tradicionalmente mantém superávit comercial com os EUA, pode ver esse equilíbrio comprometido, sobretudo se as tarifas afetarem produtos de maior escala e margem. Para setores como o agroindustrial, químico e eletroeletrônico, que não foram contemplados com exceções significativas, os impactos podem se traduzir em retração de receitas e perda de mercados.
Embora a exceção concedida represente uma vitória parcial, especialistas alertam que ela não resolve o problema maior: a instabilidade nas regras do comércio exterior. Para o empresariado brasileiro, o episódio serve de alerta sobre a urgência de diversificar mercados, reduzir a dependência de poucos parceiros e intensificar a agenda de competitividade.
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