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Brasil e China firmam acordo e avançam com ferrovia bioceânica

A Infra S. A. será responsável pela lado brasileiro e China Railway Economic and Planning Research Institute pelo lado chinês do projeto
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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Arcodo com China
Governo do Brasil e da China em teleconferência para assinatura do acordo/Imagem: Reprodução do YouTube

A assinatura de um memorando de entendimento entre a estatal Infra S.A. e o China Railway Economic and Planning Research Institute Co., Ltd., nesta segunda-feira (7), marca um novo capítulo na cooperação Brasil-China voltada ao desenvolvimento da infraestrutura logística sul-americana. O instituto é vinculado ao China State Railway Group, maior empresa ferroviária pública do mundo.

O acordo prevê a realização conjunta de estudos técnicos para estruturar uma rota ferroviária bioceânica ligando o Brasil ao Peru, com conexão estratégica ao Porto de Chancay, no Pacífico. A proposta é transformar o eixo ferroviário que parte do Porto Sul, na Bahia, atravessa a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e avança até o litoral peruano, em uma espinha dorsal logística capaz de reposicionar o Brasil no comércio internacional.

A nova rota deve reduzir em dez dias o tempo de transporte até os mercados asiáticos, além de diminuir os custos logísticos das exportações de commodities agrícolas e minerais da região central do país. Para o governo brasileiro, o projeto representa uma oportunidade de atrair investimentos externos para infraestrutura pesada e impulsionar a reindustrialização por meio de cadeias logísticas integradas e sustentáveis.

Leonardo Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário, classificou a assinatura como um marco na relação bilateral. “Não é um gesto formal, mas o início de uma jornada técnica e diplomática que visa aproximar continentes”, afirmou. Ele ressaltou que a estatal chinesa reúne “escala, excelência e capacidade de entrega”, e transformou a realidade logística de um país de dimensões continentais.

O novo acordo resgata a proposta originalmente firmada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff, cujo estudo técnico foi concluído em 2016, mas acabou engavetado por gestões posteriores. A ferrovia é considerada estratégica para as exportações brasileiras para a China, estimadas em cerca de US$ 350 bilhões por ano, com destaque para minério de ferro e soja.

Ferrovia é legado de politica de estado

Para Elizabeth Braga, representante da Infra S.A., a parceria com a China representa um legado de política de Estado. “Será um divisor de águas para a infraestrutura ferroviária nacional. É uma aliança estratégica com um país que já demonstrou capacidade de transformar sua malha logística”, avaliou.

A estatal brasileira será responsável pela articulação institucional do projeto, coleta de dados técnicos, realização de estudos ambientais e suporte técnico à equipe chinesa. Pelo lado asiático, os trabalhos serão conduzidos pelo corpo técnico do China Railway Economic and Planning Research Institute.

Participaram da cerimônia representantes da Casa Civil, dos ministérios do Planejamento e dos Transportes, da Infra S.A. e da Embaixada da China no Brasil, representada pelo ministro Xing Wenju. A avaliação do governo é que o projeto contribuirá para consolidar o Brasil como um hub logístico estratégico e seguro no cenário global.

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