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Brics quer construir rede própria de cabos submarinos, com NE na rota

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) vai financiar estudo para criar uma rede própria de cabos submarinos entre os 11 países do Brics. Fortaleza, no Ceará, será peça central da nova infraestrutura
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Brics cabos submarinos Nordeste Fortaleza
A implantação desses cabos submarinos envolve estudos detalhados do terreno e do fundo do mar, e a manutenção é crítica, especialmente nas proximidades do continente, devido à necessidade de reparos que demandam navios especializados. Arte: ME/Imagem criada por IA

Um estudo de viabilidade técnica e econômica, a ser financiado pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, vai avaliar a construção de uma rede de comunicação de alta velocidade por meio de cabos submarinos entre os 11 países-membros do bloco. A proposta foi formalizada na Declaração Final da 17ª Reunião de Cúpula do Brics, realizada nos dias 6 e 7 de julho de 2025, no Rio de Janeiro.

A medida terá impacto direto sobre o Nordeste, especialmente o Ceará, onde Fortaleza abriga o principal hub brasileiro de cabos submarinos de fibra óptica. A capital cearense concentra atualmente 14 cabos, conectando o Brasil à América do Norte, Europa e África, e é considerada o segundo maior ponto de aterrissagem de cabos do mundo, atrás apenas de Fujeira, nos Emirados Árabes. A infraestrutura instalada posiciona Fortaleza como eixo natural para a integração da futura rede do Brics.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o objetivo da iniciativa é “aumentar a velocidade, a segurança e a soberania na troca de dados” entre os países do Brics. O projeto responde à crescente demanda por conectividade independente em um cenário global cada vez mais “dadocêntrico”, nas palavras da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a ministra destacou que a decisão foi consensual entre os 11 membros e que o NDB será acionado para financiar o estudo. “Os cabos de fibra óptica onde hoje circulam os dados são muito concentrados no Norte Global. Nós vamos fazer esse estudo de viabilidade. Foi uma decisão dos 11 países, e nós vamos buscar o NDB”, afirmou.

A ministra defendeu a criação de uma rede própria como essencial para a soberania tecnológica. “Nós estamos em um tempo dadocêntrico, cuja questão dos dados é decisiva para uma agenda de desenvolvimento dos países. Nós temos que ter um cabo próprio, em que os dados sejam nossos, sejam desses países”, reforçou.

Ela também relacionou a proposta à infraestrutura necessária para inteligência artificial e computação de alto desempenho. “A inteligência artificial reúne o que é produzido pela inteligência humana. Precisamos ter as nossas próprias nuvens, os próprios computadores de alto desempenho, os próprios cabos submarinos de fibra óptica”, declarou.

País conta com 16 sistemas de cabos submarinos ativos

O Brasil conta atualmente com 16 sistemas de cabos submarinos ativos, fundamentais para a transmissão de dados, voz e internet entre o país e outros continentes. Os quatro principais pontos de aterrissagem dessa infraestrutura estão localizados em Fortaleza, Santos, Rio de Janeiro e Salvador.

Fortaleza se destaca como o principal hub intercontinental do país, abrigando rotas como AMX-1, Americas-II, SAM-1, Atlantis-2 e GlobeNet, que conectam o Brasil à América do Norte, Europa, Caribe e África. A relevância dessa rede é reforçada por recentes expansões anunciadas por empresas privadas, como os projetos Waterworth e Malbec.

Apesar da posição estratégica do Ceará, ainda há desequilíbrios regionais. Cerca de 51% dos municípios do Nordeste não contam com backhaul de fibra óptica, o que limita a distribuição de conectividade para áreas do interior e compromete o avanço de serviços digitais em saúde, educação e agropecuária. A consolidação da rede proposta pelos Brics pode acelerar a superação desses gargalos, com ganhos para a inclusão digital e o desenvolvimento econômico regional.

Além dos cabos submarinos, governança de inteligência artificial

A Declaração do Rio de Janeiro também foi acompanhada da aprovação de um documento específico sobre governança global da inteligência artificial. No Brasil, a ministra informou que há 11 centros de competência voltados ao desenvolvimento de soluções de IA em áreas como saúde, educação e agropecuária. Esses centros fazem parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que conta com R$ 23 milhões em investimentos.

Luciana Santos afirmou que a IA deve ser compreendida e dominada tecnologicamente. “A inteligência artificial, assim como todas as revoluções tecnológicas, não precisa ser vista como o bicho-papão, precisa ser dominada. E o Brasil está demonstrando que pode fazer isso”, disse.

Ela também destacou o papel da ciência e da tecnologia na proteção de valores democráticos. “Têm várias soluções brasileiras de inteligência artificial, e é isso que a gente quer, que, cada vez mais, a ciência e a tecnologia se aproximem das pessoas e não tenham os vieses que a gente conhece hoje, de uso indevido, de intolerância, de ódio, ou que afete a democracia”, concluiu.

*Com informações da Agência Brasil

Leia mais: E se Fortaleza falhar? Governo quer espalhar os cabos submarinos do Brasil

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