Plano diretor cita diretrizes que aumentarão a carga de Suape

O Plano Diretor 2035 de Suape aponta iniciativas que olham para o futuro do porto
área destinada a APM Terminals
O terminal da APM é citado no Plano Diretor como um dos empreendimentos estruturadores que vão fazer Suape movimentar mais carga. Foto: divulgação APM

Aos 45 anos completados neste dia 07, o Plano Diretor Suape 2035 aponta que a estatal tem muito espaço para crescer e impactar a economia pernambucana. Até 2030, a expectativa é de um crescimento de 50% da carga movimentada, caso se consolidem pelo menos cinco empreendimentos estruturadores citados no documento. 

Os empreendimentos citados no documento são: o segundo terminal de contêineres a ser implantado na estatal, o da APM Terminals, da Maersk; o terminal de minérios; o terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL), a implantação da segunda etapa (trem)  da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e o trecho pernambucano da ferrovia Transnordestina, ou seja do ramal Salgueiro-Suape. “Estes terminais planejados ou em construção vão impactar diretamente na movimentação da carga. A Refinaria Abreu e Lima nao precisa de infraestrutura porque já tem”, resume o diretor de Desenvolvimento e Gestão Portuária de Suape, Nilson Monteiro.

Ele explica também que “somente a finalização da primeira etapa da Rnest aumentaria a movimentação de carga em 20% até 2026”. A Rnest tem um grande impacto na movimentação de carga, porque recebe, pelo porto, a matéria-prima e depois também escoa, pelos navios, parte dos produtos fabricados ali, como o diesel. O governo federal já anunciou que vai concluir também a segunda etapa (trem) da refinaria.

Ainda de acordo com o Plano Diretor,  a previsão é de um aumento de 50% da carga com a entrada em operação do terminal de contêineres da APM Terminals e a carga que poderá ser transportada pelo trecho pernambucano do ramal ferroviário entre Salgueiro e Suape. O terminal de contêineres da APM Terminals vai entrar em operação em 2026, segundo anunciou a empresa em outubro. 

Outro empreendimento citado acima é o terminal de regaseificação da OnCorp que está em construção e, inicialmente, tinha previsão de operar no segundo semestre de 2024. Ele vai receber, do exterior,  gás em estado liquefeito (GNL) e transformá-lo em gasoso num navio que ficará ancorado em Suape. Grande parte do gás deve ser consumido por empresas instaladas em Pernambuco, incluindo a Termopernambuco, térmica do Grupo Neoenergia. 

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O Plano Diretor também apontou que os cais 6 e 7 do Porto de Suape podem ser usados,no futuro, na exportação, do Hidrogênio Verde H2V. “Dos empreendimentos citados acima, só não consideramos o hidrogênio verde neste cenário do aumento de carga até 2030, porque é um projeto que vai ocorrer a longo prazo”, afirma Nilson.  

No ano passado, o Porto de Suape movimentou cerca de 24 milhões de toneladas de carga. “Também faz parte da estratégia de Suape continuar sendo um hub concentrador de veículos, exportando os carros da Stellantis e ser referência no transbordo de veículos”, diz Nilson

A importância de um ramal ferroviário

Segundo Nilson, o planejamento de Suape leva em consideração que o ramal pernambucano da Transnordestina estaria finalizado em 2028. Atualmente, este eixo é um grande imbróglio apesar da pressão política e empresarial para o empreendimento sair do papel. Somente para o leitor ter ideia, são várias questões sem respostas, como quem vai construir a ferrovia. Para 2024, o Orçamento Geral da União (OGU) destina cerca de R$ 450 milhões para o empreendimento que precisa de uma quantia estimada em R$ 5 bilhões para ser concluído. 

“Há uma necessidade de integração de Suape ao interior via Transnordestina. É muito importante esta interligação para integrar com outros territórios de Pernambuco e estados vizinhos. Isso é estratégico para Pernambuco”, conta o economista da Ceplan Ademilson Saraiva, que participou da elaboração do Plano Diretor Suape 2035. Ele cita alguns polos que poderiam se integrar com Suape, como o de confecções, do Agreste, o do médio Pajeú – formado por Serra Talhada – que tem atacadistas fortes – e Afogados da Ingazeira, entre outros.

Ademilson acrescenta: “Suape adquire uma nova perspectiva de futuro com a Transnordestina, tirando o porto da dependência do ramal rodoviário para escoar a produção do interior como um todo, facilitando as exportações e a troca de bens e mercadorias entre o interior do Estado, o litoral e alguns Estados próximos”. 

Ademilson afirma que, nos próximos anos, também está previsto um aumento da movimentação de cargas via cabotagem – navegação entre os portos brasileiros – e que para Suape passar melhor por este momento era importante ter uma ferrovia. 

A construção do ramal ferroviário de Pernambuco também traria outro empreendimento considerado “estruturador” no Plano Diretor: o terminal de minérios, que também depende da conclusão da ferrovia para operar, pois o minério de ferro seria transportado, por trilhos, do Sul do Piauí até Suape. E só faz sentido ter um terminal, se houver como o minério chegar, por ferrovia, ao porto. 

O plano diretor, segundo Ademilson Saraiva, também aponta cadeias produtivas emergentes que podem ser desenvolvidas em Suape, como a produção de energia eólica integrada com a de H2V. “A expectativa é de que  a produção do H2V fique próxima aos portos”, comenta Ademilson. 

Um dos motivos que fez Suape crescer foi o ordenamento na exploração das suas áreas e conservação de outras, todos previsto nos primeiros plano diretor da estatal. O planejamento ajudou Suape porque foi feito de olho no futuro. E agora estas novas diretrizes do Plano Diretor 2035, que foi concluído em dezembro do ano passado, vão dar o norte da instituição nos próximo anos. 

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