- Publicidade -

Ferrovia Salgueiro-Suape segue sem data para retomada das obras

No discurso, o trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina "é estratégico", mas questões burocráticas adiam o começo das obras
- Publicidade -
Ouvir o Artigo Gerando áudio…
~8:02
  1. Obra paralisada há mais de dez anos aguarda contratação da empresa vencedora da licitação.
  2. Governadora anunciou contratação nos próximos dias em maio, mas promessa não foi cumprida.
  3. Tribunal de Contas da União recomendou suspensão de recursos até conclusão de estudos de viabilidade.
  4. Trecho cearense da Transnordestina avança enquanto ramal pernambucano permanece estagnado há década.
  5. Setor produtivo pernambucano defende retomada das obras para desenvolvimento do interior e porto.
trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina
As obras do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina estão paralisadas há mais de 10 anos. Foto:Cadu Gomes/Fotos Públicas

Enquanto o trecho cearense da Transnordestina evolui para uma fase operacional, com trechos sendo concluídos e antecipação de investimentos que vão fazer a ferrovia chegar ao Porto de Pecém, na Grande Fortaleza, até 2027, o ramal pernambucano Salgueiro-Suape permanece sem qualquer sinalização da data para a retomada das obras, paralisadas há mais de 10 anos. No último dia 18 de maio, a governadora Raquel Lyra chegou a anunciar que iria ocorrer “nos próximos dias” a contratação da empresa vencedora de uma licitação para a retomada da implantação deste trecho ferroviário.

As obras da Transnordestina foram iniciadas em 2006 e, na época, a previsão era de conclusão em 2010. “Somente o atraso desta obra já prejudica o Estado. A sociedade civil vai ter que ajudar e se unir para fazer isso acontecer junto aos órgãos públicos e aos políticos. A burocracia é muito grande em todas as obras, mas a construção do trecho Salgueiro-Suape é necessária, porque o interior precisa deste empreendimento e o Porto de Suape também”, resumiu o presidente do grupo Atitude Pernambuco, Halim Nagem. Ele defendeu também que sejam cumpridas todas as etapas para que o projeto seja implantado com um bom traçado e competitivo. O Atitude representa 30 empresas que têm grande atuação na economia de Pernambuco.

Ainda no anúncio de que a contratação seria nos próximos dias, a governadora agradeceu as tratativas do presidente Lula, do atual ministro dos Transportes, George Santoro e do ex-ocupante da mesma pasta, Renan Filho, na retomada do processo do trecho pernambucano. E nem esta mobilização toda fez a obra ser retomada.

Somente lembrando, o trecho Salgueiro-Suape não tem concessionária e quem está à frente das futuras obras é a estatal Infra S.A. que fez uma licitação para fazer a retomada da construção num trecho de 73 km entre Custódia e Arcoverde. A estatal homologou a empresa vencedora da concorrência no dia 18 de maio num processo iniciado no dia 30 de outubro do ano passado.

Poucos dias antes de ser declarada a vencedora em maio último, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que não fossem empregados recursos da União no trecho Salgueiro-Suape da obra até que fossem concluídos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. O Tribunal se baseou num estudo de uma consultoria realizado, há muitos anos, que apontava a falta de viabilidade econômica para o trecho Salgueiro-Suape da ferrovia.

Depois da decisão do TCU, num primeiro momento, o próprio Ministério dos Transportes entrou com um embargo declaratório argumentando que a decisão não atingia a licitação em curso. Na época, o TCU pediu várias informações complementares à Infra, ao Ministério dos Transportes e à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que defendeu o trecho pernambucano e é uma das principais financiadoras do trecho ferroviário que segue para o Porto de Pecém.

Impasse para começar a obra da ferrovia

Politicamente, ficou claro que o governo federal não quis afrontar o TCU. A Sudene e a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) enviaram informações mais atualizadas ao TCU, inclusive um estudo realizado pelo Senai. “Entregamos, junto com a Sudene, os dados que comprovam a viabilidade econômica do trecho Salgueiro-Suape. O TCU está analisando estas informações. E a Fiepe tem convicção de que este posicionamento será revisto”, contou o presidente da Fiepe, Bruno Veloso.

Para ele, este impasse deve ser resolvido em algumas semanas. A Sudene também está realizando um estudo do impacto social que a implantação do trecho Salgueiro-Suape vai trazer a Pernambuco e estados vizinhos, que deve ser divulgado na próxima semana.

O trecho Salgueiro-Suape é fundamental para trazer competitividade a vários setores da economia de Pernambuco e estados vizinhos como o gesso do Araripe, a avicultura do Agreste pernambuco, o polo de baterias em Belo Jardim, entre outros. O trecho cearense vai ligar o Sul do Piauí, passar por Salgueiro e depois seguir para Pecém. Isso significa que, no futuro, ambos os ramais poderão se conectar com cargas e os produtos que circulem pelo Matopiba, região formada pelo Sul do Piauí e Maranhão, Oeste baiano e uma parte do Tocantins.

É senso comum no meio empresarial que para melhorar a logística em Pernambuco e estados vizinhos é fundamental a conclusão também do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina. “Com a reforma tributária e o fim da guerra fiscal, as indústrias vão se implantar próximas ao mercado consumidor e também onde tiver uma melhor infraestrutura”, disse Halim Nagem, acrescentando que este cenário torna mais importante e “necessário” a entrada em operação do trecho pernambucano da Transnordestina.

Trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina

Com 544 quilômetros de extensão, o trecho Salgueiro-Suape está dividido em nove lotes de obras, dos quais os três primeiros – totalizando 179 km – foram concluídos pela TLSA, empresa do grupo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que esteve à frente do empreendimento até 2022, quando devolveu o trecho pernambucano ao governo federal alegando que o mesmo não tinha viabilidade econômica. Na realidade, o grupo tinha negócios no Ceará e priorizou o ramal que seguiria para Pecém. As obras paralisaram nos dois ramais. O ramal cearense foi retomado no final de 2023 e deve ser concluído em 2027.

Ao ser contatada, a assessoria de comunicação do Ministério dos Transportes informou que o trecho Salgueiro-Suape “é estratégico” e que “atua para viabilizar a continuidade do projeto e atender aos apontamentos realizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU)”. Segundo o ministério, “a Infra S.A. está trazendo novos elementos para robustecer o estudo, “iniciar a obra, com avaliação de custo-benefício dos impactos socioeconômicos na área de influência da ferrovia, elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e condução dos esclarecimentos técnicos necessários para garantir a continuidade das contratações e o avanço das obras”.

Ainda na resposta encaminhada, o Ministério informou que atualmente, os lotes 6, entre Pesqueira (PE) e Cachoeirinha (PE), e 7, entre Cachoeirinha (PE) e Belém de Maria (PE), “encontram-se em fase de avaliação dos estudos e preparação para contratação das obras”, enquanto “os trechos entre Belém de Maria (PE) e o Porto de Suape (PE) seguem em fase de estudos para definição das próximas etapas de implantação”. Esta situação ocorre 20 anos depois do início das obras.

A assessoria do TCU informou que a decisão – que pediu a suspensão dos recursos federais – é tratado no TC 017.603/2024-2 (Acórdão 1217/2026 – Plenário), de relatoria do ministro Jhonatan de Jesus “tem recursos pendentes” e está sem previsão de data para que sejam apreciados. Geralmente, o tribunal se manifesta por meio de seus acórdãos e, até o momento, não há outras decisões relacionadas ao processo.

O trecho pernambucano será retomado como obra pública com recursos da União e, posteriormente, deve ser feita alguma concessão para uma empresa privada fazer a operação do trecho ferroviário.

O trecho cearense continua sendo implantado pela TLSA e tem um custo estimado em R$ 15 bilhões. Segundo informações da Sudene, até 2027, estão previstos investimentos de R$ 7,4 bilhões por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), dos quais R$ 6,4 bilhões já foram liberados, além de R$ 800 milhões provenientes do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) também liberados para serem empregados no ramal Eliseu Padilha-Pecém. Este trecho tem 1206 km, começando no Sul do Piauí, segue até Salgueiro (em Pernambuco) e depois corta todo o Ceará até chegar no Porto de Pecém.

Leia também

Transnordestina avança 101 km no CE com R$ 600 mi e meta de mais 120 km em 2026

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -