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Transnordestina avança 101 km no CE com R$ 600 mi e meta de mais 120 km em 2026

Em cerimônia com o presidente Lula em Quixeramobim, CSN recebeu 100 vagões graneleiros e assinou ordem de serviço do Ramal Nelog, que conectará a ferrovia ao Porto do Pecém em 2027

De Fortaleza

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~5:42
  1. Governo federal investe R$ 600 milhões para acelerar obras da Ferrovia Transnordestina no Ceará.
  2. CSN compromete-se entregar 120 quilômetros adicionais de trilhos até final de 2026.
  3. Transnordestina alcança mais de 700 quilômetros concluídos após entrega de 101 km entre Acopiara e Quixeramobim.
  4. Obra emprega 5.500 trabalhadores diretos e utiliza mais de 400 máquinas em operação simultânea.
  5. Porto Seco de Quixeramobim é assinado em protocolo de intenções entre União, CSN e governo cearense.
Representantes do governo federal, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e do governo do Ceará assinam protocolo de intenções para implantação do Porto Seco de Quixeramobim, durante evento realizado no município nesta quinta-feira (2) - Foto: Ricardo Stuckert
Representantes do governo federal, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e do governo do Ceará assinam protocolo de intenções para implantação do Porto Seco de Quixeramobim, durante evento realizado no município nesta quinta-feira (2) – Foto: Ricardo Stuckert

“Se isso aqui der certo, vai ter um pedacinho para todo mundo.” A frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dita nesta quinta-feira (2) durante evento em Quixeramobim, no Sertão Central cearense, resume a aposta do governo federal nos próximos passos da Ferrovia Transnordestina. Na ocasião, a União desembolsou R$ 600 milhões para acelerar as obras e o diretor-executivo de Logística e Infraestrutura da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher, assumiu o compromisso de entregar mais 120 quilômetros de trilhos até o fim de 2026 e concluir todo o trecho até o Porto do Pecém no ano seguinte.

A promessa foi feita horas depois da entrega de mais 101 km de ferrovia entre Acopiara e Quixeramobim, lotes 4 e 5 da obra, elevando para mais de 700 km o total já concluído, do total de 1.206 km. Mas o foco do evento recaiu sobre o que vem pela frente: novos trechos, novos vagões e a expansão da malha logística em torno do Complexo do Pecém. Os números das obras dos lotes são expressivos, envolveram aproximadamente 13 milhões de m³ de terraplanagem, 13,2 mil toneladas de trilhos e mais de 160 mil dormentes de concreto e 242 mil m³ de brita.

Mapa atualizado da Transnordestina, com avanço das obras no trecho entre o Piauí e o Ceará. Arte: TLSA/Reprodução
Mapa atualizado da Transnordestina, com avanço das obras no trecho entre o Piauí e o Ceará. Arte: TLSA/Reprodução

Promessa de Tufi Daher: mais 120 km até dezembro

Segundo Daher, a fase 1 da ferrovia, que liga o Piauí ao Pecém, está com 5.500 trabalhadores diretos e mais de 400 máquinas em operação simultânea. É esse ritmo, disse o executivo, que sustenta o cronograma anunciado para os próximos 18 meses.

“Estamos vivenciando uma ferrovia que o Brasil tem que se orgulhar. É a maior obra linear do país em construção. Em onze meses estamos entregando mais de cem quilômetros e, faço uma promessa: até o final deste ano, vamos entregar mais 120 km. Ao final de 2026, vão faltar apenas 155 km. Até o final do ano que vem, vamos entregar a ferrovia seguindo até o Porto do Pecém”, afirmou Daher.

Na prática, a promessa significa que a Transnordestina deve fechar 2026 com pouco mais de 820 km concluídos e concluir, ao longo de 2027, os 155 km restantes até o litoral cearense, encerrando um dos gargalos históricos da logística nordestina.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de entrega de trecho da Ferrovia Transnordestina em Quixeramobim (CE), nesta quinta-feira (2), quando o governo federal anunciou o desembolso de R$ 600 milhões para acelerar as obras - Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de entrega de trecho da Ferrovia Transnordestina em Quixeramobim (CE), nesta quinta-feira (2), quando o governo federal anunciou o desembolso de R$ 600 milhões para acelerar as obras – Foto: Ricardo Stuckert

433 novos vagões devem ampliar frota nos próximos meses

Os cem vagões, anunciados hoje, foram recebidos em Salgueiro (PE). São Hopper modelo HTT adquiridos para compor a frota operacional. Os equipamentos foram desenvolvidos pela indústria GBMX (Greenbrier Maxion) para o transporte de grãos e fertilizantes. Vale ressaltar que um trem, com cem vagões, equivale a 357 caminhões graneleiros. Além dos 100 vagões graneleiros entregues a partir de um investimento de R$ 100 milhões, o governo federal anunciou a produção de mais 433 unidades. A frota ampliada deve reforçar a capacidade operacional da ferrovia à medida que novos trechos entram em funcionamento.

A assinatura da ordem de serviço do Ramal Nelog, que vai conectar a Transnordestina ao Terminal de Uso Privado (TUP) Nelog no Complexo do Pecém, também aponta para os próximos passos da obra: a ligação é peça-chave para que a produção do Sertão Central escoe diretamente ao porto assim que os trilhos alcançarem a região, em 2027.

Porto Seco de Quixeramobim: R$ 1 bi previstos para os próximos anos

O evento também marcou a assinatura de protocolo de intenções para a implantação do Porto Seco de Quixeramobim, empreendimento com previsão de R$ 1 bilhão em investimentos privados nos próximos anos. A estrutura deve reforçar a logística regional e atrair novos empreendimentos industriais para o Sertão Central à medida que a ferrovia avança em direção ao litoral.

O prefeito de Quixeramobim, Cirilo Pimenta, destacou o potencial econômico do município com a chegada da ferrovia. “O trem está chegando, teremos um porto seco, uma ZPE, um parque industrial. Somos a maior economia do sertão, a chegada da Transnordestina vai aumentar e muito a circunstância de melhoria da economia do nosso município. No ano que vem, quero estar no Pecém marcando a chegada da Transnordestina. Vamos levar do sertão produtos para o mundo através da ferrovia”, disse Pimenta.

Vagões graneleiros entregues durante cerimônia da Transnordestina em Quixeramobim (CE); os 100 vagões, destinados ao transporte de grãos e fertilizantes, resultam de investimento de R$ 100 milhões - Foto: Ricardo Stucker
Vagões graneleiros entregues durante cerimônia da Transnordestina em Quixeramobim (CE); os 100 vagões, destinados ao transporte de grãos e fertilizantes, resultam de investimento de R$ 100 milhões – Foto: Ricardo Stucker

Calçados, laticínios e grãos mais baratos

O governador do Ceará, Elmano de Freitas, associou a obra ao fortalecimento de cadeias produtivas já consolidadas no estado. “Temos um dos maiores polos calçadistas do país, 25% do calçado produzido no Brasil é feito no Ceará, grande parte em Quixeramobim. Esse trem vai até o porto do Pecém e o calçado produzido no Sertão Central vai ganhar o mundo. Aqui também temos uma das maiores cadeias leiteiras do estado. Esse trem vai permitir trazer milho e soja mais baratos para os pequenos produtores. A Transnordestina é o começo de um novo futuro para o Ceará”, afirmou o governador.

Lula reforçou o caráter regional do projeto, que passa por três estados nordestinos. “Essa é uma estrada de ferro vital para a perspectiva de desenvolvimento dessa região. Ela envolve o Piauí, Pernambuco e o Ceará. Se isso aqui der certo, vai ter um pedacinho para todo mundo”, disse o presidente, referindo-se aos demais estados do Nordeste que podem vir a ser beneficiados pela ferrovia.

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