
“Se isso aqui der certo, vai ter um pedacinho para todo mundo.” A frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dita nesta quinta-feira (2) durante evento em Quixeramobim, no Sertão Central cearense, resume a aposta do governo federal nos próximos passos da Ferrovia Transnordestina. Na ocasião, a União desembolsou R$ 600 milhões para acelerar as obras e o diretor-executivo de Logística e Infraestrutura da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher, assumiu o compromisso de entregar mais 120 quilômetros de trilhos até o fim de 2026 e concluir todo o trecho até o Porto do Pecém no ano seguinte.
A promessa foi feita horas depois da entrega de mais 101 km de ferrovia entre Acopiara e Quixeramobim, lotes 4 e 5 da obra, elevando para mais de 700 km o total já concluído, do total de 1.206 km. Mas o foco do evento recaiu sobre o que vem pela frente: novos trechos, novos vagões e a expansão da malha logística em torno do Complexo do Pecém. Os números das obras dos lotes são expressivos, envolveram aproximadamente 13 milhões de m³ de terraplanagem, 13,2 mil toneladas de trilhos e mais de 160 mil dormentes de concreto e 242 mil m³ de brita.

Promessa de Tufi Daher: mais 120 km até dezembro
Segundo Daher, a fase 1 da ferrovia, que liga o Piauí ao Pecém, está com 5.500 trabalhadores diretos e mais de 400 máquinas em operação simultânea. É esse ritmo, disse o executivo, que sustenta o cronograma anunciado para os próximos 18 meses.
“Estamos vivenciando uma ferrovia que o Brasil tem que se orgulhar. É a maior obra linear do país em construção. Em onze meses estamos entregando mais de cem quilômetros e, faço uma promessa: até o final deste ano, vamos entregar mais 120 km. Ao final de 2026, vão faltar apenas 155 km. Até o final do ano que vem, vamos entregar a ferrovia seguindo até o Porto do Pecém”, afirmou Daher.
Na prática, a promessa significa que a Transnordestina deve fechar 2026 com pouco mais de 820 km concluídos e concluir, ao longo de 2027, os 155 km restantes até o litoral cearense, encerrando um dos gargalos históricos da logística nordestina.

433 novos vagões devem ampliar frota nos próximos meses
Os cem vagões, anunciados hoje, foram recebidos em Salgueiro (PE). São Hopper modelo HTT adquiridos para compor a frota operacional. Os equipamentos foram desenvolvidos pela indústria GBMX (Greenbrier Maxion) para o transporte de grãos e fertilizantes. Vale ressaltar que um trem, com cem vagões, equivale a 357 caminhões graneleiros. Além dos 100 vagões graneleiros entregues a partir de um investimento de R$ 100 milhões, o governo federal anunciou a produção de mais 433 unidades. A frota ampliada deve reforçar a capacidade operacional da ferrovia à medida que novos trechos entram em funcionamento.
A assinatura da ordem de serviço do Ramal Nelog, que vai conectar a Transnordestina ao Terminal de Uso Privado (TUP) Nelog no Complexo do Pecém, também aponta para os próximos passos da obra: a ligação é peça-chave para que a produção do Sertão Central escoe diretamente ao porto assim que os trilhos alcançarem a região, em 2027.
Porto Seco de Quixeramobim: R$ 1 bi previstos para os próximos anos
O evento também marcou a assinatura de protocolo de intenções para a implantação do Porto Seco de Quixeramobim, empreendimento com previsão de R$ 1 bilhão em investimentos privados nos próximos anos. A estrutura deve reforçar a logística regional e atrair novos empreendimentos industriais para o Sertão Central à medida que a ferrovia avança em direção ao litoral.
O prefeito de Quixeramobim, Cirilo Pimenta, destacou o potencial econômico do município com a chegada da ferrovia. “O trem está chegando, teremos um porto seco, uma ZPE, um parque industrial. Somos a maior economia do sertão, a chegada da Transnordestina vai aumentar e muito a circunstância de melhoria da economia do nosso município. No ano que vem, quero estar no Pecém marcando a chegada da Transnordestina. Vamos levar do sertão produtos para o mundo através da ferrovia”, disse Pimenta.

Calçados, laticínios e grãos mais baratos
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, associou a obra ao fortalecimento de cadeias produtivas já consolidadas no estado. “Temos um dos maiores polos calçadistas do país, 25% do calçado produzido no Brasil é feito no Ceará, grande parte em Quixeramobim. Esse trem vai até o porto do Pecém e o calçado produzido no Sertão Central vai ganhar o mundo. Aqui também temos uma das maiores cadeias leiteiras do estado. Esse trem vai permitir trazer milho e soja mais baratos para os pequenos produtores. A Transnordestina é o começo de um novo futuro para o Ceará”, afirmou o governador.
Lula reforçou o caráter regional do projeto, que passa por três estados nordestinos. “Essa é uma estrada de ferro vital para a perspectiva de desenvolvimento dessa região. Ela envolve o Piauí, Pernambuco e o Ceará. Se isso aqui der certo, vai ter um pedacinho para todo mundo”, disse o presidente, referindo-se aos demais estados do Nordeste que podem vir a ser beneficiados pela ferrovia.
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