
Criado por iniciativa das Baterias Moura, o programa Moura Tech nasceu com um propósito claro: formar jovens na área de Tecnologia da Informação (TI) em Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, onde está a sede da empresa. Agora, o programa avança e amplia sua atuação, passando a oferecer cursos em áreas estratégicas para o futuro da companhia: Automação, Segurança da informação/Infra, Dados/IA, armazenamento de energia e eletrificação veicular. Desde a primeira turma, os resultados impressionam: 85% dos participantes foram contratados pela própria Moura.
Segundo Osenir Virlândio, diretor de Pessoas da Baterias Moura, o sucesso da iniciativa se deve à construção de parcerias sólidas com o setor público e com instituições de ensino. “O grande segredo foi encontrar na instituição pública o desejo real de fazer parte dessa parceria. Os professores tinham muita vontade de viabilizar toda a programação que a gente havia desenhado para formar esses profissionais de TI”, destaca.
Desenvolvido em parceria público-privada com Instituições de Ensino Superior (IES) do Agreste pernambucano e paraibano, o programa começou com uma extensa troca entre a empresa e o corpo docente para definir o perfil do desenvolvedor full stack ideal para os desafios dos negócios da Moura. A partir desse diálogo, o primeiro parceiro, o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) estruturou a ementa e organizou a grade curricular. “Isso trouxe muita assertividade na formação técnica, o que gerou um aprendizado prático igualmente assertivo”, explica Osenir.
Com duração de 18 meses, o curso é voltado para universitários. Nos seis primeiros meses, as aulas teóricas acontecem no campus Belo Jardim do IFPE. Depois, os estudantes passam 12 meses de prática orientada dentro da fábrica, em Belo Jardim. Durante todo o programa, os alunos recebem bolsa de estudos.
Desde o início, três turmas já foram formadas, capacitando 50 jovens, com 40% das vagas destinadas a mulheres. Entre elas, está a engenheira de software Deise Silva, participante da primeira turma, concluída em 2023. “Na época, estava finalizando a graduação e tinha muito receio de não conseguir chegar ao mercado de trabalho”, relembra. Deise foi contratada antes mesmo de concluir o programa.
“Nos primeiros dias foi uma mistura de desespero com a expectativa de aplicar tudo o que eu havia aprendido. Aos poucos, percebi que todo o conhecimento acumulado poderia ser incrementado no meu trabalho dentro da Moura. É um constante desenvolvimento”, resume. Deise integrou a equipe que desenvolveu uma solução para o portal da empresa.

Moura amplia escopo
Agora, o Moura Tech amplia seu escopo e mira setores alinhados com a transformação tecnológica e as estratégias de crescimento da companhia. A primeira nova vertente é a de segurança da informação. “A segurança da informação é hoje uma prioridade não apenas para o nosso negócio, mas para organizações públicas e privadas em todo o mundo”, observa Osenir.
Na área de eletrificação veicular, o programa deve começar ainda este ano, com previsão de conclusão em 2026, alinhado à implementação do Mover — programa federal de mobilidade verde, que impulsionará a eletrificação da frota no Brasil. “Estamos conversando com professores de universidades para estruturar essa nova etapa, que acompanhará as mudanças na indústria automotiva”, explica.
Já na área de armazenamento de energia — segmento estratégico para a Moura — a capacitação contempla oito meses de aulas teóricas e dois meses de atividades práticas em Belo Jardim, durante o recesso universitário. A formação inclui, ainda, conteúdos sobre baterias de lítio. A primeira turma já está em andamento e tem previsão de conclusão ainda este ano.
Osenir ressalta a dificuldade de encontrar profissionais prontos para atuar nesse campo. “Um engenheiro de sistema de armazenamento de energia reúne conhecimentos de engenharia elétrica, química, mecânica e ciência da computação. Há uma grande competição por esse profissional. Diante disso, optamos por formar internamente, seguindo a receita de sucesso que já construímos com o Moura Tech.”
A meta, afirma o diretor, é clara: “Atrair profissionais qualificados que contribuam para viabilizar os negócios da empresa. O conhecimento abre oportunidades para que as pessoas possam se desenvolver e encontrar seus próprios caminhos”, diz. Ele fala com propriedade: aos 17 anos, saiu do interior da Paraíba para estudar em João Pessoa, a 430 km de sua cidade natal. “Só entende o valor disso quem precisou buscar uma educação de qualidade.”
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