
Por Clara Oliveira, da Folha de Pernambuco
A cirandeira Lia de Itamaracá anunciou na noite desta quarta-feira (4) sua exoneração do cargo de Secretária da Secretaria de Turismo, Cultura e Eventos da Ilha, por meio de nota divulgada em suas redes sociais.
A destituição do cargo veio à tona após Lia ter negado a aprovação da contratação de bandas e artistas para a abertura do festival “Verão na Ilha”. Segundo ela, o compromisso de dar espaço para artistas da cultura popular não foi efetivado pela gestão municipal, liderada pelo prefeito de Itamaracá, Paulo Galvão (PSD).
Lia questionou gestão
No dia 3 deste mês, Lia de Itamaracá emitiu uma primeira nota sobre essa situação, alegando que, até o momento da publicação do texto, os eventos e ações promovidos pela Secretaria de Cultura, Turismo e Eventos não contaram com qualquer colaboração e participação de sua parte ou de sua equipe, reiterando que teve sua atuação anulada na pasta de cultura da ilha.
Esse cenário se estende desde janeiro deste ano, quando a artista declarou que, apesar de passados alguns dias de sua gestão, não teve qualquer resposta ou reunião com a equipe da Secretaria. Como justificativa para a ausência de contato, o órgão informou estar enfrentando uma situação emergencial devido a problemas herdados da gestão anterior.
O prefeito Paulo Galvão foi procurado e até o momento não se pronunciou. Tão logo responda aos contatos, atualizaremos a matéria.
Confira a nota publicada no Instagram
Amigas e amigos, população de Itamaracá, não estou deixando a cultura, mas a Prefeitura Municipal da Ilha de Itamaracá. Meu compromisso com a cultura popular e por todos aqueles que fazem a permanece vivo por que caminha comigo.
Depois das minhas últimas declarações sobre os entraves que vinha enfrentando como Secretária de Turismo, Cultura e Lazer, recebi a notícia da minha exoneração feita pelo prefeito Paulo Galvão nesta noite. Estou em São Paulo onde me preparo para uma sequência de apresentações. Daqui, reitero meu compromisso com a seriedade do meu trabalho e preocupação com um nome que construí ao longo de mais de 70 anos de carreira com muita resistência, inclusive para ser respeitada como mulher e representante da cultura pernambucana pelo mundo.
Eu não poderia fazer o contrário agora. Não concordei com projetos que não pude opinar em nada, nos quais não tive direito de decisão sendo titular da pasta. Minha equipe também não foi consultada para a destinação de recursos para a contratação de bandas dos eventos que serão realizados na cidade, onde não haverá a participação de artistas da cultura popular. Também fui desrespeitada pela gestão municipal quando fui exonerada temporariamente numa manobra administrativa para realização de eventos.
Na próxima semana tenho uma conversa com o Ministério Público de Pernambuco para tratar esses fatos. Enquanto gestora pública, cargo para o qual fui convidada, mas não pude exercer, esse também é meu papel.
Seguirei fazendo minha ciranda de mãos dadas com minha Ilha. Lia não se cala, Lia não se curva e ninguém desmerece ou desrespeita Lia de Itamaracá.
Veja também:










