
No próximo dia 22, o Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE) promove um evento para discutir os problemas em torno da oferta de mão de obra para o maior centro de confecções do Nordeste, o Polo Têxtil do Agreste pernambucano. O I Fórum NTCPE Summit será realziado em Caruaru e tem como tema “Mão de obra: Desafios e Oportunidades”, reunindo representantes da ABIT, FIEPE, Sebrae/PE, CETIQT e ADEPE. A proposta é buscar soluções estruturadas para um problema que vai além da simples escassez de profissionais.
A falta de trabalhadores se tornou um dos principais entraves à expansão do Polo de Confecções de Pernambuco, formado por municípios como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. Com cerca de 30 mil empresas em operação — muitas delas informais — o setor têxtil tem enfrentado dificuldades para contratar e reter profissionais capacitados, especialmente nas áreas operacionais, como costura e acabamento.
Segundo Pedro Miranda, diretor-presidente do NTCPE, a crise da mão de obra é multifatorial. “É um desafio que mistura fatores econômicos, culturais e estruturais. Não se trata apenas de falta de gente, mas de um desalinhamento profundo entre as condições do setor e os novos perfis profissionais.”
Capacitação no Polo Têxtil
Embora iniciativas de capacitação tenham crescido — em 2024, o NTCPE ofereceu mais de 6.600 horas de formação – , falta gente para funções em todas as áreas. Empresas que atuam em mercados mais exigentes buscam perfis especializados como modelistas, designers e engenheiros têxteis, profissionais com qualificação técnica mais avançada e ainda escassos na região.
Outro gargalo é a informalidade. Grande parte das empresas do polo opera fora do regime formal, o que dificulta diagnósticos precisos e políticas públicas eficazes. Os dados mais recentes disponíveis são de 2017, com divergências entre fontes como a Cefaz e prefeituras. Para Ivânia Melo, conselheira da Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (ACIC), é urgente a realização de um novo estudo setorial: “Sem dados atualizados, qualquer política corre o risco de errar o alvo”, sustenta.
O fórum também dará visibilidade a iniciativas bem-sucedidas, como mudanças no modelo de jornada de trabalho para retenção de talentos e experiências de condomínios têxteis cooperativos. Entre os encaminhamentos esperados estão programas de retenção, bonificações, currículos técnicos mais aderentes à realidade do setor e a elaboração de um novo diagnóstico industrial.
A programação conta com mesas redondas, painéis temáticos e debates estratégicos. As inscrições gratuitas estão abertas e podem ser feitas através do site https://forum.ntcpe.org.br. Podem participar empresários, profissionais da moda, além de empreendedores interessados em inovação e indústria.
Já estão confirmadas as presenças de Fernando Pimentel, presidente da ABIT, de Ana Luiza Ferreira, nova presidente da ADEPE (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco), de Erasmo Fernandes, consultor técnico do CETIQT (Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e Confecção), convidado do Sebrae/PE, e de João Bezerra, diretor regional da FIEPE.
“Teremos a participação de empresários das principais cidades do Polo de Confecções e da maior indústria de confecções do Estado, que fica na Região Metropolitana do Recife. Esses empreendedores vão apresentar as suas dificuldades, mas também as soluções que eles vêm aplicando nos seus ambientes de trabalho para captar cada vez mais uma obra qualificada, como também para manter os profissionais que constam em suas empresas”, afirma Pedro Miranda, diretor-presidente do NTCPE.
Organização social privada, o NTCPE é gestora do Marco Pernambucano da Moda, é um dos mais fortes interlocutores dos setores da moda e da indústria de confecções do Estado. Tem a missão de promover a inovação, cooperação e intercâmbio de informações entre empresas do segmento, poder público, academia e entidades de apoio e fomento
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