
O Porto do Pecém encerrou 2025 consolidando sua posição como um dos principais hubs logísticos do Brasil. O complexo ampliou sua movimentação em relação a 2024, e registrou o melhor desempenho da sua história na operação de contêineres. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela consolidação de novas rotas internacionais de longo curso, com destaque para a conexão com a Ásia, que passou a operar semanalmente.
Em entrevista ao Movimento Econômico, o presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, analisa os resultados do ano, os impactos das taxações impostas pelo governo de Donald Trump, a expectativa para a chegada da Transnordestina Logística e o novo ciclo de investimentos previsto para os próximos anos. Confira:

Movimento Econômico – Qua as grandes conquistas do Pecém em 2025?
Max Quintino – Tivemos um ano muito positivo. Ampliamos em 7% a movimentação total do porto, o que é um resultado expressivo diante do cenário econômico internacional. Mas o grande destaque foi, sem dúvida, a movimentação de contêineres. Crescemos 27% e atingimos 706 mil TEUs, um recorde histórico.
Esse desempenho está muito relacionado à nova linha de longo curso que iniciamos no ano passado, conectando o Pecém à Ásia. Essa linha passou a operar semanalmente, sempre aos domingos, a partir de abril, e rapidamente ganhou escala. Ela foi um diferencial importante dentro da nossa estratégia de ampliar a presença internacional do porto. Além disso, outras cargas também tiveram crescimento relevante. Foi um ano de consolidação e de fortalecimento da nossa posição logística.
ME – Qual impacto no Complexo das taxações pelo governo Trump?
MQ – Houve preocupação inicial, mas, na prática, não registramos nenhuma redução significativa na movimentação. As cargas de longo curso cresceram, inclusive. A Companhia Siderúrgica do Pecém, que exporta placas de aço para os Estados Unidos, enfrentou desafios, mas manteve a produção estável. O produto fabricado aqui tem características específicas, é diferenciado, e isso ajudou a preservar o mercado mesmo com as novas tarifas. Pode ter havido impacto em margem, ajustes comerciais, mas não houve retração de produção nem de embarques.
No caso das frutas, também mantivemos os patamares de exportação para os Estados Unidos, dentro do crescimento geral de 14% registrado no ano. Ou seja, apesar do ambiente internacional mais conturbado, conseguimos atravessar esse período com resiliência. A avaliação é positiva, considerando o contexto global.

ME – Como o porto se posiciona hoje em comparação com outros do Nordeste e do Brasil?
MQ – O Porto do Pecém é um dos mais jovens do Brasil, mas vem apresentando um crescimento muito consistente. Hoje somos o porto com o maior número de linhas de cabotagem do país, com sete linhas ativas. Isso significa que estamos conectados praticamente a todos os estados brasileiros que possuem portos. Esse nível de conectividade nos dá um papel estratégico dentro da logística nacional. Trabalhamos muito em parceria com outros portos, não enxergamos o sistema portuário como concorrência isolada, mas como complementaridade. Cada porto tem sua vocação, e o Pecém tem se consolidado como um hub importante tanto para o Nordeste quanto para o restante do país.
ME – Qual impacxto esperado com a chegada da Transnordestina em 2027?
MQ – Já temos frentes de trabalho dentro da área do porto. O trecho que sai do Pecém já está em execução e vai se conectar com os trechos que vêm avançando no interior. Hoje, quem visita o Complexo já encontra canteiros de obras e intervenções em andamento. Ainda no primeiro semestre devemos iniciar as obras do terminal logístico que fará a interligação da ferrovia com o porto. Estamos finalizando as tratativas com a Nelog, braço logístico da Transnordestina. A finalização da ferrovia e do terminal está prevista para o segundo semestre de 2027. A projeção é iniciar as primeiras operações no começo de 2028. A Transnordestina será transformadora para o Pecém, ampliando a competitividade e reduzindo custos logísticos, especialmente para grãos e minérios.

ME – Para 2026, quais são as expectativas?
MQ – Temos um conjunto muito relevante de investimentos em andamento, como o novo parque de tancagem, voltado para granel líquido, um investimento da Dislub Equador. A operação deve começar em 2027. Há ainda o investimento superior a R$ 1 bilhão no terminal de GLP, resultado da fusão entre a Supergasbras e a Ultragaz, que amplia a capacidade logística do complexo. Na área industrial, temos o projeto de data center, considerado um dos maiores investimentos privados em curso no país, estimado em R$ 200 bilhões, já está em obras. Temos ainda o projeto da nova usina termelétrica do projeto Jandaia, com investimento estimado em R$ 6 bilhões das empresas Diamante Energia e Eneva, que disputarão o leilão de reserva de capacidade do Governo Federal, agora em março.
ME – Como estão avançado os projetos de Hidrogênio Verde?
MQ- O Operador Nacional do Sistema concedeu parecer de acesso à rede para empresas como a Casa dos Ventos e a Voltalia, o que resolve uma das principais questões, que era a disponibilidade de energia. A Casa dos Ventos já possui comprador garantido para a produção de amônia e deve tomar a decisão final de investimento no fim do ano. Estamos muito animados. É um volume expressivo de investimentos que impacta o Ceará, o Nordeste e o Brasil. O Pecém entra em um novo ciclo de expansão, com diversificação industrial e fortalecimento da sua posição estratégica.
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