
Os bons ventos sopram para o setor de data centers no Ceará. No intervalo de apenas dez dias, três grandes empreendimentos foram anunciados, com investimentos bilionários, consolidando Fortaleza como polo estratégico de infraestrutura digital no Brasil. E o mais recente é o mais grandioso de todos: a Omnia, plataforma de data centers hiperescaláveis do Fundo Pátria Infraestrutura V, em parceria com a Casa dos Ventos, anunciou a construção do maior data center da América Latina voltado à exportação de serviços digitais, projetado para atender grandes empresas globais de tecnologia e suas crescentes demandas por computação em nuvem (cloud) e inteligência artificial (IA). A instalação será implantada na Zona de Processamento de Exportação (ZPE Ceará), no Complexo Industrial e Portuário do Porto do Pecém.
O investimento inicial por parte da Omnia será de até US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões), voltados exclusivamente à construção da infraestrutura física do data center. O valor total do empreendimento, incluindo os aportes do cliente âncora em equipamentos de tecnologia da informação e os parques eólicos da Casa dos Ventos, poderá ultrapassar os R$ 50 bilhões, conforme estimativas de mercado divulgadas por fontes da agência Reuters. A operação será dedicada a um único cliente global, com fontes apontando a ByteDance, controladora do TikTok, como a ocupante exclusiva da capacidade inicial de 200 MW de TI.
Com início das obras previsto ainda para este ano, a entrada em operação está programada para o segundo semestre de 2027. O empreendimento terá capacidade inicial de 200 megawatts (MW) dedicada a tecnologia da informação, com consumo total de até 300 MW, tornando-se o maior data center individual do Brasil. O projeto recebeu autorização do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) para prestação de serviços ao exterior.
Projeto terá energia eólica dedicada e uso mínimo de água
A operação será abastecida com energia 100% renovável, proveniente de novos parques eólicos desenvolvidos exclusivamente pela Casa dos Ventos, que investirá R$ 3,5 bilhões na geração dedicada. Segundo a empresa, os parques serão construídos no Ceará ou no Piauí e conectados diretamente à instalação.
Para o resfriamento dos servidores, o projeto utilizará sistema de ciclo fechado com reuso de água, limitando o consumo diário a apenas 30 m³ — volume equivalente ao utilizado por cerca de 70 residências. Apenas 10% desse total será destinado ao sistema de refrigeração, com o restante voltado ao uso humano e predial.
De acordo com Rodrigo Abreu, CEO da Omnia e Operating Partner do Pátria Investimentos, o empreendimento inaugura a vocação exportadora do Brasil na economia digital. “Este passa a ser o primeiro voltado para exportação de dados no país. Ele inaugura de fato a vocação que o país tem no setor por conta da disponibilidade energética, localização privilegiada e conectividade internacional de fibra ótica”, afirmou à Reuters.
Ceará recebe três grandes investimentos no setor em dez dias
O anúncio da Omnia foi precedido por duas outras iniciativas no mesmo estado. No dia 3 de novembro, a Scala Data Centers comunicou a segunda fase de seu campus em Fortaleza, com investimento adicional de R$ 1,2 bilhão no bairro Praia do Futuro. A primeira fase, com R$ 250 milhões, está em fase final de construção e será entregue em 2026. A empresa opera com energia 100% renovável e índice de eficiência energética (PUE) de 1,35.
Já em 23 de outubro, a Tecto Data Centers inaugurou a unidade Mega Lobster, sua terceira no Ceará. O projeto tem capacidade total de 20 MW, com 4 MW já contratados, ocupa 13 mil m² e está conectado a 18 cabos submarinos internacionais. A empresa utiliza refrigeração sem água e prevê expansão da capacidade conforme a demanda.
Pecém poderá receber até 1,5 GW em novos data centers
A escolha do Pecém para receber o megaprojeto da Omnia não é isolada. Segundo Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, a empresa já possui contratos de conexão em andamento para atender outros empreendimentos no local, totalizando 1,5 gigawatt (GW) de capacidade em potencial. A tendência é que o Complexo do Pecém se consolide como uma zona dedicada a operações de tecnologia intensiva, com foco em exportação e alta eficiência energética.
Além da infraestrutura técnica, o projeto prevê geração de empregos diretos e indiretos, formação de mão de obra, pesquisa aplicada e projetos socioambientais em articulação com governos locais. A localização em ZPE garante incentivos fiscais e acesso a rotas de dados internacionais por meio dos cabos de fibra óptica que chegam à capital cearense.
Brasil é 12º no ranking global de data centers
De acordo com dados do setor, o Brasil ocupa a 12ª posição global em número de data centers, com aproximadamente 195 unidades em operação. A expectativa é que o mercado nacional movimente US$ 3,5 bilhões por ano até 2029, impulsionado pelo crescimento da demanda em cloud, IA, segurança digital e serviços corporativos.
No Nordeste, o Ceará lidera esse movimento, com infraestrutura, incentivos e disponibilidade energética renovável. A sucessão de anúncios reforça o posicionamento do estado como destino preferencial para investimentos em tecnologia de alto valor.
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