
Enfrentando um período de crise, o setor sucroenergético de Alagoas entregou à Secretaria da Fazenda do estado (Sefaz) um documento com demandas e solicitações para minimizar os impactos no setor canavieiro. O Governo de Alagoas disse que estuda medidas de apoio aos produtores.
Com a safra praticamente encerrada no estado, produtores tiveram perdas superior a 20% na produção 2025/2026, reflexo de condições climáticas adversas, já que choveu menos que o necessário, além de dificuldades na manutenção dos canaviais, retração de preços e aumento dos custos de produção, o que está comprometendo a renda no campo e colocando em risco a sustentabilidade da atividade em todo o estado.
O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes disse que foi procurado pelo Executivo estadual para ouvir as demandas e abrir diálogo com o setor.
“A Asplana mais uma vez cumpre seu papel de liderança, representando com firmeza os fornecedores de cana. A Secretária Renata compreende a gravidade do momento e que vai nos ajudar a levantar essa bandeira em busca de soluções reais. Vamos convocar todas as associações que representam o setor em Alagoas, para juntos sermos mais fortes e conquistarmos medidas concretas que amenizem essa crise, especialmente para o pequeno produtor, que é a nossa maior preocupação”, disse Antunes.
Ao final da reunião, ficou definido que a Asplana encaminhará à Sefaz-AL um conjunto de informações técnicas e dados setoriais que permitirão à secretaria mensurar com maior precisão os impactos da crise sobre a economia e as finanças de Alagoas. A partir desse diagnóstico, o Governo do Estado irá analisar as possibilidades de apoio ao setor diante do cenário apresentado.
A Sefaz disse ainda que a condução do tema segue alinhada à responsabilidade fiscal e ao compromisso com o desenvolvimento econômico do estado. “Antes da definição de medidas, a secretaria prioriza a análise dos efeitos da crise, tanto para os produtores quanto para as finanças públicas, garantindo que eventuais ações sejam efetivas, sustentáveis e direcionadas a quem mais precisa”, ressaltou a secretária da pasta, Renata Santos.

Usinas de Alagoas produziram mais etanol que açúcar
Considerada ruim pelos produtores, a safra 2025/2026 foi encerrada com um resultado bem próximo ao registrado no ciclo anterior, com crescimento de 0,15% no total de cana processada.
Segundo dados do Sindicato da Indústria do Açúcar e Etanol em Alagoas (Sindaçúcar), o último boletim de produção da safra em Alagoas, divulgado no último dia 17 de abril, aponta que o estado moeu 17, 6 milhões de toneladas de cana. Deste montante, foram produzidas 1.392.574 toneladas de açúcar e 472,913 milhões de litros de etanol.
O total de cana processado nesta safra é 0,15% maior que o registrado no período entre 2024 e 2025, quando o estado moeu 17,4 milhões de toneladas de cana. Já a produção de etanol cresceu 16,8% em comparação à última safra.
Com isso, 12 das 15 usinas em operação neste ciclo em Alagoas produziram mais etanol do que açúcar. Dados do Sindicato apontam ainda que das mais de 17 milhões de toneladas de cana processadas no ciclo atual, mais de 2,9 milhões de toneladas tiveram como destino a produção de etanol.
“Esse resultado ocorreu porque existiu muita cana própria de usina, plantio que foi feito no ano anterior e muita compra de cana de outros estados. Esse dado acaba não representando a situação terrível que os produtores de cana de Alagoas vêm passando esse ano por conta de redução de safra. O clima foi muito severo, a safra não desenvolveu e, além disso, o ATR caiu 40% em comparação a safra anterior”, explicou ao Edgar ao Movimento Econômico.
Com resultados abaixo do esperado pelo setor, a expectativa para a próxima safra é de que haja uma recuperação, sobretudo no plantio da cana e um novo fôlego nos preços praticados no mercado para o açúcar.
“As chuvas já estão melhores neste momento, as socarias rebrotaram, mas há ainda muita preocupação com relação ao trato da cana, uma vez que não tivemos preço, as contas não fecham e muitas usinas não pagaram totalmente os fornecedores. Temos unidades que pediram três meses para pagar os fornecedores, então a crise no setor é muito grande e o produtor vem sentindo isso”, afirmou o presidente da Asplana.
Leia Mais: NE 4.0 chega a Alagoas em meio à transição da base industrial estadual










