
A indústria nacional registrou uma variação positiva de 0,1% na passagem de fevereiro para março de 2026, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento. Embora o avanço mensal pareça tímido, o desempenho consolida uma trajetória de recuperação para o setor, que acumula uma alta de 3,1% no primeiro trimestre do ano. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado atual, a produção industrial brasileira encontra-se 3,3% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, período que antecedeu a crise sanitária global. No entanto, o setor ainda enfrenta o desafio de recuperar o fôlego histórico: o nível de produção atual permanece 13,9% abaixo do recorde alcançado em maio de 2011, evidenciando que a retomada total ainda é um processo de longo prazo.
Os números fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), que monitora a saúde do setor fabril no país. De acordo com o levantamento, o crescimento de março foi acompanhado por um avanço em todas as quatro grandes categorias econômicas e em oito dos 25 ramos industriais pesquisados, demonstrando que, embora a alta tenha sido pequena na média, houve focos importantes de expansão.
Combustíveis e química puxam o desempenho positivo
O setor de energia e derivados foi o grande protagonista do mês. A atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou um salto de 2,2%. Este é o quarto mês seguido de alta para o segmento, que já acumula um crescimento expressivo de 11,5% em apenas 120 dias.
Outro destaque relevante veio da indústria química, que cresceu 4,0% em março. O gerente da PIM, André Macedo, explica a relevância desses movimentos para o fechamento do índice mensal.
“Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,2%) e produtos químicos (4,0%), com a primeira marcando o quarto mês consecutivo de crescimento e acumulando expansão de 11,5% neste período; e a segunda eliminando o recuo de 1,5% verificado em fevereiro”, detalha Macedo.
Além dos combustíveis e químicos, a indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias também contribuiu para o saldo positivo com uma alta de 1,1%. O setor metalúrgico (1,2%) e a fabricação de máquinas e equipamentos (1,0%) foram outras atividades que ajudaram a manter o indicador no campo positivo, reforçando o peso da indústria de transformação no resultado de 2026.
Setores de consumo e vestuário registram perdas
Apesar da média positiva, 16 das 25 atividades pesquisadas apresentaram recuo na produção, sinalizando que a recuperação não é homogênea entre os diferentes nichos. O setor de bebidas, por exemplo, caiu 2,9%, interrompendo uma sequência de três meses de ganhos. Já o segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos recuou 3,9%, agravando a queda que já havia sido observada no mês anterior.
As perdas foram sentidas de forma mais aguda em setores ligados ao consumo direto das famílias e bens duráveis de menor valor. A fabricação de móveis despencou 6%, enquanto o setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios registrou baixa de 4,1%.
Esses números sugerem que, enquanto a indústria de base e energia avança, o consumo de bens de uso cotidiano ainda sofre com a oscilação do poder de compra.
O IBGE também destacou outras áreas que pesaram negativamente no índice de março.
“Vale destacar também os impactos negativos assinalados pelos setores de móveis (-6%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,1%), produtos alimentícios (-0,5%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,9%)”, aponta o instituto em sua análise técnica.
Desafios estruturais para o restante de 2026
A trajetória da indústria ao longo do ano será definida pela capacidade de os setores que recuaram em março reverterem o sinal negativo. Segmentos como celulose e papel (-1,3%) e equipamentos de informática e eletrônicos (-2,3%) também fecharam o mês no vermelho, assim como o setor de produtos de madeira, que teve uma retração de 4,4%.
A variação de 0,1% em março, embora signifique estabilidade, mantém o otimismo cauteloso por causa do acumulado de 3,1% no ano. O desafio para os próximos meses é garantir que o crescimento saia da dependência quase exclusiva de derivados de petróleo e veículos para atingir os setores de bens de consumo, que são grandes geradores de emprego no varejo.
Com informações da Agência Brasil.
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