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Solar cresce 17% e Alagoas investe R$ 4,8 mi em estudo para atrair projetos

Estudo coordenado por governo, FIEA e SENAI quer ampliar competitividade e posicionar Alagoas na rota da nova economia verde
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Crescimento de energia solar em Alagoas
Instalação de placas de energia solar tem aumentado em Alagoas, reforçando potencial de geração de energia limpa. Foto: Divulgação

Alagoas vive um momento de consolidação na transição energética e registra crescimento aproximado de 17% nas instalações de energia solar, acompanhando o avanço nacional da fonte fotovoltaica. Ao mesmo tempo em que o mercado amadurece, com abertura de novas empresas e maior profissionalização da cadeia produtiva, o governo estadual e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) anunciaram investimento de R$ 4,8 milhões para a elaboração do Novo Atlas Solar e Eólico para orientar a atração de projetos de maior escala e posicionar o estado na rota dos investimentos em energia limpa.

Segundo dados do último Atlas Solar e Eólico, mais de 80% da produção primária de energia em Alagoas já provém de fontes renováveis, praticamente o dobro da média brasileira. O desafio do poder público é transformar potencial técnico em planejamento estruturado, oferecendo segurança jurídica, previsibilidade e informações detalhadas para investidores nacionais e internacionais.

Um estudo do Sebrae aponta que em 2024 a energia solar liderou o crescimento da matriz elétrica brasileira, com aumento superior a 20 terawatts-hora, superando outras fontes. Na micro e na minigeração distribuída, o crescimento foi de aproximadamente 36,5% no país, com 97% desse volume proveniente da fonte solar.

Com base nos dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 2025, Alagoas soma 12.083 unidades de geração distribuída (GD) conectadas, distribuídas em 102 municípios. A potência instalada alcança129.777,11 kW, com 16.506 unidades consumidoras recebendo créditos de energia no sistema.

Em Alagoas, o crescimento impulsionou a abertura de empresas na cadeia fotovoltaica, especialmente nos segmentos de instalação, manutenção, consultoria e comercialização de sistemas. O pico de novos empreendimentos ocorreu em 2024, marcando um período de forte expansão. Em 2025, o ritmo desacelerou, mas o saldo permanece positivo, indicando que o setor começa a sair da euforia inicial e entra em uma fase de consolidação mais racional.

Os dados também revelam desafios estruturais. A taxa de mortalidade empresarial no setor solar no estado chega a 27,2%, indicando que o crescimento acelerado exige qualificação técnica e gestão eficiente. Entre as empresas acompanhadas pelo Sebrae, no entanto, a taxa cai para 5,1%, evidenciando a importância do suporte institucional para garantir sustentabilidade e longevidade aos negócios.

Para o Sebrae Alagoas, o momento exige profissionalização. “A energia solar é estratégica para o desenvolvimento do estado. Não basta estimular a abertura de empresas, é preciso garantir que esses negócios sejam competitivos, estruturados e preparados para crescer de forma consistente”, afirma Rodrigo Granja.

A instituição trabalha a energia sob duas perspectivas complementares: como insumo estratégico, capaz de reduzir custos operacionais e ampliar a competitividade das empresas, e como oportunidade de negócio, estruturando uma cadeia produtiva local alinhada à transição energética.

Assinatura Novo Atlas da energia Eólica e Solar de Alagoas
Federação das Indústrias e Governo de Alagoas farão novo estudo para reposicionar mercado de energia renovável. Foto: Thiago Sampaio

Estudo de R$ 4,8 mi quer posicionar Alagoas na rota dos investimentos

Se o crescimento da energia solar mostra dinamismo na base do mercado, o Novo Atlas Solar e Eólico pretende transformar potencial técnico em planejamento estruturado para projetos de maior escala.

O governo de Alagoas e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) assinaram contrato no valor de R$ 4,8 milhões para a elaboração do estudo, que atualizará o último Atlas lançado em 2008. Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics), em parceria com a FIEA e o Senai, o levantamento será responsável por mapear com precisão os melhores pontos para implantação de projetos solares, eólicos e sistemas híbridos integrados ao chamado corredor azul do gás natural.

Para o presidente da FIEA, José Carlos Lyra de Andrade, o Atlas é instrumento de competitividade. “Vivemos uma fase marcada pela transição energética e pela valorização de territórios que oferecem segurança jurídica, infraestrutura e planejamento de longo prazo. Energia é infraestrutura estratégica. Sem segurança energética não há indústria forte, não há crescimento sustentável”, afirmou.

O governador Paulo Dantas reforçou que o investimento tem caráter estruturante. “Precisamos trabalhar com diagnóstico técnico e mostrar ao mundo que o estado oferece segurança para o empresário investir. O valor aplicado é pequeno diante do retorno que esse mapa vai trazer para o desenvolvimento de Alagoas”, declarou.

Elaborado pelo Senai Alagoas, com apoio do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis do Rio Grande do Norte, referência nacional na área, o Atlas deverá indicar áreas prioritárias, condições técnicas, incidência solar, regime de ventos e viabilidade ambiental, criando base científica para a atração de novos empreendimentos industriais ligados às energias renováveis.

Leia mais: Alagoas exporta inovação: concreto nanocelular desperta interesse alemão

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