
Uma empresa alagoana tem apostado na engenharia de materiais e na industrialização como caminho para ganhar escala e competitividade na construção civil. Instalada em Marechal Deodoro, a Isobloco desenvolve sistemas construtivos à base de concreto nanocelular e vem ampliando sua presença no mercado nacional com soluções voltadas à redução de custos, eficiência energética e menor impacto ambiental. O avanço tecnológico da companhia agora abre espaço para uma nova etapa: a inserção em mercados internacionais por meio de conexões estratégicas na Alemanha.
Criada em 2018 pelo engenheiro mecânico Henrique Ramos, a empresa estruturou seu modelo de negócio a partir da industrialização da construção civil, combinando pesquisa em engenharia de materiais e processos modulares.
O sistema desenvolvido utiliza concreto leve nanocelular e componentes pré-fabricados que reduzem o consumo de insumos, aceleram a execução das obras e ampliam o controle de qualidade. A proposta é substituir métodos convencionais marcados por desperdício e baixa previsibilidade por uma lógica mais próxima da manufatura industrial.

A tecnologia também permite diminuir significativamente o uso de cimento, um dos principais responsáveis pelas emissões de carbono na construção civil, além de reduzir o volume de resíduos gerados durante a execução. A empresa desenvolveu ainda sistemas modulares que eliminam etapas tradicionais da obra, simplificando a montagem e aumentando a previsibilidade técnica e financeira dos projetos.
“Hoje atendemos diversos equipamentos públicos com nosso material, como escolas, hospitais, UPAs e creches. Em Pernambuco, fechamos com a Plataforma Engenharia uma parceria e eles irão utilizar nossos produtos em 36 creches”, explicou o CEO da Isobloco, Henrique Ramos.

Indicadores ambientais reforçam eficiência na construção civil
Nos últimos 12 meses, a operação da Isobloco registrou a comercialização de cerca de 25 mil metros quadrados em soluções construtivas, resultado que a empresa associa a ganhos de eficiência produtiva e redução de impacto ambiental. Segundo dados do relatório de sustentabilidade da companhia, a tecnologia permitiu a economia de aproximadamente 3.794 toneladas de CO₂ equivalente, considerando todo o ciclo de vida das edificações.
A isobloco também estima uma economia acumulada de 184 mil kWh em consumo energético, em função do desempenho termoacústico dos sistemas, que reduzem a necessidade de climatização artificial. Na gestão de resíduos, o modelo industrializado opera com volume até 15 vezes inferior ao da construção convencional, com reaproveitamento integral das sobras produtivas.
“O Sistema Construtivo da Isobloco está alinhado à Resolução CGIEE nº 4/2025, que estabelece índices mínimos obrigatórios de eficiência energética para edificações, com cronograma escalonado para edificações públicas a partir de 2027 e privadas a partir de 2030, prevendo a aplicação das penalidades previstas na Lei nº 9.933/1999 em caso de descumprimento. A tecnologia do concreto nanocelular da Isobloco permite atender a essas exigências por meio de um sistema construtivo nacional que incorpora desempenho energético do invólucro desde a concepção da edificação”, explicou Henrique.
Outro dado destacado pela companhia é a aquisição de 15 mil litros de óleo vegetal reciclado para uso no processo fabril, o que teria evitado a contaminação potencial de até 375 milhões de litros de água. A estratégia integra o conceito de economia circular adotado pela empresa, que inclui ainda o reaproveitamento de insumos e materiais dentro da própria cadeia produtiva.
“Nosso sistema reduz em até 40% o tempo de conclusão de obra quando comparado a métodos tradicionais. Com isso, já ultrapassamos os R$ 10 milhões em faturamento anual”, disse o CEO.

Conexões na Alemanha fortalecem atuação na construção civil global
Recentemente, a Isobloco foi selecionada para o Partnering in Business with Germany, programa do Ministério Federal da Economia e Energia da Alemanha voltado à internacionalização de pequenas e médias empresas. A iniciativa conecta companhias de países parceiros a empresas alemãs, com foco na formação de parcerias industriais e comerciais de longo prazo.
A participação no programa insere a empresa alagoana em uma agenda estratégica de cooperação tecnológica e acesso ao mercado europeu, ampliando as possibilidades de intercâmbio técnico e comercial. A expectativa da companhia é estabelecer conexões que possam resultar tanto em transferência de tecnologia quanto em novos contratos e projetos conjuntos.
A empresa também possui outros reconhecimentos internacionais. Em 2024, a Isobloco conquistou o terceiro lugar no Green and Digital Startup Awards, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), na categoria Economia Circular. A empresa também participou do programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil, além de integrar iniciativas com a Habitat for Humanity e o Impact Hub UK, voltadas à promoção de soluções sustentáveis para habitação.
Em janeiro, foi selecionada pela Caixa Econômica para o programa TEIA de Startups da Caixa, que vai permitir desenvolver soluções construtivas que unem engenharia, sustentabilidade e viabilidade econômica.
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