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Paraíba consolida ritmo de crescimento e descola do desempenho nacional

​O equilíbrio rigoroso das contas públicas e a expansão exponencial do setor de serviços blindam a Paraíba contra a volatilidade externa e garantem projeções de PIB muito acima da média brasileira
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João Pessoa capital da Paraíba PB
O turismo paraibano deixou de ser uma atividade sazonal para se tornar uma engrenagem permanente de ocupação hoteleira e demanda por infraestrutura urbana. Foto: Hugo Fabricio/Unsplash

A Paraíba desenha em 2026 um cenário de resiliência que desafia a gravidade dos juros altos no Brasil. Enquanto Brasília lida com a volatilidade das metas fiscais, o estado nordestino ancora sua estabilidade com responsabilidade nas contas públicas e um setor de serviços que representa cerca de 80% do PIB estadual. Com uma projeção de crescimento de 3,5% para este ano, segundo resenha recente do Banco do Brasil, o desempenho paraibano supera com folga a média nacional de 2,0%, colocando o estado no restrito pelotão de elite das economias mais dinâmicas do país.

​Esse fôlego financeiro não é um fenômeno de safra isolada, mas o resultado de uma trajetória estrutural que vem se desenhando desde a década passada. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-PB), a massa salarial local se mantém aquecida, alimentada por um mercado de trabalho formal que atingiu o patamar de 545.915 empregos em dezembro de 2025.

​O vigor econômico é sustentado por uma dominância esmagadora do setor terciário, que hoje representa a maior fatia do Valor Adicionado Bruto estadual. O avanço no PIB per capita, que saltou para R$ 24.395 com alta nominal superior a 12%, sinaliza que a geração de riqueza está finalmente encontrando o bolso do cidadão.

Para os investidores, a Paraíba deixou de ser apenas uma promessa regional para se tornar um porto seguro de previsibilidade institucional e retorno de capital. A arquitetura dessa estabilidade passa pela gestão pública.

De acordo com Gilmar Martins, secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão da Paraíba, o estado alcançou em 2023 um PIB de R$ 96,96 bilhões, com crescimento real de 3,0%. Ele destaca que a economia é puxada principalmente pelo setor de serviços, que responde por 80,7% do valor adicionado.

“A ampliação de obras estruturantes de infraestrutura e a atração de novos empreendimentos, especialmente em energias renováveis, construção civil e logística, criam um ambiente favorável à expansão produtiva”, afirma o secretário.

Segundo dados recentes da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, a Paraíba encerrou 2025 com a 2ª maior taxa de crescimento do País. De acordo com o levantamento, o estado apresentou alta de 5,7% no setor, o dobro do crescimento do país (2,8%).

Paraíba lei turismo gastronômico
Segundo a Fecomércio-PB, o setor de serviços influencia nos outros setores, potencializando a gastronomia, hotelaria, restaurantes, transporte, e gerando demanda para empresas de turismo e comércio. Foto: Secom Paraíba/Divulgação

​O motor da hospitalidade da Paraíba

O recente salto no volume de visitantes em João Pessoa e no litoral mudou a cara do setor de serviços. O turismo deixou de ser uma atividade sazonal para se tornar uma engrenagem permanente de ocupação hoteleira e demanda por infraestrutura urbana.

José Marconi Medeiros, presidente da Fecomércio-PB, observa que esse movimento atua como um multiplicador. “O setor turístico gera maior demanda em vários setores, a exemplo de hotéis, restaurantes, transporte, empresas de turismo e comércio. Não vejo esse movimento apenas como um ciclo de curto prazo, mas como um motor essencial das projeções otimistas”, explica o dirigente.

​A infraestrutura dedicada a esse segmento recebeu aportes pesados, como o Polo Turístico Cabo Branco e novos centros de convenções em João Pessoa e Campina Grande. Esses ativos elevam o teto de gastos do visitante e garantem que o fluxo de capital permaneça circulando dentro do estado por mais tempo.

“A Pesquisa Anual do Desempenho do Turismo na Região Metropolitana de João Pessoa, realizada pelo Instituto de Planejamento, Estatística e Desenvolvimento da Paraíba (INDEP), aponta que mais de 98% dos visitantes manifestam o desejo de retornar à região. Assim, o setor turístico gera maior demanda em vários setores”, explica José Marconi.

João Pessoa capital da Paraíba PB
Construção vem ganhando impulso na capital paraibana, favorecendo toda uma cadeia produtiva geradora de empregos. Foto: Hugo Fabricio/Unsplash

​Segurança jurídica e o apetite privado

O empresariado local parece ter encontrado o ambiente de baixa turbulência que tanto buscava. O otimismo para 2026 está calcado em parcerias que garantem incentivos concretos e uma clareza nas regras do jogo.

Marconi Medeiros ressalta que o equilíbrio nas contas públicas gera um ambiente de segurança tanto para a população quanto para quem decide empreender. “O otimismo dos empresários do setor terciário se apoia em um ambiente de negócios estável e com incentivos concretos. Esse quadro consolida segurança jurídica e condições mais favoráveis para empreender e gerar empregos no setor”, argumenta o presidente da Fecomércio.

​Ele explica que a integração entre o setor público e o privado tem sido o diferencial para manter o estado como um canteiro de obras e novos negócios. “O setor de comércio, serviços e turismo é atualmente responsável por cerca de 70% das vagas formais criadas no estado, conforme dados do Novo Caged”, ressalta.

​Energia e futuro sustentável

As energias renováveis surgiram como uma nova fronteira de investimentos, aproveitando o potencial natural do estado para o desenvolvimento de parques eólicos e solares. Gilmar Martins aponta que a indústria, com 14,5% de participação, é impulsionada justamente por essas fontes limpas e pela construção civil.

“A diversificação produtiva, os investimentos em energia, o dinamismo imobiliário e a modernização do campo explicam as projeções positivas e o fortalecimento da economia paraibana nos últimos anos”, detalha o secretário.

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