- Publicidade -

Mudança nas tarifas dos EUA só deve impactar açúcar de AL na próxima safra

Mesmo com retração nas exportações em janeiro, açúcar segue sendo o principal produto comercializado por Alagoas com outros países
- Publicidade -
Porto de Maceió embarque de açúcar
Mesmo com retração nas exportações, açúcar segue sendo o principal produto comercializado por Alagoas com outros países. Foto: Ascom Porto de Maceió

Depois da Suprema Corte dos Estados Unidos declarar ilegal as tarifas de 50% sobre produtos estrangeiros e Donald Trump anunciar uma nova sobretaxa temporária de 15%, o mercado sucroalcooleiro vem acompanhando com atenção os desdobramentos. Em Alagoas, no entanto o impacto prático das medidas na comercialização do açúcar deve ser sentido apenas na próxima safra, já que a atual temporada de comercialização está praticamente definida.

Na última sexta-feira (21), a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal as tarifas impostas a mais de 100 países em 2025, incluindo o Brasil.  Menos de 24 horas depois, Trump anunciou inicialmente uma tarifa global de 10% e depois elevou a alíquota para 15%, utilizando um dispositivo da Lei de Comércio de 1974 que permite a aplicação temporária de tarifas por até 150 dias, sem necessidade de autorização prévia do Congresso. A medida é vista como uma tentativa de contornar os efeitos da decisão judicial que havia derrubado o tarifaço de 2025.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, a decisão da Suprema Corte americana é positiva, mas o cenário ainda exige cautela.

“Essas decisões não nos alcançam mais nessa safra. Porém, estamos cautelosos na comemoração, pois ainda existem algumas etapas a serem observadas mesmo após a decisão”, afirmou.

Segundo ele, a maior parte da produção de açúcar da safra atual já está contratada, o que limita qualquer efeito imediato da reversão das tarifas. Além disso, o mercado de açúcar é regido por contratos internacionais e pelas oscilações das bolsas globais, o que impõe um tempo de ajuste entre decisões políticas e impactos comerciais efetivos.

Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar-AL
Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar-AL/Foto: divulgação

A estratégia de médio prazo passa pelo aumento da competitividade interna. A aposta do setor sucroalcooleiro alagoano é elevar o Açúcar Total Recuperável (ATR) e ampliar a eficiência produtiva, fatores que podem mitigar parte dos impactos provocados pelas oscilações internacionais.

As chuvas de verão são consideradas decisivas para o desempenho da próxima safra e o setor acompanha de perto os indicadores climáticos.

Balança comercial pressionada e dependência do açúcar

As mudanças tarifárias nos Estados Unidos ocorrem em um momento de fragilidade para o comércio exterior alagoano. Em janeiro de 2026, o estado exportou US$ 48,1 milhões e importou US$ 92,2 milhões, resultando em um déficit de US$ 44,1 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). Na comparação com janeiro de 2025, as exportações recuaram 53,8%, enquanto as importações cresceram 8,9%.

A forte retração está diretamente ligada à concentração da pauta exportadora. No primeiro mês de 2026, açúcares e melaços representaram 95,4% de tudo o que Alagoas vendeu ao exterior, evidenciando a elevada dependência do setor sucroenergético para o equilíbrio das contas externas.

Mesmo com a queda no volume exportado, o estado manteve relações comerciais com Iêmen (22,4%), Portugal (21,8%), Marrocos (20,4%), Senegal (12,1%) e Geórgia (16%), que absorveram parte significativa da produção alagoana. 

Em meio à volatilidade do mercado internacional e à elevada concentração das vendas externas no açúcar, a diversificação da pauta exportadora passou a ocupar posição central na estratégia econômica de Alagoas. Para a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), reduzir a dependência do setor sucroenergético é fundamental para tornar a balança comercial menos vulnerável às oscilações externas.

Segundo a gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEA, Dielze Melo, o resultado negativo de janeiro evidencia essa fragilidade. “O déficit de US$ 44,1 milhões também se explica pela ausência do minério de cobre na pauta exportadora de janeiro, um produto que se tornou significativo para a balança comercial do estado”, afirmou.

Ela destaca ainda que o açúcar atravessa um momento delicado no mercado internacional. “O açúcar é uma commodity muito regida pela bolsa, então está extremamente sujeito às variações do mercado. Além disso, houve impacto da isenção tarifária do açúcar orgânico destinado aos Estados Unidos, que após o tarifaço passou a ser taxado”, explicou.

Nos últimos anos, o minério de cobre consolidou-se como um dos principais produtos de exportação do estado, abrindo mercados como Canadá, Singapura, Argélia e China e contribuindo para reduzir a concentração histórica no setor sucroenergético.

Outros segmentos despontam como alternativas de diversificação da pauta. A indústria de placas cerâmicas é vista pelo CIN como produto com potencial de expansão internacional, enquanto a fruticultura, especialmente coco e derivados, surge como opção relevante dentro do agronegócio. “A fase é de adaptação das vendas a novos mercados. Em janeiro, por exemplo, tivemos Iêmen e Marrocos absorvendo grande parte da produção de açúcar de Alagoas”, acrescentou Dielze.

Além da diversificação setorial, a atração de novas indústrias tem reforçado o movimento de redução da dependência da cana-de-açúcar. Segundo Dielze, as empresas contam com apoio técnico para acessar novos mercados. “O Centro Internacional de Negócios auxilia na preparação para o comércio exterior, especialmente na parte de documentação e orientação para adequação aos mercados internacionais”, finalizou.

Leia Mais: Gestão e dados no campo impulsionam nova fase da pecuária em Alagoas

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -