
O setor supermercadista de Alagoas vai encerrar o ano de 2025 contabilizando um crescimento de 5,5% no faturamento em comparação aos valores contabilizados no ano anterior. Segundo projeções da Associação de Supermercados de Alagoas (ASA) o faturamento do setor encerra o ano em R$ 21,7 bilhões.
Em entrevista ao Movimento Econômico o presidente da ASA, Raimundo Barreto, o ano termina de forma positiva e com diversos avanços. Ele cita o crescimento de diversas redes de supermercados de Alagoas, tanto com unidades em Maceió quanto em cidades do interior, oferecendo aos consumidores mais opções de lojas para realizarem suas compras.
“Este ano o setor inovou bastante, foi um ano muito positivo e vamos encerrar com um aumento no faturamento de 5,5% em comparação a 2024, que acumulou R$ 20,6 bilhões e já foi muito satisfatório”, disse.
Para o ano de 2026, as expectativas para o setor são positivas, com a continuidade da expansão de marcas alagoanas de supermercados e no investimento em tecnologias para melhorar modelos de negócios, tanto de pequenos mercados a grandes redes locais.
“Nós temos redes como Unicompra, São Domingos, Preço Bom, por exemplo, que estão investindo na abertura de novas lojas, tanto aqui em Maceió quanto no interior do estado e isso é muito importante, pois vemos que há espaço para o setor crescer, o que vai refletir em números ainda melhores lá na frente. Então a Associação segue apoiando os empresários alagoanos e projetando um ano de 2026 com resultados ainda melhores”, destacou o empresário.
Mudanças no ICMS de Alagoas acendem alerta nos supermercados
O setor de supermercados responde atualmente em Alagoas por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) de Alagoas. Os supermercados do estado geram, segundo dados da Associação da categoria, 29.694 empregos formais e injetam cerca de R$ 30,7 milhões em salários todos os meses. A arrecadação tributária atualmente está em 20% do ICMS de todo o varejo estadual, com um crescimento de 17,8% na arrecadação em 2023.

A proposta de aumento da alíquota do ICMS de 19% para 20,5% em Alagoas vem sendo acompanhada com preocupação pelo setor supermercadista. O presidente da ASA destacou que a possível mudança, recairá sobre o consumidor final.
Segundo ele, o momento é de buscar soluções que favoreçam o crescimento do setor, como a recente liberação para instalação de farmácias dentro dos supermercados, um avanço que, na visão do dirigente, oferece mais comodidade e economia à população. “Estamos com uma alíquota de 19% e querem taxar em 20,5%. Isso é ruim para o nosso setor e para os consumidores, porque infelizmente cai no bolso do consumidor final”, alertou Raimundo Barreto.
O projeto de lei, de autoria do Executivo Estadual, tramita na Assembleia Legislativa de Alagoas e tem gerado reações de diferentes entidades representativas. No último dia 15 de dezembro, quinze federações e associações ligadas ao setor produtivo divulgaram uma nota conjunta na qual manifestam preocupação com o impacto da medida.
Além da elevação da alíquota padrão, a proposta também prevê a restauração do recolhimento adicional ao Fundo de Equilíbrio Fiscal do Estado de Alagoas (FEFAL), medida que, segundo o setor, tende a ser repassada aos preços e afeta diretamente o consumo e a atividade econômica. A combinação das duas iniciativas pode fazer com que a carga tributária sobre o consumo atinja até 22,5%.
Embora o governo defenda o pacote fiscal como forma de alinhar Alagoas à média tributária do Nordeste e garantir equilíbrio nas contas públicas, as entidades empresariais argumentam que o momento exige cautela.
Elas reforçam que, mesmo diante de resultados fiscais positivos divulgados pelo próprio Executivo, elevar impostos sobre o consumo pode comprometer a competitividade das empresas, o poder de compra da população e a geração de empregos. No centro do debate, está a defesa por maior eficiência nos gastos públicos, combate à evasão fiscal e ampliação da base econômica como caminhos mais sustentáveis para garantir justiça fiscal e crescimento.
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