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Obra de esgoto cessa abastecimento d’água em Piedade há cerca de 30 dias

Intervenção da BRK e Compesa na rede de esgoto, no bairro de Piedade, interrompe abastecimento há 30 dias e causa transtornos a moradores e comerciantes em Jaboatão dos Guararapes
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Após o fechamento das valas abertas pela empresa BRK, de acordo com os denunciantes, surgiram vazamentos ocultos que impedem a pressurização da rede e comprometem o abastecimento d’água. Foto: Cortesia

​O bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, registra a interrupção total do abastecimento de água em quatro ruas há mais de 30 dias. O desequilíbrio na rede hídrica, segundo os moradores, foi desencadeado por intervenções na infraestrutura da rede de esgoto conduzidas pela empresa BRK, sob supervisão da Compesa. A execução do serviço supostamente resultou no rompimento de tubulações de distribuição, gerando transtornos para moradores e comerciantes, que agora recorrem ao mercado privado de carros-pipa.

​O problema atinge diretamente as famílias na rua Professor Jorge Cahu e adjacências. Sem cronograma de normalização, o desabastecimento ocorre paralelamente à manutenção da cobrança tarifária integral pela Compesa, gerando um cenário de ineficiência na prestação do serviço público.

A suposta falha técnica de engenharia imobilizou o fluxo hídrico local, afetando a produtividade de pequenos negócios e a segurança sanitária de residentes em tratamento de saúde.

A paralisia do sistema hídrico é agravada pela dificuldade técnica das equipes de campo em identificar o ponto exato da obstrução, apontam os moradores. Após o fechamento das valas abertas pela BRK, surgiram vazamentos ocultos que impedem a pressurização da rede.

Para mitigar o risco sistêmico, a Compesa afirma ter iniciado o atendimento emergencial via carros-pipa, entretanto a medida é insuficiente para cobrir a demanda reprimida de um mês de interrupção em áreas residenciais de alta densidade.

​Ineficiência operacional e custo de oportunidade

​A ausência de água tratada altera a dinâmica econômica de microempreendedores como Reinaldo de Lima, que opera um comércio na região. A interrupção prolongada obriga a alocação de recurso próprio para a compra de água. Segundo ele, o caos na via pública coincidiu com as escavações para a instalação de tubos sob o asfalto, etapa na qual o abastecimento foi comprometido.

​”Até então nunca havia falado antes em falta d’água. E isso está assim há mais de um mês. Em nossa casa moram também minha mãe, de 84 anos, e minha irmã que está em tratamento de câncer. A conta d’água chegou e está paga, mesmo sem ter o abastecimento”, relata o morador.

A falta de previsão para a retomada do serviço eleva a preocupação dos moradores, que já formalizaram denúncias à Compesa. O cenário também despertou a indignação de Alexandre Azamba, que confirma a abrangência do problema em pelo menos quatro vias do bairro.

Ele avalia que a escala do desabastecimento indica que o dano causado pela BRK durante a implantação da rede de esgoto na rua São Sebastião atingiu uma artéria principal de distribuição, o que explica a baixa pressão persistente nos imóveis vizinhos.

Dificuldade na localização de vazamentos ocultos

​A complexidade técnica de identificar avarias após o recapeamento ou fechamento de buracos prolonga o cronograma de reparo. O morador Jairo Júnior aponta que a empresa responsável pelo esgoto rompeu o cano de abastecimento e selou a via sem a devida correção estrutural. Agora, a busca pelo ponto de ruptura exige novas sondagens e pesquisas de vazamento, o que retarda a reativação da rede.

​”Eu estou comprando carro-pipa. A BRK estava fazendo o serviço do esgoto e quebraram o cano que abastece as casas. Agora, eles não sabem onde foi que quebrou, pois já faz mais de um mês que eles vêm abrindo vários buracos na rua”, detalha.

O custo acumulado com o transporte de água por fontes externas se torna um passivo financeiro crescente para a comunidade de Piedade.

O que disse a Compesa

​Em resposta ao Movimento Econômico, a Compesa reconheceu a gravidade da situação na rua Professor Jorge Cahu e admitiu que os problemas de baixa pressão surgiram imediatamente após a conclusão das obras de esgoto.

A companhia alega ter mobilizado equipes para realizar sondagens diárias na rede, buscando desobstruir os canais de fluxo que foram soterrados ou danificados pela operação da BRK. A expectativa da estatal é que a regularização ocorra com brevidade, embora não tenha estipulado uma data final para o conserto.

Enquanto a infraestrutura permanece inoperante, a Compesa diz manter a distribuição emergencial por carros-pipa mediante solicitação nos canais de atendimento. No entanto, a normalização definitiva depende da identificação do ponto cego gerado pelas obras de saneamento, um gargalo técnico que mantém Piedade sob regime de insegurança hídrica.

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