
A Mariotta Calçados, fabricante de calçados femininos fundada em 1985 em Jaú (SP), entra em plena operação em junho em Boquim, município do sul sergipano a 82 km de Aracaju, com investimento privado de R$ 5,57 milhões e projeção de 300 empregos diretos em três anos. A chegada da empresa consolida a política de atração industrial do Governo de Sergipe, que desde 2024 captou 30 empresas com apoio locacional via Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise), gerando mais de mil novos empregos e investimentos superiores a R$ 97 milhões no estado.
O projeto está na fase final de qualificação de mão de obra. Os trabalhadores passam por capacitação remunerada de seis meses por meio do Programa Primeiro Emprego (PPE), coordenado pela Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), com bolsas entre R$ 500 e R$ 750. O Núcleo de Apoio ao Trabalho (NAT) atua em paralelo na captação de profissionais com experiência para a demanda inicial da unidade. A produção arranca com 36 colaboradores, avançando para 64, depois 90, até atingir 300 empregos diretos ao final de três anos, segundo o gerente comercial Alex Rosalin.
A unidade inicia em junho com cerca de 300 pares diários de calçados femininos, com meta de alcançar mil pares por dia até o fim de 2026. A operação em Boquim foi concebida para ampliar a cobertura comercial da empresa nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Atualmente, a Mariotta produz 1,2 milhão de pares por ano, atua em 23 estados e exporta para 10 países.
Política de galpões como modelo de atração
A chegada da Mariotta é resultado direto da estratégia de disponibilização de galpões e terrenos industriais conduzida pela Codise. Das 48 empresas que receberam incentivos estaduais desde 2024, 30 tiveram apoio locacional por cessão, venda ou aluguel de espaços físicos. Para a Mariotta, o Governo de Sergipe autorizou a construção de dois novos galpões na área industrial de Boquim, em substituição à estrutura provisória usada na fase de treinamento. Os incentivos incluem ainda benefícios fiscais do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI), com descontos no ICMS calibrados por setor e localização.
Segundo Valmor Barbosa, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia, a oferta de galpões pelo PSDI é fator determinante para impulsionar a industrialização local. A escolha de Boquim — município sem tradição prévia no setor calçadista — como sede da unidade reflete o objetivo do programa de interiorizar a geração de emprego formal. A qualificação da mão de obra local foi apontada pela empresa como condição para a decisão de instalação. “Como Boquim não tinha tradição no setor calçadista, precisávamos qualificar essa mão de obra, e os incentivos e programas apresentados foram decisivos para a escolha do município”, afirmou Alex Rosalin.
Cadeia calçadista em expansão no estado
A Mariotta chega a Sergipe num contexto de expansão do setor calçadista no estado. Em agosto de 2025, a Di Valentini, calçadista catarinense captada pela mesma via Sedetec/Codise, inaugurou unidade em Carira com investimento superior a R$ 4,2 milhões. Em março de 2026, a empresa operava 179 empregos diretos entre as unidades de Carira e Nossa Senhora Aparecida — acima da previsão inicial de 150 postos —, com capacidade produtiva de até 1,6 mil pares diários em Carira e 6 mil pares por dia em Nossa Senhora Aparecida.
*Com informações do governo de Sergipe
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