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Acordo Mercosul-UE abre mercado para exportadores do NE na Europa

Acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor em 1º de maio e abre mercado europeu para frutas, agro e alimentos do Nordeste, que exportou US$ 24,8 bilhões em 2025
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Portos do Nordeste exportação de frutas RN Rio Grande do Norte Porto de Natal Codern Mercosul
Produtores do Nordeste e do Sudeste são apontados pela ApexBrasil como os mais beneficiados pelas cadeias de manga, melão, uva, limão e frutas processadas no acordo Mercosul-ue. Foto: Codern/Divulgação

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (1º de maio) com impacto direto sobre a pauta exportadora do Nordeste. Frutas frescas, castanha de caju, mel, cera de carnaúba e produtos alimentares industrializados — segmentos com forte presença na estrutura produtiva regional — passam a operar com alíquotas de importação reduzidas ou zeradas no bloco de 450 milhões de habitantes. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos brasileiros exportados à Europa terão tarifa zero já nesta fase inicial, num total de mais de 5 mil itens.

O tratado conecta dois dos maiores blocos econômicos do mundo e cria uma das maiores zonas de livre comércio em operação no planeta. Para o setor produtivo nordestino, a eliminação das barreiras tarifárias reduz o custo de entrada nos mercados europeus e amplia a competitividade frente a exportadores de países sem acordo equivalente com o bloco — como Peru, Chile e México, que já operam com isenção tarifária para frutas.

O Nordeste exportou US$ 24,8 bilhões ao mercado internacional em 2025 — o maior volume em três anos, segundo dados do Data Nordeste, plataforma da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Os produtos do reino vegetal lideraram a pauta, com US$ 6,9 bilhões, seguidos por minerais (US$ 4,6 bilhões) e produtos das indústrias alimentares (US$ 2,1 bilhões). Na Europa, os Países Baixos concentraram o maior volume de compras da região, com US$ 1,19 bilhão.

Ceará e fruticultura na linha de frente

O estado com maior exposição direta ao acordo é o Ceará. As exportações totais cearenses somaram US$ 2,28 bilhões em 2025, dos quais US$ 447 milhões19,5% da pauta — tiveram a União Europeia como destino. O agronegócio respondeu por US$ 150 milhões desse fluxo, equivalente a 30,3% de toda a venda agro do estado ao exterior. Segundo Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), a meta do setor é dobrar esse volume nos próximos anos, com a União Europeia assumindo posição central na estratégia exportadora.

A pauta frutícola nordestina é a mais diretamente beneficiada pela desgravação. No conjunto das exportações brasileiras de frutas à Europa em 2025, manga, melão, limão, melancia, uva e mamão somaram US$ 967 milhões e 949 mil toneladas embarcadas, ante US$ 857,6 milhões e 796,6 mil toneladas em 2024 — alta de 12,8% em valor e 19,1% em volume, segundo dados do MDIC. O continente europeu foi destino de 79% das frutas brasileiras exportadas no período. Produtores do Nordeste e do Sudeste são apontados pela ApexBrasil como os mais beneficiados pelas cadeias de manga, melão, uva, limão e frutas processadas.

As tarifas atuais sobre frutas brasileiras na Europa variam entre 4% e 14%, conforme o produto e a época do ano. A desgravação ocorre em prazos escalonados: a uva passa a entrar com tarifa zero de imediato; abacate em 4 anos; limão, lima, melão e melancia em 7 anos. Estimativas da ApexBrasil projetam crescimento de 40% no faturamento da fruticultura brasileira até 2029, alcançando US$ 1,8 bilhão.

O setor de pescados nordestinos — com destaque para camarão, peixes e lagosta — enfrenta restrição anterior ao acordo. Um bloqueio sanitário à exportação de pescados brasileiros para a União Europeia, em vigor desde 2018, ainda não foi derrubado, embora haja tratativas em andamento. Enquanto essa vedação persistir, o impacto do tratado sobre a cadeia pesqueira regional permanece suspenso na prática, independentemente da desgravação tarifária negociada.

Cronograma e próximas etapas do acordo Mercosul-UE

Para itens classificados como sensíveis, a redução tarifária ocorre de forma gradual: até 10 anos no lado europeu e até 15 anos no Mercosul. Em categorias específicas ligadas a novas tecnologias, o prazo pode chegar a 30 anos. O acordo foi promulgado pelo Congresso Nacional em março de 2026, após aprovação pelo Senado Federal.

O governo brasileiro ainda deve regulamentar a distribuição de cotas de exportação entre os países-membros do Mercosul — mecanismo necessário para definir como o volume de produtos com acesso preferencial ao mercado europeu será dividido entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A posição geográfica do Nordeste, com os portos de Pecém (CE), Suape (PE), Salvador (BA) e Natal (RN) já operando rotas internacionais, é apontada por especialistas como vantagem logística relevante para capturar os primeiros ganhos da nova fase comercial.

*Com informações da Agência Brasil

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