
Representantes das principais entidades empresariais e associativas do Polo de Confecções do Agreste pernambucano definiram, nesta quarta-feira (20), em Santa Cruz do Capibaribe, uma pauta unificada de reivindicações que será entregue à governadora Raquel Lyra na próxima segunda-feira (25), às 17h, no Palácio do Campo das Princesas, no Recife. O documento reúne demandas consideradas estratégicas para preservar a competitividade do polo, considerado o segundo maior polo têxtil do Brasil.
Três pontos foram definidos como prioritários para a conversa com a governadora: a exclusão do setor de vestuário da chamada “taxa das blusinhas”, a ampliação de programas de capacitação profissional e a construção de políticas estaduais para mitigar os impactos da reforma tributária.
A reunião foi realizada no Moda Center Santa Cruz e contou com a participação de empresários, representantes de sindicatos, associações comerciais, gestores municipais, lideranças da indústria e instituições como o Sebrae. Estiveram presentes representantes de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, as três cidades que concentram o núcleo produtivo do polo.
Segundo Wanberto Barbosa, diretor de Gestão Estratégica do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), o encontro teve como objetivo consolidar as preocupações do setor diante de mudanças tributárias e regulatórias que podem afetar diretamente a competitividade das empresas.
“Foi uma reunião muito boa e muito bem articulada. Todas as entidades que fazem parte do ambiente associativista do Polo de Confecção estavam presentes, além dos secretários de Desenvolvimento das três cidades. Toda a cadeia estava representada, desde confeccionistas até varejistas e fornecedores de tecidos e aviamentos”, afirmou.
Mobilização contra a taxação das importações
O principal pleito do setor é a articulação do governo de Pernambuco junto à bancada federal para defender a retirada dos artigos de vestuário da medida provisória que elevou a tributação sobre compras internacionais de baixo valor, medida que afeta especialmente plataformas de e-commerce asiáticas e pode provocar desequilíbrios no mercado.
“O que vamos pedir é que a governadora articule com a bancada pernambucana no Congresso para buscar a exclusão dos itens de vestuário da medida provisória”, explicou Barbosa.
Embora o setor reconheça que a taxação pretende equilibrar a concorrência com produtos importados, empresários argumentam que o texto atual ainda gera insegurança e pode provocar distorções na cadeia produtiva. Caso não seja possível alterar a legislação federal, a expectativa é de que o governo do Estado adote mecanismos de compensação temporária.
O presidente da Associação dos Sulanqueiros e Feirantes de Caruaru (ASFAC), Pedro Moura, defendeu que Pernambuco avalie a concessão de subsídios ou incentivos fiscais para reduzir os efeitos da nova tributação.
“Se não houver condição de mudar a legislação e voltar à tarifa anterior, esperamos que o governo do Estado possa criar um subsídio para que a gente não perca tanto”, afirmou. A ASFAC reúne cerca de 1.500 associados.
Já o síndico do Moda Center Santa Cruz, Tales Nery, evidenciou as ações que o governo estadual pode adotar. “Esperamos que o estado adote medidas que evitem perdas para o polo de confecções. Esperamos que a governadora seja sensível à nossa pauta”, disse. O Moda Center reúne 10.500 comerciantes. Em 2025, o faturamento foi de R$ 7,4 bilhões no espaço, contra R$ 6,2 bilhões de 2024.
Capacitação para o polo de confecções
Outro eixo considerado essencial pelos empresários é a qualificação da mão de obra. A avaliação do setor é de que o aumento dos investimentos em tecnologia nas empresas exige trabalhadores mais preparados para operar equipamentos e processos produtivos mais modernos.
Segundo Barbosa, há um movimento crescente de modernização das confecções do Agreste, impulsionado inclusive por financiamentos do Banco do Nordeste. No entanto, para que esses investimentos resultem em ganhos efetivos de produtividade, é necessário ampliar a oferta de capacitação técnica.
“Existe muita mão de obra disponível para ser capacitada em Pernambuco. Essa é uma demanda importante e, no médio prazo, pode trazer resultados muito positivos para o polo”, disse.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante das discussões nacionais sobre mudanças nas jornadas de trabalho. Para os empresários, elevar a produtividade será fundamental para compensar eventuais aumentos de custos operacionais.
Reforma tributária preocupa empresários
O terceiro ponto da pauta trata dos impactos da reforma tributária sobre a competitividade do Polo de Confecções. Como Pernambuco não possui uma cadeia têxtil plenamente verticalizada, grande parte da matéria-prima utilizada pelas indústrias locais é adquirida em outros estados, o que eleva custos logísticos e tributários.
Com o redesenho do sistema de incentivos fiscais, o setor teme perder competitividade frente a estados que concentram todas as etapas da cadeia produtiva.
“O governo estadual terá um papel preponderante na criação de políticas que mitiguem esses efeitos e permitam que o Polo continue desempenhando seu protagonismo nacional”, ressaltou Barbosa.
Além dos três temas prioritários, outras demandas relacionadas à infraestrutura, defesa comercial, antidumping do poliéster importado e fortalecimento do ambiente de negócios também foram registradas em ata. Segundo os participantes, esses assuntos deverão continuar sendo discutidos em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC).
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