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Mulheres ganham destaque no agro em Alagoas e viram case de sucesso

Mulheres já respondem por 29% da gestão de propriedades em AL; irmãs em Viçosa são case de sucesso com empresa de ovos
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Terceira edição do Mulheres no Agro Alagoas
Presidente do Sebrae, Domício Silva, destacou poder da mulher no agro alagoano durante evento em Maceió. Foto: Júlio Vasconcelos

Aos poucos, Alagoas vem consolidando uma nova configuração no campo: mais jovem, mais empreendedora e com mulheres assumindo funções estratégicas no comando de propriedades rurais, granjas, fábricas e projetos de inovação. As irmãs Isabela e Gabriela Carneiro hoje comandam um dos cases de sucesso do agro alagoano. Elas estão à frente da empresa Ovos Sabalangá, que já produz mais de 44 mil ovos por dia e abastece diferentes regiões do estado.

Com sede em Viçosa, município da Zona da Mata alagoana, a Ovos Sabalangá nasceu da sucessão de uma tradição familiar de mais de 35 anos na pecuária, comandada pelo pai das jovens empreendedoras. O novo negócio, voltado à avicultura, foi uma oportunidade para as irmãs descobrirem suas vocações na gestão empresarial e levar à frente a tradição familiar no agro alagoano.

Isabela, que é técnica veterinária e futura médica veterinária, assumiu a linha de frente da operação de avicultura, cuidando da fábrica de ração ao manejo das galinhas e ao controle sanitário do plantel. Já Gabriela, que é administradora com pós-graduação em marketing, coordena as áreas administrativa, financeira e de marketing da empresa. Juntas, estruturaram um modelo de gestão moderno, estratégico e comprometido com a eficiência.

A gente vive o negócio de ponta a ponta. Desde a escolha da linhagem das aves até a embalagem final que chega ao supermercado, estamos em todas as etapas”, afirma Isabela. Atualmente, o plantel da Sabalangá ultrapassa as 100 mil galinhas, sendo 44 mil em produção e outras 56 mil em fase de crescimento. A meta é ambiciosa, de atingir a marca de 1 milhão de ovos por dia nos próximos cinco anos.

Isabela e Gabriela Carneiro - Mulheres no Agro
Isabela e Gabriela Carneiro, da Ovos Sabalangá, apresentaram case de sucesso durante 3ª edição do Mulheres no Agro. Foto: Júlio Vasconcelos

Mesmo em fase inicial, já que a operação começou em 2023, a empresa já atende clientes em diferentes regiões de Alagoas, incluindo a capital. Com o selo SISBI em fase final de aprovação, a expectativa é expandir para o mercado nacional em breve. “A gente já consegue comercializar tudo o que produz, mas com o SISBI vamos alcançar novos estados. É mais um passo para fazer a Sabalangá crescer e se consolidar”, destaca Gabriela.

Mulheres ganham espaço na gestão do agro em Alagoas

O protagonismo das irmãs Carneiro reflete uma transformação silenciosa que vem tomando forma no campo alagoano. Se antes os negócios rurais eram vistos como herança restrita ao comando masculino, agora as mulheres passam a ocupar funções estratégicas, com preparo técnico, domínio da gestão e visão de futuro.

Segundo Juliana Almeida, representante de Alagoas na Comissão Nacional da Mulher da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 29% das mais de 24 mil propriedades registradas no estado já são comandadas por mulheres. O número expressivo acompanha a presença feminina nas cadeias de fruticultura, agricultura familiar e pecuária de corte em várias regiões do estado.

“Hoje não é só sobre estar na propriedade, é sobre liderar, decidir, inovar. As mulheres estão assumindo o protagonismo e isso se reflete na diversidade e na modernização do campo”, explica Juliana.

Ovos Sabalangá Alagoas
Ovos da Sabalangá já atendem mercado interno e tem projeção de exportar para outros estados. Foto: Divulgação

A história das irmãs de Viçosa ilustra essa virada. Assumir a gestão de uma granja com 400 funcionários não foi simples, nem isento de dúvidas. “Quando a gente entrou, não era nem uma questão de gênero. A insegurança vinha do tamanho da responsabilidade. Mas a gente foi ganhando credibilidade com resultados”, diz Gabriela.

“Você começa a se enxergar naquele espaço, vai se posicionando, se formando e mostrando que é capaz. O caminho vai se abrindo quando você está preparada. Mesmo jovem, se você trabalha com coerência e visão, as oportunidades chegam, completou Isabela”

O papel da Comissão Mulheres do Agro

A participação ativa das irmãs na Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas, vinculada ao Sistema Faeal/Senar, também tem fortalecido a jornada delas. O grupo busca ampliar a participação feminina no setor agropecuário, promovendo capacitação, acesso a políticas públicas, redes de apoio e espaços de representatividade.

“A comissão permite que a gente veja outras realidades, conheça outras histórias e entenda como podemos contribuir. Já participamos de eventos nacionais, como a Confederação Nacional da Agricultura, e isso amplia muito nossa visão sobre o papel da mulher no agro”, destaca Gabriela.

Criada para dar visibilidade à atuação feminina no campo, a comissão atua o ano inteiro com encontros regionais, mentorias e capacitações. A iniciativa culmina anualmente no evento Mulheres do Agro, cuja terceira edição foi realizada no final de outubro, em Maceió.

Com a participação de mais de 1.700 mulheres, o evento realizado pela Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas consolidou-se como um dos maiores encontros do setor no estado. A edição deste ano trouxe debates sobre inovação, certificação, exportação, sucessão familiar e tecnologias aplicadas à produção rural.

Juliana Almeida
Juliana Almeida, representa Alagoas na Comissão Nacional da Mulher da CNA e destaca força da mulher alagoana no agro. Foto: Julio Vasconcelos

Aqui não é só a mulher da porteira para dentro. É a mulher que empreende, que estuda, que participa da comercialização, da gestão, da política pública. É o campo se reinventando com liderança feminina”, enfatiza Juliana Almeida.

Entre os destaques da programação esteve o painel “Made in Alagoas”, com Gabriela e Isabela Carneiro, que apresentaram a trajetória da Sabalangá como exemplo de negócio liderado por mulheres jovens e comprometidas com a inovação no campo.

Também marcaram presença figuras como Mazé Lima, doceira conhecida nacionalmente, e Lumara Rosendo, operadora de máquinas da Usina Caeté, que subiram ao palco para compartilhar suas vivências como mulheres protagonistas em áreas ainda dominadas por homens. A produtora rural Lígia Pedrini, do Mato Grosso, foi outra presença de destaque, trazendo reflexões sobre comunicação e representatividade no campo.

Para as irmãs Isabela e Gabriela Carneiro, o futuro do agro passa por educação, empoderamento e visão estratégica. “A sucessão não começa com a saída do patriarca. Começa quando o sucessor é preparado e assume responsabilidades com autonomia”, afirma Isabela. “O agro pode, sim, ser a nossa casa. Mas só será se também for um lugar onde mulheres tenham voz, espaço e protagonismo”, completou Gabriela.

Leia mais: Turismo, agro e energia guiam diversificação da economia alagoana

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