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Raquel Lyra defende adiamento da reforma tributária para 2027

Governadora Raquel Lyra afirma que debate não deve ocorrer em ano eleitoral e defende mais tempo para avaliar impactos sobre Pernambuco
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  1. Governadora Raquel Lyra defende adiamento da reforma tributária.
  2. Reforma pode alterar competitividade entre os estados.
  3. Pernambuco teme impacto sobre setores estratégicos econômicos.
  4. Raquel Lyra destaca preocupação do setor de serviços.
  5. Debate deve ocorrer fora do calendário eleitoral
Raquel Lyra evento NERD - Foto: Yaci Ribeiro/Secom
Em evento do Porto Digital, governadora Raquel Lyra (PSD) defendeu adiamento das próximas etapas da regulamentação da reforma tributária no Congresso Nacional – Foto: Yaci Ribeiro/SECOM

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), defendeu o adiamento da votação das próximas etapas da regulamentação da reforma tributária no Congresso Nacional. Durante evento do Porto Digital realizado na segunda-feira (15), no Recife, a gestora afirmou que o tema exige aprofundamento técnico e não deve avançar em meio ao ambiente eleitoral de 2026.

Ao abordar os desafios econômicos dos próximos anos, Raquel destacou que a nova configuração tributária poderá alterar a dinâmica de competitividade entre os estados, especialmente aqueles que historicamente utilizaram incentivos fiscais para atrair investimentos.

“Estamos diante da reforma tributária que se avizinha sem saber exatamente como é que ela vai nos afetar. Esse é um tema para agora”, afirmou a governadora.

Preocupação com os efeitos da reforma tributária

A principal preocupação do governo pernambucano está relacionada ao impacto das mudanças sobre setores considerados estratégicos para a economia estadual, como o polo automotivo, a cadeia de saúde, a indústria farmacêutica e, especialmente, os segmentos de serviços e tecnologia.

A avaliação do governo é que a nova estrutura tributária pode alterar a competitividade de atividades intensivas em mão de obra, inovação e conhecimento, justamente áreas que vêm sustentando o crescimento econômico de Pernambuco nos últimos anos.

Durante o evento no Porto Digital, Raquel Lyra destacou que o debate é particularmente sensível para o ecossistema de tecnologia instalado no centro do Recife, responsável pela geração de milhares de empregos e pela atração de investimentos.

“A gente tem muita clareza de como o setor de serviços será afetado pela reforma tributária e, por isso, aqui no coração do Recife, onde tem o Porto Digital e onde há milhares de empresas e empregos sendo gerados, existe uma preocupação do setor de serviços e do polo de tecnologia sobre como vai ficar após essa reforma”, afirmou.

Segundo a governadora, é necessário construir soluções capazes de preservar a competitividade da economia pernambucana. “Mais do que saber como vai sair depois, é construir junto o que vem para agora”, disse.

Raquel ressaltou ainda que a discussão não pode ser limitada a interesses isolados e deve considerar o impacto das mudanças sobre toda a economia regional.

“Diversos segmentos têm a mesma angústia. Ninguém vai escapar sozinho. Não adianta achar que vou conseguir um percentual específico para salvar o meu setor. O meu não é só seu, é o nosso”, declarou.

Debate fora do calendário eleitoral

Durante o discurso, Raquel Lyra afirmou que o ambiente político de 2026 não é o mais adequado para discutir um tema de tamanha complexidade.

“Tomara que ela não venha este ano para não ser mal pensada e estruturada. Não é o momento da gente discutir isso no meio de uma eleição presidencial”, disse.

A declaração ocorre em um momento de articulação entre governadores e representantes do setor produtivo, que buscam ampliar a participação dos estados na definição das regras de transição e dos mecanismos de compensação previstos pela reforma.

A avaliação é que decisões tomadas sem o devido aprofundamento podem comprometer a capacidade de atração de investimentos de estados fora do eixo Sul-Sudeste.

A governadora afirmou que vem tratando do assunto de forma permanente com a bancada federal pernambucana e defendeu uma atuação coordenada dos estados nordestinos durante a tramitação da regulamentação no Congresso Nacional.

“O nosso apelo sempre é para que o Congresso Nacional não vote a reforma este ano em razão das eleições, para que a gente tenha tempo suficiente para aprofundar esses temas do setor de serviços de maneira geral e dos estados do Nordeste brasileiro”, afirmou.

Crescimento econômico e visão de longo prazo

Ao defender mais tempo para o debate, Raquel Lyra destacou que Pernambuco vive um momento de expansão econômica, impulsionado por investimentos em infraestrutura, logística, energias renováveis e inovação.

Segundo a governadora, o Estado registrou crescimento de 8% no primeiro quadrimestre do ano e tem ampliado a geração de empregos formais.

“O que a gente precisa apresentar para o mundo é como um estado bom para investir, que forma capital humano de altíssimo valor e que é capaz de atrair novos negócios”, afirmou.

O que está em jogo para Pernambuco

A reforma tributária foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2023, por meio da Emenda Constitucional nº 132, e prevê a substituição gradual de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

O novo modelo também cria o Imposto Seletivo e estabelece um longo período de transição, com implementação gradual entre 2027 e 2033.

Embora especialistas apontem ganhos de eficiência e simplificação, estados que dependem de incentivos fiscais acompanham o processo com cautela, diante da possibilidade de perda de competitividade em setores estratégicos.

No caso de Pernambuco, a preocupação é preservar a atratividade de polos industriais e tecnológicos e garantir que a nova estrutura tributária não comprometa a capacidade de atração de investimentos em áreas intensivas em inovação. A discussão ganha relevância diante da reorganização das cadeias globais de produção e da disputa entre estados e regiões por novos empreendimentos ligados à economia verde, à transformação digital e à indústria de maior valor agregado.

Leia também: Com NERD, Porto Digital quer dobrar número de empresas em 15 anos

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