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EUA e Irã podem iniciar novo diálogo sobre programa nuclear ainda neste mês

Acordo para encerrar conflito no Oriente Médio prevê reabertura total do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (19) e abre caminho para debates bilaterais
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~4:05
  1. EUA e Irã negociam programa nuclear.
  2. Governo do Irã sinaliza nova rodada.
  3. Foco é suspensão de avaliações internacionais.
  4. Diálogo pode começar ainda neste mês.
  5. Guerra no Oriente Médio finda com acordo.
Donald Trump
O documento firmado entre Washington e Teerã estabelece que as tratativas sobre os temas mais complexos da pauta diplomática comecem oficialmente em até 60 dias. Foto: WhiteHouse/reprodução

O governo do Irã sinalizou que uma nova rodada de conversas bilaterais com os Estados Unidos pode ter início ainda no decorrer desta semana. O foco principal das discussões envolve o programa nuclear desenvolvido por Teerã e a eventual suspensão das avaliações internacionais que pesam contra o país asiático. O anúncio oficial sobre a retomada do diálogo ocorre logo após a consolidação de um acordo desenhado para colocar fim à guerra na região do Oriente Médio.

O conflito regional, que se estendeu por quase quatro meses, gerou fortes impactos na estabilidade política e econômica de diversos países envolvidos. ​A assinatura do memorando de entendimento que sela o encerramento das hostilidades militares está programada para acontecer na próxima sexta-feira (19).

Na mesma data, as autoridades preveem a reabertura completa do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o comércio de combustíveis.

​O bloqueio dessa via marítima durante as ações de combate interrompeu o fluxo de exportações de petróleo e gás a partir do Golfo, por onde passava um quinto do comércio global desses produtos antes da guerra. O fechamento da rota acelerou os índices de inflação global e desestruturou o abastecimento internacional de fertilizantes.

Prazos e mediação internacional para o fim das hostilidades

O documento firmado entre Washington e Teerã estabelece que as tratativas sobre os temas mais complexos da pauta diplomática comecem oficialmente em até 60 dias. A trégua inicial que permitiu o avanço do texto final foi estabelecida em abril deste ano, superando episódios recentes de violência e discursos hostis.

​O processo de aproximação e costura do entendimento contou com a mediação direta de representantes dos governos do Paquistão e do Catar. Embora o conteúdo integral do memorando ainda permaneça sob sigilo, os líderes das duas nações já realizaram a troca formal dos termos por meio eletrônico.

Autoridades confirmam encontro diplomático na Suíça

A conferência oficial de assinatura do termo de paz será sediada na Suíça e contará com delegações de alto escalão de ambos os lados. Estão confirmadas as presenças do principal negociador por parte do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente norte-americano, JD Vance, além da possibilidade de ida do mandatário dos Estados Unidos.

​A reação militar iraniana que desencadeou o fechamento da rota ocorreu após ataques prévios realizados pelas forças armadas dos Estados Unidos e de Israel. Como contra-ataque imediato na ocasião, o governo em Washington havia imposto um severo bloqueio de natureza naval direcionado aos complexos portuários iranianos.

Exigências e divergências sobre o enriquecimento de urânio

As principais potências ocidentais e o governo israelense pressionam a administração em Teerã para que ocorra o descarte completo das reservas de urânio enriquecido no país. Por outro lado, o corpo diplomático iraniano sustenta a legitimidade das pesquisas e reforça que os objetivos das usinas locais possuem fins estritamente pacíficos.

​A liderança norte-americana avalia estabelecer um período de restrição que pode variar entre 15 e 20 anos para o congelamento das atividades nucleares da República Islâmica.

A intenção manifestada por Washington é permitir a entrada de inspetores internacionais das Nações Unidas para acompanhar a destruição do material de alta atividade.

Conflito no Líbano aparece como obstáculo para negociações

Em termos políticos internos, o exército do Irã classificou o resultado do documento como uma vitória expressiva frente aos posicionamentos de Israel e dos Estados Unidos. No entanto, especialistas internacionais apontam que o cenário de guerra paralela em território libanês pode criar entraves severos para o avanço da paz.

​O Líbano acabou inserido no mapa dos confrontos após o grupo Hezbollah disparar mísseis contra alvos israelenses em retaliação à morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

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