
Investigadores da Polícia Federal envolvidos na Operação Compliance Zero expressaram nesta quarta-feira (14) preocupação com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que determinou o lacre imediato e o envio ao STF de todos os materiais apreendidos na nova fase do Caso Master. A apreensão incluiu celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos e documentos considerados essenciais para a reconstrução de fluxos financeiros. Segundo relatos internos da PF, a medida pode comprometer a extração de dados digitais sensíveis, procedimento que, em operações de grande porte, costuma ocorrer imediatamente após a coleta para evitar perdas decorrentes de bloqueios ou degradação dos equipamentos.
A determinação de Toffoli foi emitida ao autorizar a deflagração da etapa desta quarta-feira (14). No despacho, o ministro afirmou haver “fartos indícios” de novos crimes praticados pelos investigados, incluindo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e registrou que medidas de prisão e buscas deveriam ter sido cumpridas até 13 de janeiro. A execução com um dia de atraso gerou críticas diretas à Polícia Federal, com Toffoli apontando risco de descaracterização de provas e “falta de empenho” no cumprimento das ordens judiciais.
A nova fase da operação reteve carros de alto valor, relógios de luxo, registros documentais e mais de R$ 90 mil em espécie, além de um revólver e do celular de Vorcaro, considerado peça central para análise de dados de comunicação e movimentação financeira. A apreensão reproduz o ambiente da primeira etapa, quando Vorcaro foi preso ao tentar embarcar para Dubai em novembro de 2025, e reativa diligências que se estenderam para Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e endereços de São Paulo, entre eles unidades na Avenida Faria Lima.
Os mandados incluíram alvos como o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi preso durante a madrugada no Aeroporto de Guarulhos, também quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos, sendo liberado após formalização das diligências. O mapa de buscas seguiu o padrão de operações anteriores, com execução simultânea e recolhimento de materiais distribuídos em diferentes camadas do esquema financeiro investigado.
Estrutura e continuidade da investigação do Caso Banco Master
As apurações indicam que os investigados desviavam recursos do sistema financeiro para patrimônio pessoal, utilizando operações de captação e aplicação em fundos, com continuidade delitiva detectada após a primeira fase da operação. A ordem de Toffoli abrange não apenas os itens colhidos nesta etapa, mas também o material retido durante a fase anterior, impondo lacre e acautelamento no STF até nova deliberação. A PF terá 72 horas para realizar perícia inicial nos dispositivos recolhidos, prazo considerado crítico por especialistas em extração de dados digitais.
O gabinete do ministro afirmou que o acautelamento imediato tem por finalidade preservar as provas recolhidas. A defesa de Vorcaro reiterou colaboração com a investigação e declarou que o empresário permanece à disposição das autoridades. As operações continuam vinculadas ao conjunto de fraudes atribuídas ao Banco Master, com estimativa de R$ 17 bilhões em títulos forjados, e ao processo administrativo que resultou na liquidação da instituição após tentativa de venda ao BRB por R$ 2 bilhões não autorizada pelo Banco Central.
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