
O preço do metanol aumentou mais de 80% no Brasil entre 27 de fevereiro e 8 de maio, segundo levantamento da agência Argus. O produto, usado principalmente na fabricação de biodiesel e também como insumo industrial, teve a oferta reduzida no Brasil após a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — um dos principais fabricantes mundiais de metanol -. Como o Brasil depende integralmente de importações, a guerra impactou diretamente os preços internos, afirma o responsável pela precificação de metanol da Argus, Fernando Ladeira.
Em 27 de fevereiro deste ano – um dia antes da guerra começar -, a tonelada do metanol estava chegando no Porto de Paranaguá, no Paraná, por R$ 1.945 para retirada a vista e sem impostos. Nas mesmas condições e quantia, chegou a custar R$ 3.600 no dia 8 de maio último.
O Irã responde por cerca de 10% da produção mundial de metanol. “A guerra provocou uma disrupção significativa nas rotas comerciais globais, especialmente no Oriente Médio, que abastece grandes mercados na Ásia e Europa”, disse Fernando Ladeira, acrescentando que o Brasil passou a competir por preço com essas regiões, tornando a oferta no mercado doméstico mais apertada, uma vez que os preços praticados no Brasil estavam abaixo do patamar internacional, dificultando a atração de carga.
Fernando Ladeira explicou que, desde junho do ano passado, o mercado brasileiro observou a entrada de novos players, como Rússia e Omã, oferecendo metanol com custos mais baixos devido à grande disponibilidade de gás natural nestes países.
Geralmente, cerca de 66% do metanol consumido no País são destinados à produção de biodiesel como reagente. Segundo Fernando, o metanol representa de 10% a 13% da composição do biodiesel, cujo principal componente é o óleo de soja. “Este aumento tende a encarecer a indústria do biodiesel”, comentou Fernando.

Não vai ocorrer falta de metanol
Mesmo com este cenário de escassez na oferta, não falta metanol no Brasil. De acordo com informações da Argus, a expectativa é de que este mês chegue um volume maior de metanol ao Brasil, o que pode aliviar a escassez, pois o aumento de preço no País tornou o mercado mais atrativo mais atrativo para os produtores estrangeiros.
O metanol também serve como matéria-prima para a indústria química em uma ampla gama de produtos como plásticos, resinas, madeiras compensadas, entre outros. O metanol importado é produzido a partir do gás natural, um combustível fóssil. O Brasil parou de produzir metanol em 2016 devido aos altos custos internos.
Entre janeiro e março de 2026, o País importou cerca de 350 mil toneladas de metanol, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Houve uma queda de aproximadmante 10%, comparando com o mesmo período do ano passado. Os países que enviaram este produto para o Brasil foram: Trinidad e Tobago (28%), Argentina (22%), EUA (21%), Chile (17%), Venezuela (7%) e Rússia (5%).
Embora ainda apresente um volume pequeno, o e-metanol é visto como uma solução importante para as metas de descarbonização da indústria marítima, segundo Fernando. O e-metanol é feito a partir de insumos verdes e com energia renovável. “O e-metanol vai se desenvolver bastante nos próximos anos e ter maior uso na indústria marítima que tem metas de descarbonização mais ousadas”, resumiu Fernando. Estão previstas a implantação de duas fábricas de e-metanol no Porto de Suape, em Pernambuco.
*Com informações da Argus
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