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Guerra no Irã faz preço do metanol disparar 80% no Brasil

O conflito impactou o mercado de metanol no mundo e o Brasil depende, desde 2016, de importações para ter o produto
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  1. Preço do metanol salta 80% no Brasil entre fevereiro e maio de 2024 devido à guerra no Oriente Médio.
  2. Irã, responsável por 10% da produção mundial, teve suas operações impactadas, reduzindo oferta global de metanol.
  3. Brasil depende 100% de importações de metanol, competindo com Ásia e Europa por disponibilidade do produto.
  4. Biodiesel fica mais caro com alta do metanol, já que insumo representa 10% a 13% da composição final.
  5. Oferta deve aumentar em breve com chegada de novos carregamentos, atraindo produtores estrangeiros pelos preços mais altos praticados.
Responsável pela precificação de metanol da Agência Argus, Fernando Ladeira, explica o aumento do preço do produto no Brasil. Foto: Argus/Divulgação

O preço do metanol aumentou mais de 80% no Brasil entre 27 de fevereiro e 8 de maio, segundo levantamento da agência Argus. O produto, usado principalmente na fabricação de biodiesel e também como insumo industrial, teve a oferta reduzida no Brasil após a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — um dos principais fabricantes mundiais de metanol -. Como o Brasil depende integralmente de importações, a guerra impactou diretamente os preços internos, afirma o responsável pela precificação de metanol da Argus, Fernando Ladeira.

Em 27 de fevereiro deste ano – um dia antes da guerra começar -, a tonelada do metanol estava chegando no Porto de Paranaguá, no Paraná, por R$ 1.945 para retirada a vista e sem impostos. Nas mesmas condições e quantia, chegou a custar R$ 3.600 no dia 8 de maio último.

O Irã responde por cerca de 10% da produção mundial de metanol. “A guerra provocou uma disrupção significativa nas rotas comerciais globais, especialmente no Oriente Médio, que abastece grandes mercados na Ásia e Europa”, disse Fernando Ladeira, acrescentando que o Brasil passou a competir por preço com essas regiões, tornando a oferta no mercado doméstico mais apertada, uma vez que os preços praticados no Brasil estavam abaixo do patamar internacional, dificultando a atração de carga.

Fernando Ladeira explicou que, desde junho do ano passado, o mercado brasileiro observou a entrada de novos players, como Rússia e Omã, oferecendo metanol com custos mais baixos devido à grande disponibilidade de gás natural nestes países.

Geralmente, cerca de 66% do metanol consumido no País são destinados à produção de biodiesel como reagente. Segundo Fernando, o metanol representa de 10% a 13% da composição do biodiesel, cujo principal componente é o óleo de soja. “Este aumento tende a encarecer a indústria do biodiesel”, comentou Fernando.

etanol metanol derivados da cana
O metanol é um dos insumos usados para fazer biodiesel no Brasil. Foto: Biodiesel Brasil

Não vai ocorrer falta de metanol

Mesmo com este cenário de escassez na oferta, não falta metanol no Brasil. De acordo com informações da Argus, a expectativa é de que este mês chegue um volume maior de metanol ao Brasil, o que pode aliviar a escassez, pois o aumento de preço no País tornou o mercado mais atrativo mais atrativo para os produtores estrangeiros.

O metanol também serve como matéria-prima para a indústria química em uma ampla gama de produtos como plásticos, resinas, madeiras compensadas, entre outros. O metanol importado é produzido a partir do gás natural, um combustível fóssil. O Brasil parou de produzir metanol em 2016 devido aos altos custos internos.

Entre janeiro e março de 2026, o País importou cerca de 350 mil toneladas de metanol, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Houve uma queda de aproximadmante 10%, comparando com o mesmo período do ano passado. Os países que enviaram este produto para o Brasil foram: Trinidad e Tobago (28%), Argentina (22%), EUA (21%), Chile (17%), Venezuela (7%) e Rússia (5%).

Embora ainda apresente um volume pequeno, o e-metanol é visto como uma solução importante para as metas de descarbonização da indústria marítima, segundo Fernando. O e-metanol é feito a partir de insumos verdes e com energia renovável. “O e-metanol vai se desenvolver bastante nos próximos anos e ter maior uso na indústria marítima que tem metas de descarbonização mais ousadas”, resumiu Fernando. Estão previstas a implantação de duas fábricas de e-metanol no Porto de Suape, em Pernambuco.

*Com informações da Argus

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