
Uma castanha tipicamente maranhense conhecida como cacau-selvagem, monguba ou mamorana, pertencente às espécies Pachira glabra, Pachira aquática ou Bombacopsis glabra, abundante na região tocantina e no sul do estado, mas sem cadeia produtiva estruturada, está na origem de uma startup que desenvolveu um substituto do chocolate com ingredientes exclusivamente vegetais e sem açúcar, glúten ou lactose.
A Maranuts Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, incubada na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz, transformou a pesquisa acadêmica da professora Daniela Souza Ferreira em linha de produtos voltada ao mercado de alimentação saudável. Daniela é engenheira de alimentos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, com mestrado e doutorado em Ciência de Alimentos pela Unicamp e pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).
A semente possui teor de gordura de 54%, similar à manteiga de cacau, o que permite ao bombom manter-se sólido em temperatura ambiente e derreter de forma prazerosa na boca, além de compostos antioxidantes e teores relevantes de lipídios e proteínas.
O projeto realizou análises bioquímicas, testes in vitro de citotoxicidade e ensaios antimicrobianos que demonstraram potencial inibitório contra microrganismos patogênicos. Em testes sensoriais com 101 provadores, 75% declararam ter gostado muito ou muitíssimo dos produtos e 57% afirmaram que provavelmente ou certamente os comprariam.

Da pesquisa ao mercado
A pesquisa teve início em 2022, quando Daniela chegou ao Maranhão e identificou a ausência de uma cadeia produtiva para a castanha. “Estamos falando de um recurso nativo que sempre esteve presente nas propriedades rurais, mas que nunca foi visto como uma oportunidade econômica real. Nosso trabalho mostra que é possível transformar biodiversidade em renda, sem destruir o meio ambiente”, afirmou.
O projeto ganhou força após aprovação no edital Centelha II, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), em parceria com o governo federal via Finep.
Os frutos utilizados na pesquisa foram coletados em municípios como Buritirana, Senador La Rocque, Porto Franco e Montes Altos. As sementes foram coletadas no estágio ideal de maturação e passaram por processos de higienização, secagem, torra e transformação em nibs.
O “Bombom do Maranhão” já passou por testes sensoriais e comercialização em feiras de negócios. Atualmente, a startup está em fase de aceleração, com foco na profissionalização das embalagens e na inserção em pontos de venda como lojas de produtos naturais, empórios e drogarias. Disponível em barras de 100g, bombons de 15g, drageados de 100g e cremes de 150g.
Cadeia produtiva e bioeconomia da castanha
O projeto mapeou famílias em municípios do sul do Maranhão que possuem castanheiras em suas propriedades, muitas delas sem nunca terem comercializado o fruto. “Cadastramos famílias que hoje já fornecem a castanha e começam a enxergar a árvore como uma fonte de renda e não apenas como parte da paisagem”, destacou Daniela.
Em uma estação experimental no câmpus da UFMA em Imperatriz, 50 mudas estão sendo acompanhadas com estudos sobre solo, irrigação, adubação orgânica e controle biológico de pragas, em parceria com a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). A iniciativa também conta com parceria com a Associação Frei Tadeu para implantação de viveiro de mudas e articulações com a Suzano para ações com foco ambiental e social.
Além do chocolate, estão em desenvolvimento uma pasta de castanha semelhante a cremes de avelã e um bowl de castanha similar a cereais matinais. “Nossa meta é verticalizar a produção, garantir matéria-prima de qualidade e consolidar a castanha do Maranhão como símbolo de inovação, sustentabilidade e identidade regional”, afirmou Daniela.
*Com informações da UFMA e da Fapema
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