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Pesquisa da UFPB transforma sapoti em bebida fermentada inédita

Formulação produzida no LBA/UFPB é a 1ª registrada na literatura científica. Rendimento de 38,01% e teor alcoólico dentro dos padrões legais abrem caminho para aplicação comercial da kombucha saborizada com sapoti
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  1. Pesquisadores da UFPB desenvolvem kombucha saborizada com caldo de sapoti com rendimento de extração de 38,01%.
  2. Kombucha com sapoti apresenta teor alcoólico inferior a 0,5% v/v, atendendo padrões de bebida não alcoólica do Mapa.
  3. Mercado global de kombucha movimentou US$ 3,1 bilhões em 2023, com projeção de crescimento anual de 16,5%.
  4. Brasil registra crescimento de 923% no setor de bebidas não alcoólicas em seis anos, segundo Ministério da Agricultura.
  5. Sapoti cultivo concentra-se no Nordeste e apresenta propriedades antioxidantes com potencial de valorização econômica regional ainda pouco explorado.
Estudo do Centro de Biotecnologia da UFPB explora o potencial tecnológico da fruta regional sapoti na produção de bebidas fermentadas. Foto: Divulgação
Estudo do Centro de Biotecnologia da UFPB explora o potencial tecnológico da fruta regional sapoti na produção de bebidas fermentadas. Foto: Divulgação

Pesquisadores do Laboratório de Análises e Pesquisas de Bebidas Alcoólicas (LBA/UFPB), vinculado ao Centro de Biotecnologia da Universidade Federal da Paraíba, desenvolveram uma kombucha saborizada com caldo de sapoti com rendimento de extração de 38,01% e teor alcoólico inferior a 0,5% v/v, dentro dos padrões estabelecidos pela Instrução Normativa Mapa nº 41/2019, que classifica como não alcoólicas as kombuchas com teor inferior a esse limite.

A kombucha é uma bebida fermentada produzida a partir de chá adoçado e uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras, o SCOBY (Symbiotic Culture Of Bacteria and Yeast), responsável pela fermentação que gera os compostos funcionais da bebida. O mercado global da kombucha foi avaliado em US$ 3,1 bilhões em 2023, com projeção de US$ 12,1 bilhões em 2032 e crescimento anual de 16,5%. No Brasil, o setor cresceu 923% em seis anos, segundo o Anuário de Bebidas Não Alcoólicas 2024 do Ministério da Agricultura (Mapa).

A formulação com sapoti é considerada inédita na literatura científica e no mercado de bebidas fermentadas, segundo divulgação da UFPB em 14 de maio de 2026. O estudo foi desenvolvido pelo estudante Matheus Silva de Albuquerque Fernandes, sob orientação da professora Julice Dutra Lopes e coorientação da pesquisadora Flávia de Oliveira Paulino.

O processo partiu de uma kombucha tradicional produzida a partir de chá verde adoçado e fermentado com essa cultura simbiótica por 14 dias. Em seguida, foram adicionadas concentrações de 10% e 20% de caldo de sapoti, seguidas de segunda fermentação por cinco dias. As duas formulações permaneceram dentro dos padrões legais. A formulação com 20% de sapoti apresentou maior concentração de sólidos solúveis e maior teor alcoólico, enquanto a de 10% registrou maior acidez titulável.

Pesquisa da kombucha saborizada com caldo de sapoti foi desenvolvida pelo estudante Matheus Silva de Albuquerque Fernandes, sob orientação da professora Julice Dutra Lopes e coorientação da pesquisadora Flávia de Oliveira Paulino
Pesquisa da kombucha saborizada com caldo de sapoti foi desenvolvida pelo estudante Matheus Silva de Albuquerque Fernandes, sob orientação da professora Julice Dutra Lopes e coorientação da pesquisadora Flávia de Oliveira Paulino. Fotos: Divulgação

Sapoti como matéria-prima regional

O sapoti (Manilkara zapota) é originário da América Central e do México, introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses. No país, é cultivado predominantemente no Nordeste, com maior concentração no Ceará, seguido de Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. A fruta é rica em compostos fenólicos, taninos e carboidratos com propriedades antioxidantes documentadas, mas ainda pouco aproveitada industrialmente como matéria-prima para bebidas funcionais. A pesquisa aponta o sapoti como insumo regional com potencial de valorização econômica na cadeia de bebidas fermentadas, segmento em expansão acelerada no mercado nacional e global.

Segundo os pesquisadores, o produto pode futuramente ser aplicado pela indústria de bebidas fermentadas no desenvolvimento de produtos comerciais com identidade regional, perfil natural e valor agregado. O estudo abre ainda possibilidades para futuras investigações envolvendo análise sensorial, atividade antioxidante e potencial funcional da formulação.

*Com informações da UFPB

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