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BNB vai apoiar com R$ 1 milhão projeto que reaproveita cascas de sururu em AL

Iniciativa selecionada pelo Fundeci mira geração de renda, economia circular e protagonismo feminino a partir do reaproveitamento das conchas de sururu
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  1. BNB investe R$ 1,028 milhão em projeto de economia circular com conchas de sururu em Alagoas.
  2. Iniciativa visa aumentar em 30% a base de marisqueiras formalmente integradas à cadeia produtiva local.
  3. Projeto promove reaproveitamento de conchas para fabricação de produtos para construção civil e arquitetura.
  4. Modernização da linha produtiva reduzirá custos em 5% e aumentará produtividade em 10%.
  5. Ações fortalecem autonomia financeira e protagonismo das mulheres marisqueiras na economia circular regional.
Pescado na Laguna Mundaú, em Maceió, carne do sururu é vendida e cascas viram revestimentos de cerâmica
Projeto executado pelo IABSfoi selecionado em edital do BNB e pretende ampliar base de marisqueiras que beneficiam o sururu em Maceió. Foto: IABS

O Banco do Nordeste vai apoiar com R$ 1,028 milhão o projeto “Inovação e Socioeconomia Circular na Lagoa Mundaú”, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), que beneficia marisqueiras que atuam no reaproveitamento das conchas de sururu como matéria-prima para a fabricação de produtos de maior valor agregado em Maceió.

A iniciativa foi selecionada no edital do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci), do BNB, na categoria Desenvolvimento Territorial Sustentável e Regenerativo, recebendo recursos da instituição para realização das ações programadas.

O Fundeci é um instrumento do BNB responsável pelo apoio financeiro não reembolsável a projetos de pesquisa, inovação, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade, com foco no fortalecimento da competitividade de empresas e instituições da região Nordeste e do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A proposta é que o projeto consiga aumentar em 30% a base de marisqueiras integradas formalmente à cadeia produtiva das conchas de sururu com o direcionamento dos recursos.

Segundo a coordenadora das ações do projeto, Roberta Roxi, as atividades implementadas visam fortalecer oportunidades de trabalho local, ampliar a geração de renda e criar possibilidades de qualificação profissional para moradores da própria comunidade, promovendo a reestruturação da linha de produção e do reaproveitamento das conchas, que servem como matéria-prima na produção de elementos para arquitetura e construção civil, a exemplo de cobogó e revestimento de parede.

“Estamos focando na inovação e na modernização da linha produtiva, com introdução de novos equipamentos, reorganização do layout operacional, padronização de processos e monitoramento por indicadores de desempenho. Essas melhorias visam aumentar a eficiência da produção, reduzir desperdícios e melhorar as condições de trabalho no espaço fabril”, atesta a coordenadora.

Ainda de acordo com Roberta, a iniciativa pretende fortalecer a participação das marisqueiras ao integrá-las de forma mais estruturada à cadeia de fornecimento das conchas de sururu, reconhecendo seu papel como agentes centrais da socioeconomia circular local. Além disso, com a implementação dos novos moldes, é esperado que haja uma redução de 5% nos custos de produção e o aumento de 10% na produtividade do Entreposto Sururu.

“Além da remuneração pelo resíduo antes descartado, a proposta amplia a inserção produtiva das mulheres, fortalece sua autonomia financeira e contribui para a valorização do trabalho feminino em uma atividade historicamente invisibilizada. Ao gerar nova renda e ampliar o protagonismo das marisqueiras, o projeto avança também na promoção da equidade de gênero dentro da economia local”, destaca.

Pesca do sururu em Maceió
Projetos executados em Maceió beneficiam famílias que pescam molusco no complexo lagunar Mundaú-Manguaba. Foto: IABS

Sururu movimenta economia criativa em Maceió

Além de patrimônio imaterial de Alagoas, o sururu tem movimentado a economia no bairro do Vergel do Lago, em Maceió com ações que reaproveitam a casca e geram oportunidade de renda para famílias locais.

Paralelo aos projetos desenvolvidos pelo IABS, o Instituto Mandaver desenvolveu em 2021 a moeda social Sururote, que é utilizada pela comunidade de marisqueiras do bairro.

A operação da moeda social é realizada pelo Banco Laguna, dentro de uma dinâmica que contribui para a circulação de recursos no próprio território. Cada Sururote equivale a R$ 1 e tem contribuído para movimentar a economia local.  

Em parceria com o IABS, 21 marisqueiras vendem as conchas do sururu para o IABS Empresa Social, e recebem o pagamento em Sururotes, que pode ser gasto em estabelecimentos da região. 

Este grupo também contribui para manter a unidade fabril pertencente ao projeto Sururu: Conchas que Transformam. Em parceria com a empresa de revestimentos cerâmicos Portobello, mais de 500 toneladas de conchas do molusco foram retiradas das ruas e reaproveitadas, gerando mais de R$ 800 mil em renda geral na comunidade.

Em 2020 a Portobello se uniu à iniciativa, para gerar alternativas de renda, trazer mais qualidade de vida para a comunidade e diminuir os impactos ambientais das conchas de sururu. Agora, essas conchas se transformam em produtos inovadores e de valor agregado, revertendo o lucro para a população local. Já foram lançadas três linhas de revestimentos criados a partir da casca do sururu, a Cobogó Mundaú, Solar e Fita.

Em maio deste ano, a prefeitura de Maceió passou a comprar cerca de 280 quilos mensais do produto, para atender aproximadamente três mil alunos das cinco escolas contempladas para o projeto piloto que vai inserir o sururu no cardápio alimentar.

A expectativa é que a venda do sururu para a rede municipal de ensino amplie a renda das marisqueiras. A maior comercialização mensal registrada pela cooperativa fornecedora girava em torno de R$ 2,5 mil. Com a entrada das escolas municipais no processo de compra, a estimativa é que esse valor alcance cerca de R$ 13 mil mensais.

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