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Design com alma indígena: grupo maranhense exporta óculos sustentáveis

Com design autoral e materiais de baixo impacto ambiental, Cattu usa narrativas dos povos Guajajara nos seus óculos e mira parceiros na Europa e EUA
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Coleção inspirada nos povos originários do Maranhão, Cattu
Inspirados nos povos originários do Maranhão, óculos da Cattu unem território e elementos da fauna maranhense em coleções. Foto: Divulgação

As dunas maranhenses e o ecossistema que interliga rios, mangues, lagos e a forte influência indígena podem caber numa armação de óculos e ganhar passarelas na Europa. Esse caminho tem sido percorrido pela marca Cattu, que uniu estes elementos em uma estratégia de negócio e conta histórias do Maranhão por meio de óculos. A marca vem expandindo presença no mercado e mira consolidar sua expansão internacional.

A Cattu surgiu dentro do Grupo Negreiros, ecossistema que reúne óticas, laboratório e clínica e que já atua há 35 anos no estado. Foi a partir dessa base que o empresário Esdras Negreiros decidiu, em 2017, criar um produto próprio ao lado da esposa, designer de joias, unindo a experiência familiar no setor óptico a uma proposta de design conectada ao território maranhense.

“Somos parte de um grupo de óticas que já existe há décadas e de certa forma, eu cresci dentro de um balcão de ótica. Sempre trabalhei com isso, mesmo que indiretamente”, afirmou ao Movimento Econômico.

Segundo Esdras, o projeto começou a ganhar forma quando o casal decidiu desenvolver algo em conjunto que pudesse ir além da operação tradicional do grupo. A aproximação com os povos indígenas da região de Barra do Corda, no centro do Maranhão, ajudou a definir o caminho que a marca seguiria.

“Nós já tínhamos um trabalho social grande com os indígenas Guajajara, no Maranhão, desde apoio à saúde visual até patrocínio de eventos e ações com as comunidades. E, de repente, veio a ideia de produzir um acessório que pudesse ser comercializado nacionalmente e que pudesse contar essa história”, disse.

A cidade de origem da família fica próxima à Reserva Canabrava, território dos povos Guajajara e Canela. Essa convivência anterior fez com que a construção da Cattu não surgisse apenas de uma inspiração estética, mas de uma relação já existente entre o grupo e as comunidades indígenas da região.

Óculos Cattu
Lençóis maranhenses são inspiração para coleção de óculos da marca Cattu. Foto: Divulgação

No início, a ideia era entender como transformar essa conexão em produto. O processo levou cerca de dois anos, entre estudos de materiais, testes de protótipos e definição do posicionamento da marca. Nesse período, a Cattu avaliou diferentes caminhos até consolidar a proposta de trabalhar com óculos autorais, de alta qualidade e com menor impacto ambiental.

“Passamos dois anos desenvolvendo o produto, mantendo o relacionamento com os indígenas, porque ainda não sabia exatamente como ele ia surgir. Estudamos várias matérias-primas para gerar um óculos que não fosse plástico, que não fosse derivado de petróleo e que tivesse uma resposta socioambiental”, afirmou Esdras.

O executivo diz que a escolha por um produto com padrão elevado de acabamento foi decisiva. “Com isso, entendemos que, para a proposta que queríamos atender, não compensava trabalhar com um produto que não fosse reconhecido pelo mercado eyewear como de alta qualidade. Os indígenas entrariam para contar histórias através dos óculos e para que a gente desse uma devolutiva social para a causa das comunidades originárias”, disse.

Nova coleção Cattu
Novos modelos lançados este ano foram inspirados nos tucanos que habitam região central do Maranhão. Foto: Vanessa Siqueira

Do Maranhão para Milão: O salto internacional da Cattu

A primeira coleção, a Beta, foi lançada em 2020 e hoje soma mais de 52 modelos que acompanharam uma resposta do mercado ao produto.

Com isso, a operação que se iniciou no e-commerce, avançou para o relacionamento com lojistas, movimento que levou a Cattu a fortalecer a frente B2B e a participar de feiras do setor óptico. Em paralelo, abriu uma flagship em São Luís, com foco especial no público maranhense e na consolidação da identidade da marca em seu território de origem.

“Queríamos contar a história do Maranhão e dos indígenas maranhenses para o Brasil todo e isso foi fortalecido com presença no Sul e Sudeste”, disse Esdras.

O passo seguinte veio em 2024, quando a empresa passou a mirar o mercado internacional. Segundo Esdras, a Cattu começou a participar de rodadas de negócios, semanas de moda e ações de promoção comercial voltadas ao exterior. Hoje, já conta com parceiros na Europa e nos Estados Unidos, ainda em escala reduzida.

“Os próximos planos são justamente seguir nesse movimento de expansão internacional. Hoje temos a marca sendo distribuída em alguns parceiros fora, na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda de forma muito tímida. Estamos trabalhando maneiras de nos posicionar lá fora de um modo mais latente”, afirmou.

Esdras Negreiros Cattu
Esdras Negreiros comanda a Cattu junto com a esposa e mira mercado internacional. Foto: Vanessa Siqueira

A estratégia inclui presença em iniciativas ligadas à Abióptica e à Apex, além da participação em agendas de visibilidade como a Semana de Moda de Milão e a Semana de Moda de Miami. A intenção é consolidar a marca como produto brasileiro de design autoral com potencial de inserção em mercados globais.

Nova coleção leva cultura maranhense para o design dos óculos

Na Expo Óptica, realizada em São Paulo, a Cattu apresentou a coleção Ikatu, que aprofunda a conexão da marca com o Maranhão. O nome significa “lugar bonito” em referência indígena, e a coleção foi inspirada nas entrâncias maranhenses, região onde rios encontram o mar e ajudam a formar paisagens de dunas, mangues, lagoas e arquipélagos verdes ligados ao ecossistema dos Lençóis Maranhenses.

Coleçã Cattu
Inspirado na cultura indígena maranhense, modelo possui elementos que lembram pinturas corporais usados por tribos locais. Foto: Vanessa Siqueira

“A coleção Ikatu é inspirada no contexto indígena, mas também na fauna maranhense. Quisemos trazer um pouco das origens maranhenses, desse encontro dos rios com o mar, dessa natureza exuberante que forma parte dos Lençóis”, explicou Esdras.

Entre os destaques da coleção estão modelos como Tucano e Carcará, inspirados em animais da fauna local e indicados para competição brasileira de design. A leitura da marca é que esse repertório territorial ajuda a construir diferenciação em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado.

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