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Senadores pernambucanos veem nas exceções brecha para diálogo com EUA

Senadores de Pernambuco citam preocupação, mas ressaltam importância das exceções a produtos brasileiros no decreto de Trump
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Os três senadores pernambucanos convergem sobre a necessidade de continuar as negociações para que o tarifaço seja mais flexibilizado Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Os três senadores pernambucanos convergem sobre a necessidade de continuar as negociações para que o tarifaço seja mais flexibilizado Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Nem tão amargo como estava sendo anunciado, mas preocupante. O decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevando para 50% a tarifa sobre produtos brasileiros, incluindo cerca de 700 exceções, provocou diferentes reações entre os três senadores por Pernambuco. Embora as medidas unilaterais sejam motivo de preocupação, os parlamentares destacaram que as exceções confirmam a relevância econômica do Brasil e refletem a importância da negociação diplomática.

Ainda presidente nacional do PT e integrante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Humberto Costa (PT) destacou que o documento dos EUA mostrou que o Governo brasileiro acertou ao manter uma posição firme na defesa da soberania nacional, sem abrir mão do diálogo. Segundo ele, “ao final de toda essa situação”, ficou claro que parte da postura do governo americano foi “um certo jogo de cena”.

O senador Humberto Costa avaliou que houve um certo jogo de cena dos EUA, durante o todo o processo Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Nós não negociamos a nossa soberania. Nós tivemos uma posição firme em defender os interesses do Brasil e, ao mesmo tempo, continuamos numa postura de abertura para a negociação. Mas, ao final, o receio que todos nós tínhamos de uma coisa mais ampla se revelou menor, mostrando que o Brasil tem, inclusive, uma importância econômica que não pode ser ignorada”, colocou Humberto, ao analisar o documento assinado por Donald Trump.

Fazendo coro com a posição do companheiro de partido, a senadora Teresa Leitão (PT) também avaliou que o decreto do governo Trump, ao promover uma lista de exceções, abre espaço para a continuidade do diálogo.

“Essa brecha, ainda que tímida e cercada de contradições, é um sinal para que o Brasil mantenha o diálogo aberto e firme. Seguiremos negociando com serenidade e estratégia, apesar da instabilidade da outra parte e da torcida contrária de um grupo político familiar brasileiro”, declarou Teresa, alfinetando o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O filho 03 do ex-gestor, Eduardo, articulou nos EUA as sanções ao Brasil e afirmou que elas só seriam flexibilizadas se houvesse anistia para os envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro de 2023, incluindo o seu pai.

Teresa Leitão afirma que as exceções, ainda que tímida, é um sinal para que o Brasil mantenha o diálogo aberto e firme Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Senador teme impactos da tarifa

Num outro viés de análise, o senador Fernando Dueire (MDB) expressou preocupação com os impactos diretos das tarifas sobre setores produtivos estratégicos, mesmo com as exceções incluídas. Mas, assim como os colegas de Senado, aponta o diálogo como o caminho a ser seguido.

“A decisão do Governo Trump de impor tarifas a produtos brasileiros, ainda que com algumas exceções, é motivo de profunda preocupação. Medidas unilaterais como essas impactam negativamente setores produtivos estratégicos, com reflexos diretos na geração de empregos e na competitividade do País. Acredito firmemente na força do diálogo e da diplomacia como caminhos para a superação desse impasse, preservando a relação histórica entre Brasil e Estados Unidos. É igualmente urgente que o Governo Federal atue com firmeza na adoção de medidas que protejam nossa produção nacional, assegurando estabilidade e confiança ao setor produtivo”, afirmou.

Senador Fernando Dueire afirma que o Governo Federal tem que atuar com firmeza na adoção de medidas que protejam nossa produção nacional Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O decreto assinado por Trump implementou uma taxa adicional de 40% sobre as tarifas de 10%, alcançando 50% no total, mas incluiu cerca de 700 produtos brasileiros na lista de exceções, o que representa aproximadamente 43% do valor das exportações do Brasil aos Estados Unidos, segundo estimativa da Câmara de Comércio Americana no Brasil. Entre os setores beneficiados estão aeronaves civis, commodities energéticas, alumínio e suco de laranja, enquanto produtos como café e carne bovina ficaram fora das exceções.

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