- Publicidade -

Pernambuco articula pacote emergencial para conter efeito “Trump”

Pacote emergencial visa conter impactos principalmente na fruticultura. Empresário compara situação a efeito econômicos da covid-19
- Publicidade -
Exportração de manga
Mangas não escaparam das tarifas de 50%/Foto: Marcelino Ribeiro/Embrapa

Por Angela Belfort, Patricia Raposo e Vanessa Siqueira

A confirmação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (30/07), provocou forte reação de estados nordestinos, particularmente de Pernambuco, cuja economia agrícola depende fortemente das exportações de frutas e do setor sucroalcooleiro. A medida, que afetará diretamente produtos como mangas e açúcar, caiu como uma bomba no setor produtivo e acendeu um alerta entre autoridades locais.

O acordo com a União Europeia, anunciado no último domingo (27), estimulou a esperança de que o presidente norte-americano, Donald Trump, conhecido por suas bravatas, pudesse retroceder, afinal, a medida tende a ter impacto na inflação de seu próprio país. Mas não foi isso que aconteceu e tão logo a tarifa foi confirmada a tensão aumentou em setores que são protagonistas nos cluster do agronegócio nordestino.

No estado de Pernambuco, o governo estadual atua em ritmo acelerado para minimizar o impacto do chamado “tarifaço” sobre a fruticultura do Vale do São Francisco. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, está em elaboração um pacote de apoio aos produtores, com foco na proteção da renda e da produção da cadeia frutífera, especialmente a da manga, cuja safra para exportação começa já na segunda quinzena de agosto.

Guilherme Cavalcanti - -Condic
Secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti/Foto: divulgação

“Só no lado pernambucano do Vale, são cerca de 120 mil pessoas envolvidas com a fruticultura, mais de 2.500 produtores. É uma cadeia complexa e extremamente perecível. Desconectar isso da noite para o dia pode ser devastador”, alertou o secretário.

O plano está sendo desenvolvido em conjunto com a Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (Age) e poderá contar com apoio financeiro de bancos públicos federais. Além disso, o Estado vai mapear o número de trabalhadores diretamente impactados pela medida norte-americana.

José Gualberto
José Gualberto: “Impacto das tarifas pode ser comparado aos efeitos econômicos da pandemia da covid-19″/Foto: divulgação.

Vale do São Francisco

José Gualberto de Queiroz, presidente da Valexport, a associação que reúne os produtores e exportadores de hortigranjeiros e derivados do Vale do São Francisco, diz que o impacto das tarifas pode ser comparado aos efeitos econômicos da pandemia da covid-19.

“É uma situação trágica. O setor foi pego de surpresa. Estamos em um momento delicado, e as consequências podem ser graves, especialmente para as empresas menores”, avaliou,

Segundo Gualberto, cerca de 15% das exportações de manga da região têm como destino os Estados Unidos. Ele informa que a Valexport já está atuando na busca por novos mercados para redirecionar parte da produção. “Não podemos ficar parados, nem dependentes de um único mercado”, disse.

O presidente da entidade confirma que, por enquanto, não há registro de demissões ou prejuízos diretos, mas admite que, se o cenário se prolongar, algumas empresas podem entrar em dificuldade. “Ainda estamos avaliando os efeitos. Mas há risco, sim, para a sustentabilidade de parte da cadeia produtiva”, afirmou. “Hoje é tudo interligado, do mesmo jeito que exportamos, também importamos. É comum, por exemplo,  comprarmos uvas dos Estados Unidos”, disse.

Setor sucroalcooleiro

Outro setor atingido pelo tarifaço é o sucroalcooleiro. O Nordeste, especialmente Pernambuco, Alagoas e Paraíba, concentra aproximadamente 3,8 milhões de toneladas de açúcar exportado, sendo o segundo maior volume em cota tarifária preferencial destinada aos EUA. Essa cota, hoje de 150 mil toneladas, representa cerca de US$ 200 milhões em faturamento e tem papel central na economia regional — respondendo por 30% das exportações de Pernambuco.

Historicamente, o açúcar exportado dentro da cota é comercializado a preços mais altos, sem tarifas, diferentemente do extracontrato, que passa a ser tarifado agora com alíquotas de até 90%, tornando as operações praticamente inviáveis. “O setor já vinha sofrendo com margens comprimidas desde abril, quando os EUA impuseram tarifa de 10%, e agora a tarifação imposta por Trump amplia o desequilíbrio chegando a 50%”, diz Renato Cunha presidente do Sindaçúcar-PE e da NovaBio. Empresas aguardam como as cotas de importação serem anunciadas para decidir se valerá a pena ou não seguir exportando para o mercado norte-americano.

Ceará cria grupo de trabalho

No Ceará, o governador Elmano de Freitas criou um grupo de trabalho envolvendo Estado, técnicos do Governo Federal e representantes do empresariado cearense para buscar soluções em meio ao anúncio da tarifação dos Estados Unidos. A medida foi tomada após uma reunião realiza na terça-feira (29), com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em Brasília. O Ceará é o estado mais afetado no Nordeste pelas tarifas, com 44,9% das suas exportações destinadas aos EUA, de acordo com dados de 2024.

“Teremos um grupo de trabalho que envolve o Governo do Estado,  federações do comercio e da indústria, além de técnicos do Governo Federal, para a partir do dia 1º de agosto nós estarmos prontos, o Governo do Estado e o Governo Federal, para tomar as medidas que sejam necessárias garantindo competitividade para as empresas brasileiras”, disse se referindo após a reunião com o vice-presidente Alckmin, na terça-feira ouviu com muita atenção todos os setores que estavam aqui representados”, destacou o governador Elmano de Freitas.

Alagoas em alerta

Em Alagoas, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disse, por meio de nota, que embora o estado não tenha nos EUA seu principal parceiro comercial, setores como a agroindústria, especialmente açúcar e etanol, sentirão os efeitos. “Neste momento, a atuação do Governo do Estado é de escuta e articulação com o setor produtivo, para entender eventuais impactos e oferecer apoio institucional. Nosso papel é garantir segurança jurídica, apoio real e um ambiente de negócios estável. Sabemos que política fiscal é competência federal, mas estaremos atentos e prontos para fazer a ponte com quem precisa”, diz a nota.

Leia tmabém:

Raquel Lyra discute sobretaxa dos EUA e busca novos mercados

Estados podem ter prejuízo de R$ 19 bi com tarifaço dos EUA

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -