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Indústria de base deve ser a mais afetada pela tarifa de Trump

A percepção de aumento do risco Brasil pode pressionar a curva de juros e dificultar o início da tão esperada queda da Selic no segundo semestre
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Tarifa deve afetar setores estratégicos da economia nacional, como a indústria de base/Foto: José Paulo Lacerda/CNI

Economistas e líderes reagiram com surpresa e preocupação ao anúncio da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, considerada por muitos como uma medida política e punitiva, mais do que econômica.

De acordo com Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor de Administração da ESPM, a medida deve impactar diretamente setores estratégicos da economia brasileira. “A indústria de base, especialmente a siderurgia, além do agronegócio e do setor têxtil, tendem a ser os mais atingidos.”

Santos alerta ainda para possíveis efeitos secundários sobre os juros e o câmbio. “A percepção de aumento do risco Brasil pode pressionar a curva de juros e dificultar o início da tão esperada queda da Selic no segundo semestre. Se esse cenário persistir, é possível que a taxa permaneça em torno de 15% por mais tempo do que o previsto.”

O economista também projeta uma desaceleração econômica provocada pela queda nas exportações e pelo aumento da aversão ao risco entre investidores internacionais. “Com a fuga de capitais, o dólar tende a subir, já que os investidores passam a priorizar ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro americano, em vez de investir no Brasil.”

O mercado reagiu de forma imediata ao anúncio. O Ibovespa recuou 2,7% no after market, e os contratos futuros de dólar registraram alta próxima de 3%. “Mesmo com o anúncio feito após o fechamento da bolsa, já vemos uma precificação clara de aversão ao risco. A expectativa é de que o mercado abra em queda nesta quinta-feira, com o dólar em alta”, conclui Santos.

O economista Alexandre Schwartsman destacou que a decisão de Trump é motivada por interesses eleitorais, já que o Brasil apresenta déficit comercial com os EUA, o que contradiz a justificativa americana de prejuízo à indústria local. Pedro Rossi, da UFRJ, e Sergio Vale, da MB Associados, também apontaram a falta de embasamento técnico e o caráter simbólico da medida, que afeta diretamente setores como o agronegócio e a indústria.

Impacto da tarifa no marcado financeiro

No mercado financeiro, a notícia provocou forte reação negativa: o Ibovespa futuro caiu mais de 2,5%, o dólar atingiu R$ 5,60 e os juros futuros subiram, refletindo a aversão ao risco gerada pela medida. As ações de grandes empresas brasileiras negociadas nos EUA, como Embraer, Vale e Petrobras, também sofreram quedas expressivas.

Do lado político, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que não há justificativa para o aumento da tarifa, ressaltando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que a medida prejudica a própria economia americana, dada a integração comercial entre os países.

Analistas recomendam uma resposta pragmática do Brasil, incluindo articulações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e reforço na diversificação dos mercados para mitigar os impactos negativos no comércio bilateral. A medida de Trump também é vista como parte de uma estratégia nacionalista para mobilizar seu eleitorado conservador, especialmente ao mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro na carta enviada ao presidente Lula.

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