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Lula contesta tarifa de Trump e cita Lei de Reciprocidade Econômica

Brasil prepara retaliação a tarifa de 50% proposta pelos EUA com base na nova lei de reciprocidade sancionada sem vetos pelo Congresso Nacional em 11 de abril de 2025. Lula convocou reunião de emergência
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Em rede social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania do país. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em nota divulgada na noite desta quarta-feira (9), que o Brasil responderá às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos por meio da Lei Brasileira de Reciprocidade Econômica, sancionada em 11 de abril deste ano. Segundo ele, “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da lei”.

Segundo Lula, as estatísticas mostram que os EUA registraram superávit de US$  410 bilhões no comércio bilateral ao longo dos últimos 15 anos, contrariando a narrativa de déficit apresentada pelos norte-americanos. Ele ressaltou a soberania do país, afirmando que “o Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

O anúncio das tarifas foi feito pelo presidente Donald Trump em carta divulgada na tarde desta quarta-feira (9), que determina a aplicação da sobretaxa a partir de 1.º de agosto de 2025. Trump justificou a medida como resposta a supostos ataques do Brasil às eleições livres e à liberdade de expressão, além da condução do processo contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro.

No documento encaminhado por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mandatário também citou ordens do STF emitidas contra apoiadores do ex-presidente brasileiro que mantêm residência nos Estados Unidos.

A reação no Planalto foi imediata: Lula convocou reunião de emergência com ministros e o vice-presidente Geraldo Alckmin para definir a estratégia de resposta.

Íntegra da nota oficial do presidente Lula

“Tendo em vista a manifestação pública do presidente norte‑americano Donald Trump apresentada em uma rede social, na tarde desta quarta‑feira (9), é importante ressaltar:

O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém.

O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais.

No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática.

No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira.

É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte‑americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos.

Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica.

A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo.”

Plano de resposta

A aplicação da Lei de Reciprocidade permite ao Brasil impor sobretaxas simétricas, suspender concessões comerciais e direitos de propriedade intelectual. O líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias, afirmou que o Brasil poderá adotar contramedidas equivalentes, como suspensões de obrigações relacionadas à propriedade intelectual.

Internamente, o governo irá avaliar com setores produtivos quais produtos americanos serão afetados pela retaliação, considerando impacto econômico e resposta proporcional.

Contexto legislativo

A Lei da Reciprocidade foi sancionada em 11 de abril de 2025, sem vetos, como resposta ao “tarifaço” de Trump. Ela estabelece que quaisquer medidas unilaterais serão contrabalançadas por ações equivalentes, após consulta pública e diplomática. Sua formulação prevê proporcionalidade e respaldo institucional para proteger a competitividade do Brasil.

O lei autoriza o Poder Executivo, em coordenação com o setor privado, “a adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços ou medidas de suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual e medidas de suspensão de outras obrigações previstas em qualquer acordo comercial do país”.

Perspectiva econômica no Nordeste

No primeiro semestre de 2025, a produção industrial no Nordeste registrou crescimento de cerca de 3%, segundo dados do IBGE. Pernambuco destacou-se com incremento de 4,5%, impulsionado por manufatura local, açúcar e etanol. Mesmo que o estado não seja grande exportador primário para os EUA, medidas retaliatórias podem impactar cadeias envolvidas em bens de capital e componentes eletrônicos, setores em expansão na região.

Leia mais: Trump eleva tarifas em 50% sobre o Brasil e cita STF e apoio a Bolsonaro

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